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Alberto D'Aversa

Outros Nomes: Alberto D'Aversa
  • Análise
  • Biografia

    Alberto D'Aversa (Casarano, Itália, 1920 - São Paulo, SP, 1969). Diretor italiano que atua principalmente no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) distinguindo-se também na atividade didática em diversas escolas de teatro e reconhecido pela crítica jornalística de espetáculos.

    Em 1941, durante a Segunda Guerra, Alberto D'Aversa entra para a Regia Accademia di Arti Drammatica di Roma, ocasião em que é convocado pelo exército, trabalhando como cinegrafista. Ao voltar, integra-se à Resistência e prossegue sua formação em direção teatral, iniciando carreira no cinema e no teatro logo após o término do conflito armado. Já destacado profissional, forma-se em filosofia e excursiona pela América do Sul, em 1947, com a companhia Diana Torrieri (1913-2007).

    Volta à Itália, mas acaba por radicar-se, a partir de 1950, na Argentina, inicialmente para fazer cinema, com a companhia de Armando Bó (1914-1981). Nos anos seguintes segue carreira como encenador teatral e professor, criando alguns espetáculos notáveis, como Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni (1707-1793); Os Caprichos de Mariana, de Musset (1810-1857); Antígone, de Jean Anouilh (1910-1987), e Ana Christie, de Eugene O'Neill (1888-1953). Em 1953 alcança grande sucesso com Mãe Coragem, de Bertolt Brecht (1898-1956), com o Teatro Popular Judeu IFT, que dirige por quatro anos. Sucessivamente, funda o Instituto de Arte Moderna, dirige o Teatro Nacional de Comédia, o Teatro Lírico, no Colón, e em 1953 é nomeado professor de estética na Universidade de La Plata.

    Encontrando resistências pelo peronismo ao seu trabalho na Argentina, D'Aversa aceita de bom grado o convite que lhe é feito por Alfredo Mesquita (1907-1986), em 1957, para vir ao Brasil dar aulas na Escola de Arte Dramática (EAD). Essa aproximação o leva a dirigir, para o TBC - em razão da partida de Maurice Vaneau (1926-2007) - no mesmo ano, seu primeiro espetáculo: Rua São Luís, 27 - 8º Andar, de Abílio Pereira de Almeida (1906-1977), grande sucesso do repertório tebeceano.

    Seguem-se Os Interesses Criados (1957), de Jacinto Benavente (1866-1954); e Vestir os Nus, de Luigi Pirandello (1867-1936), e Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso, de Guilherme Figueiredo (1915-1997), ambos em 1958. No mesmo ano, Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller (1915-2005), é apontado como uma das mais vibrantes criações do TBC e, seguramente, a mais sólida criação de D'Aversa entre nós. Ainda em 1958, coloca em cena a primeira criação de Jorge Andrade (1922-1984) produzida no TBC: Pedreira das Almas.

    Suas montagens seguintes são: Senhorita Júlia, de August Strindberg (1849-1912); Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov (1921-2004); Patate, de Félicien Marceau (1913-2012), e Quando Se Morre de Amor, de Giuseppe Patroni Griffi (1921-2005), sua última criação na casa, todos em 1959. 

    Para Ruth Escobar (1936) encena Mãe Coragem, destacando Lélia Abramo (1911-2004) no papel-título, em 1960, e Os Males da Juventude, de Ferdinand Bruckner (1891-1958), no ano seguinte. Gog e Magog, de McDougall, em 1964, com Sergio Cardoso (1925-1973), reafirma sua capacidade de prender a platéia. Nesse mesmo ano, uma nova peça italiana o ocupa, Esses Fantasmas, de Eduardo De Filippo (1900-1984), com Otello Zeloni (1921-1973) e Beatriz Segall (1933) à frente do elenco.

    Inicia sua contribuição como crítico do jornal Diário de S. Paulo, onde mantém uma conceituada coluna diária, em 1965 e encena Espectros, de Henrik Ibsen (1828-1906), que é montado por uma companhia da qual é um dos associados, percorrendo o Brasil. O Relatório Kinsey, sátira por ele escrita e dirigida sobre o célebre relatório sexual norte-americano, estréia na boate Ela, Cravo e Canela. Para Maria Della Costa (1926), cria Maria Entre os Leões, de Aldo De Benedetti (1892-1970) veículo que confirma o brilho da atriz; assim como A Próxima Vítima, de Marcos Rey (1925-1999), ambas em 1967.

    Para um grupo amador encena Noite de Guerra no Museu do Prado, de Rafael Alberti (1902-1999), em 1968, mesmo ano em que co-assina com Antônio Abujamra (1932) a direção de As Criadas, de Jean Genet (1910-1989), com homens vivendo os papéis centrais. Para a Escola de Arte Dramática (EAD), e para a Escola de Teatro da Bahia, onde também ministra aulas, envolve-se em diversas encenações. Deixa um livro de estudos, intitulado Notas Críticas. Entre seus filmes realizados no Brasil, destaca-se Seara Vermelha, em 1963.

    Apreciando sua trajetória, comenta o estudioso e pesquisador Antônio Mercado:

    "[...] A verdade é que jamais D'Aversa deixou de ser um crítico, mesmo quando dirigia. Não possuía a vitalidade cênica de um Celi, nem a sua 'mão' para o sucesso junto ao público, embora fosse como este, um extraordinário professor de atores (e, por outro lado, muito mais profundo na análise do texto e da estrutura dramática). Sua excelente análise de personagens aproximava-se do refinamento e da sutileza de [Luciano] Salce; mas enquanto Salce visava à interiorização através da penetração nos aspectos psicológicos indicados no texto, D'Aversa procurava extrair esta vivência interior partindo da meticulosa análise das palavras e de sua carga poética. [...] Com isso, conseguiu revelar e confirmar inúmeros talentos; e muitos foram os atores que a crítica premiou pelos espetáculos dirigidos por D'Aversa".1

    Notas

    1. MERCADO NETO, Antônio. CrÍtica teatral de Alberto D'Aversa no Diário de São Paulo. 1979. 2 v. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1980. p. 42.

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Fontes de Pesquisa

GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1984. 233 p.

GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.

MERCADO NETO, Antônio. CrÍtica teatral de Alberto D'Aversa no Diário de São Paulo. 1979. 2 v. Dissertação (Mestrado)-Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1980. Mimeografado.

PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 149 p. (Debates, 211).

Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço

Programa do Espetáculo - A Próxima Vítima - 1967

Programa do Espetáculo - Diário de Um Louco - 1964.

Programa do Espetáculo -Investigação da Classe Dominante - 1981

SILVA, Armando Sérgio da. Uma oficina de atores: a EAD de Alfredo Mesquita. São Paulo: Edusp, 1989. 284 p.