Artigo da seção pessoas José Maria Monteiro

José Maria Monteiro

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deJosé Maria Monteiro: 15-05-1923 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Campos dos Goytacazes) | Data de morte 02-01-2010 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

José Maria Monteiro (Campos dos Goytacazes RJ 1923 - Rio de Janeiro RJ 2010). Diretor e ator. Encena os espetáculos de estréia do Teatro Duse e da Companhia Dramática Nacional. Em sua carreira opta, sempre que possível, por autores nacionais, sendo conhecido pela ênfase cômica de suas direções.

Estréia como ator protagonizando O Filho Pródigo, de Lucio Cardoso (1913 - 1968), 1947, com o Teatro Experimental do Negro, TEN, sob a direção de Tomás Santa Rosa, contracenando com Ruth de Souza e Abdias do Nascimento. Em seguida trabalha na companhia de Maria Della Costa, o Teatro Popular de Arte, TPA, sob a direção de Itália Fausta, em A Prostituta Respeitosa, de Jean-Paul Sartre, 1948. No ano seguinte, atua em O Pai, de August Strindberg, com direção de Esther Leão, no Teatro Universitário, TU

Em sua primeira experiência como diretor, encena um texto de sua autoria, Abertura de Um Testamento, com um grupo amador, Os Quixotes, fundado no Serviço Nacional de Teatro, SNT, e voltado para peças em um ato de autores nacionais, em 1951. No mesmo ano, a ausência de diretores o leva a encenar o projeto seguinte, As Desencantadas e Antes do Grande Momento, dois textos de Péricles Leal, o fundador do grupo. Se essas experiências merecem pouca atenção do público e da crítica, conferem-lhe o convite, de Paschoal Carlos Magno, para dirigir o primeiro espetáculo do Teatro Duse, João sem Terra, de Hermilo Borba Filho, 1952. Em 1953, quando é fundada a Companhia Dramática Nacional, CDN, segunda tentativa do SNT de criar um conjunto oficial e subvencionado, José Maria Monteiro dirige o espetáculo de estréia com a primeira encenação de A Falecida, de Nelson Rodrigues. Pelo trabalho recebe o Prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT. No texto do programa, Monteiro explica a linha adotada: "Procurei, na direção, seguir o processo mais simples. Dei aos personagens de farsa a linha de farsa. Aos tipos reais, que na linguagem dramática do autor se chamariam 'quotidianos', a linha realista. Zulmira, ora uma figura real, ora um personagem-lenda, doente na realidade, mas fascinada pela idéia de morte, se dilui no meio de toda essa gente que nunca a compreendeu, inclusive o marido: é uma personagem de múltiplos aspectos, de acordo com cada situação do seu drama. O ritmo da peça com seus 3 atos violentos lembra o de uma sinfonia em seus 3 tempos: o clássico alegro, um andante ou adágio e o movimento final - presto".1

Funda o Teatro dos Novos, em 1953, produzindo e dirigindo uma peça de um ato, inédita, de Machado de Assis (1839 - 1908), Antes da Missa. Mais tarde é convidado a remontá-la com o elenco da nova companhia oficial do SNT. Em 1954, dirige para a CDN, As Casadas Solteiras, de Martins Pena, sendo premiado como melhor diretor pela Prefeitura. Na ópera, dirige, entre outras, O Guarani, de Carlos Gomes, 1955, no Teatro Municipal.

Ainda na década de 50, dirige A Mulher do Diabo, de Pierre Aristide Breal, 1954, e Os Brasileiros em Nova York, de Pedro Bloch, 1959, com Os Artistas Unidos; Valsa de Aniversário, de Jerome Chodorov e Joseph Fields, 1957, com a companhia de Eva Todor; Um Francês em Nossas Vidas, de Noel Coward, com a companhia de Aurimar Rocha, e A Vida Não É Nossa, de Accioly Neto, com a companhia de Nicette Bruno e Paulo Goulart, ambos em 1957. Para o Teatro Nacional de Comédia, TNC, dirige um programa de duas peças, Antes da Missa, de Machado de Assis, e A Jóia, de Artur Azevedo, em 1958, e A Beata Maria do Egito, de Rachel de Queiroz, em 1959, com Glauce Rocha no papel-título. Em ambos os trabalhos, recebe críticas demolidoras, que o acusam de fazer uma direção superficial e descuidada.

Nos anos 60, atua em O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, com direção de José Renato, pelo TNC, 1963; e em Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, dirigido por Ziembinski.

Além de ator e diretor, José Maria Monteiro escreve peças em um ato, como Prima Dona, O Discípulo, Abertura de Um Testamento, Casal Burguês, Juventude Coca-Cola, As Medalhas de Herói, Carnaval dos Bichos - peça infantil, e Duas Ostras no Paraíso.

Notas

1. MONTEIRO, Maria. Direção de 'A Falecida'. (programa do espetáculo). Rio de Janeiro, 1953.

Outras informações de José Maria Monteiro:

  • Outros nomes
    • Jose Maria Monteiro
  • Habilidades
    • diretor de teatro
    • Ator

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Fontes de pesquisa (4)

  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • MICHALSKI, Yan; TROTTA, Rosyane. Teatro e estado: as companhias oficiais de teatro no Brasil: história e polêmica. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, 1992. 235 p. (Teatro, 21)
  • MONTEIRO, José Maria. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • NUNES, Mário. José Maria Monteiro, dez anos de bons serviços. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 dez. 1957.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOSÉ Maria Monteiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349654/jose-maria-monteiro>. Acesso em: 22 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7