Artigo da seção pessoas Gilberto Gawronski

Gilberto Gawronski

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deGilberto Gawronski: 1962 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Biografia

Gilberto Gawronski (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1962). Diretor e ator. Encenador das obras de Caio Fernando Abreu (1948-1996), destaca-se nos anos 1990 por seus trabalhos, em que muitas vezes aparece como intérprete e diretor.

Forma-se como ator em 1986, na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Em 1989, recebe o Prêmio Mambembe pela interpretação no espetáculo Em Busca do Coração Secreto, direção de Tônio Carvalho. Estreia profissionalmente como diretor em Uma Estória de Borboletas, 1991, encenação delicada de um conto de Caio Fernando Abreu, escritor que retoma em espetáculos posteriores.

Seguem-se Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera, de Glaucio Gill (1932-1965), e Assim que Se Passem Cinco Anos, de Federico García Lorca, ambos em 1992. No ano seguinte, dirige Piquenique no Front, de Fernando Arrabal (1932), As Cartas na Mesa, de Joe Orton, e O Soldadinho de Chumbo, numa parceria com o ator Ricardo Blat (1950), o primeiro de três espetáculos infantis adaptados de contos de Andersen. Em 1994, é a vez de A Nova Roupa do Imperador e, em 1995, estreia O Patinho Feio, abordado pela dupla como uma metáfora sobre a exclusão.

Em 1994, viaja para a França, onde atua em Roberto Zucco, de Bernard Marie Koltès (1948-1989), sob a direção de Jean Louis Martinelli. O contato com as obras do autor francês o entusiasma a montá-lo no Brasil: em 1996, encena, dividindo o palco com Ricardo Blat, Na Solidão nos Campos de Algodão, de Bernard-Marie Koltès. Em 1997, estréia o monólogo A Dama da Noite, adaptado do conto de Caio Fernando Abreu, encarnando a mulher que vai a um bar à procura do homem da sua fantasia. Transforma a personagem em uma figura sexualmente híbrida e dúbia, traduzindo um universo de marginalidade social. A cenografia e a iluminação englobam palco e platéia sugerindo o sombrio e adornado ambiente de uma boate. Com interpretação frontal e direcionada à plateia, o ator dirige o texto a cada espectador, sem convocá-lo à participação direta. Embora receba o Prêmio Sharp pela direção, é como ator que seu trabalho merece destaque na crítica. Macksen Luiz (1945) considera que, como diretor, Gawronski cria uma cena provocante que ultrapassa a pieguice do texto original embora não consiga resolver suas armadilhas, e que, como ator, constrói uma interpretação sólida: "Mais do que uma construção visual, a caracterização do ator corresponde a uma linha de interpretação que se avizinha do patético, mas encontra lugar para o humor e para a convivência com o público. [...] Gilberto Gawronski estabelece um convívio com os espectadores, estranho, de uma intimidade fortuita, bem à maneira do personagem. [...] valoriza criativamente um universo para além da ficção, sem cair no realismo fotográfico".1

Em 1998 encena A Vida por um Fio, de Elaine May, dentro do espetáculo Um Caso de Vida ou Morte, coletânea de três textos: A Entrevista, de David Mamet; Em Algum Lugar Dentro deste Vasto Mundo, de Woody Allen, e A Vida por um Fio, direção de Flávio Marinho, Marcus Alvisi (1954) e do próprio Gawronski. Ainda em 1998, comanda Do Outro Lado da Tarde, de Caio Fernando Abreu.

Em 1999, encarna Andy Wahrol (1928-1987) na performance que complementa uma exposição do artista plástico, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), apresentação que sofre tratamentos posteriores, intitulada de Pop by Gawronski. No mesmo ano, dirige Serviço de Quarto, criando, a partir do texto de Harold Pinter, uma paródia da comédia policial cinematográfica. Ainda em 1999, encena Deus Somos Nós, recital poético de Tavinho Teixeira. Em 2001, cria De Caso Com A Vida, de Paul Rudnick

Em 2002, convidado pela Cia dos Atores, dirige Meu Destino É Pecar, de Nelson Rodrigues (1912-1980). Na encenação, a troca de papéis entre os atores se torna uma dinâmica da linguagem. O crítico Macksen Luiz comenta: "Gilberto Gawronski não tenta camuflar os excessos formais (o folhetim tem sua base na redundância), explorando os aspectos mais óbvios para emprestar-lhes realidade e vida cênicas. A adaptação investe ainda no anacronismo e na possibilidade crítica sugerida pelo folhetim, e a partir dessas características, a montagem ganha dinâmica teatral pelo estabelecimento de contrapontos ao delirante jogo do gênero".2

Notas

1 LUIZ, Macksen. A solidão em encenação provocante. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 mar. 1997.

2 LUIZ, Macksen. Uma feliz adaptação de Nelson. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 jan. 2002.

Outras informações de Gilberto Gawronski:

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Fontes de pesquisa (7)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Gilberto Gawronski. (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: Campo de Provas - 2007. Não catalogado
  • LUIZ, Macksen. A solidão em encenação provocante. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 mar. 1997.
  • LUIZ, Macksen. Uma feliz adaptação de Nelson. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 jan. 2002.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Gaivota - 2007 Não catalogado
  • Programa dos Espetáculos - Dama da Noite e Na Solidão dos Campos de Algodão -1997. Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GILBERTO Gawronski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa350902/gilberto-gawronski>. Acesso em: 20 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7