Artigo da seção pessoas Wilson Sayão

Wilson Sayão

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deWilson Sayão: 1949 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Wilson Martins Sayão Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1949). Autor. Abordando em suas tramas os temores e desejos de pessoas comuns, os textos de Wilson Sayão são crônicas que passeiam pela banalidade do cotidiano com suaves pinceladadas dramáticas.

Seu primeiro texto é escrito em 1974, Vamos Aguardar Só Mais essa Aurora, e somente encenado, por Ricardo Petraglia, em 1980. Em 1979, Sayão escreve Extravagância ou Uma Casa Brasileira, com Certeza, montada por Amir Haddad (1937) e o grupo Tá na Rua dez anos depois, quando recebe o Prêmio Shell de melhor autor de 1990. Ainda em 1979, escreve A Quem Possa Interessar e O Mal Definitivo. No ano seguinte, Amir Haddad encena A Esfinge do Engenho de Dentro, escrito em 1976, que aborda o processo de decomposição por que passa uma velha a partir da relação com sua dama de companhia.

Como Diria Montaigne ou Trecho Ermo, escrito em 1978, é encenado por Luiz Arthur Nunes (1946), em 1995. O texto trata da relação maternal e da tentativa, sem êxito, de modificar as bases dessa relação. Irene, mãe de três filhos, procura a lucidez por meio da fala compulsiva e solitária que centraliza a ação. A situação da visita aos filhos se repete, desdobrando a realidade em seus aspectos individuais - e a narrativa se constrói sobre a crescente desilusão e consciência da imobilidade. O autor lança mão de uma temática em parte tchekhoviana e uma construção da protagonista à maneira de Tennessee Williams para construir uma peça entre o drama psicológico e o realismo.

Em 1980, escreve Anônima, encenada por Aderbal Freire Filho (1941), em 1997, quando novamente é premiado com os Shell e Mambembe. Na montagem, Gracindo Júnior (1943) interpreta Afonso, motorista de táxi que decide revisar sua vida quando ouve a notícia da morte do seu amigo e poeta Vinicius de Moraes. O texto é construído em três planos narrativos - presente, passado e o plano de onde Afonso narra - e mostra, em diferentes tons dramáticos, a história dessa personagem.

O Altar do Incenso, escrita em 1978, só é montada em 1999, vinte e um anos mais tarde, com Gracindo Júnior e Marília Pêra (1943-2015). Trata da vida de um casal aposentado sob ameaça da chegada de um criminoso. Na vigília da espera, eles expõem suas frustrações caladas em muitos anos de casamento. O crítico Nelson de Sá, por ocasião da temporada paulista do espetáculo, elogia: "O texto de Wilson Sayão é surpreendente. Na aparência, pouco ou nada acontece - e o pouco que acontece soa externo à peça, até desnecessário. Mas naquele nada cotidiano de Rebeca e Isaque, com seu temor suburbano de tudo o que vem de fora da casa, o casal se delicia. Para dois solitários, que envelheceram sem filhos, sufocando um ao outro, frustrando sonhos, morrendo aos poucos, eles são felizes. É o que escapa aos poucos da peça de Sayão, de seus personagens clownescos".1

Wilson Sayão tem inúmeros textos inéditos. Dentre eles estão O Hábito de Ter Dono, escrito em 1974; A Esfinge do Engenho de Dentro, de 1976; Evoé Mara na Cova da Noite!, de 1977; A Quem Possa Interessar, de 1979; Diga a Verdade uma Vez na Vida, de 1982, e Minha, de 1997, entre outros.

Segundo o jornalista Mauro Ventura, "O dramaturgo Wilson Sayão (...) acredita que a história dos anônimos às vezes ensina mais do que a vida das grandes personalidades (...). Seu teatro é feito dos personagens relegados ao rodapé da história. Daquele sujeito que Sayão chama de 'homem das nove às cinco'. Pessoas comuns, resignadas, mas que 'não entregam a toalha e que aprenderam a viver sem precisar da felicidade e do sucesso, apenas com o que possuem', nas palavras do autor. Gente como o Isaque da peça O Altar do Incenso. Isaque, funcionário público aposentado, suburbano do bairro carioca de Todos os Santos, leva uma vida besta com a mulher, até que a presença de um ladrão na casa dá algum sentido às suas existências. Sayão põe o foco naqueles rostos a mais na multidão e mostra que mesmo as vidinhas mais banais têm algo de singular e de especial".2

Notas

1. SÁ, Nelson de. Marília Embala Público. São Paulo, Folha de S.Paulo, Ilustrada, 23 de julho de 1999. 

2. VENTURA, Mauro. Não espere Joana D'Arc. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 07 de janeiro de 2000.

Outras informações de Wilson Sayão:

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    • Wilson Martins Sayão Filho
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Espetáculos (12)

Fontes de pesquisa (6)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Wilson Sayão. (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • LUIZ, Macksen. A voz como uma reflexão. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 mar. 1995.
  • LUIZ, Macksen. Cilma absurdo em ritmo de humor. jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jan. 2000.
  • LUIZ, Macksen. Drama para corações sensíveis. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 out. 1991.
  • LUIZ, Macksen. Referâncias excessivas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 abr. 1997.
  • SAYÃO, Wilson. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • WILSON Sayão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa350905/wilson-sayao>. Acesso em: 21 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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