Artigo da seção pessoas Ruthinéa de Moraes

Ruthinéa de Moraes

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Teatro  
Data de nascimento deRuthinéa de Moraes: 1936 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 27-07-1998 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Ruthinéa de Moraes da Silva (Rio de Janeiro RJ 1936 - São Paulo SP 1998). Atriz. Intérprete de forte temperamento dramático, presente sobretudo em peças que apresentam tipos brasileiros bem marcados, papéis que ela representa com desenvoltura.

Já graduada em letras, forma-se como atriz e diretora pela Escola de Arte Dramática (EAD), faz sua estréia profissional em 1958, no espetáculo duplo A Lição e A Cantora Careca, ambas de Eugéne Ionesco, dirigido por Luís de Lima (1925-2002), produção do Teatro Maria Della Costa (TMDC). A seguir, faz com Sergio Cardoso (1925-1973)  Nu com Violino, de Noel Coward, na Companhia Nydia Licia - Sergio Cardoso. De volta ao TMDC, em 1959, faz Gimba de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), com direção de Flávio Rangel (1934-1988). Embarca com a companhia para Portugal, atuando nas peças de repertório do conjunto: Society em Baby Doll, de Henrique Pongetti (1898-1979), com direção de Milton Moraes (1930-1993); Moral em Concordata, de Abílio Pereira de Almeida (1906-1977) e A Alma Boa de Set-Suan, de Bertolt Brecht (1898-1956), as duas últimas dirigidas por Flaminio Bollini (1924-1978).

De volta a São Paulo, participa do Teatro de Arena, em 1960, atuando em Revolução na América do Sul, de Augusto Boal (1931-2009), sob a direção de José Renato (1926-2011). No mesmo ano, sobe ao palco em Morte e Vida Sevrina, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), dirigido por Walmor Chagas (1930-2013) para o Núcleo Experimental do Teatro Cacilda Becker (TCB). Ainda em 1960, contratada pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), integra as montagens da casa, iniciando em A Semente, novo texto de Gianfrancesco Guarnieri e, em 1961, A Escada, de Jorge Andrade (1922-1984), e Almas Mortas, de Nikolai Gogol (1809-1852); e no ano seguinte, A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller (1915-2005), direções de Flávio Rangel em seu período como diretor artístico do TBC. No ano seguinte, está na bem-sucedida montagem de Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade, conduzida por Maurice Vaneau (1926-2007), em 1963.

Com a companhia de Ruth Escobar (1936) participa das encenações de Soraia Posto 2, de Pedro Bloch (1914-2004), em 1965 - que lhe vale os prêmios Governador do Estado de São Paulo e Associação Paulista de Críticos Teatrais, APCT, de melhor atriz -, e Os Trinta Milhões do Americano, de Eugene Labiche, em 1966, ambas direções de Jô Soares (1938). Paralelamente, está no elenco do Teatro Popular do Sesi (TPS), em A Sapateira Prodigiosa, de Federico García Lorca (1898-1936), em 1965 e, no ano seguinte, em O Avarento, de Molière (1622-1636), ambas com direção de Osmar Rodrigues Cruz (1924-2007).

Em 1967 Ruthinéa faz o papel de Neuza Sueli, a protagonista de Navalha na Carne, texto de Plínio Marcos (1935-1999) que atrai todas as atenções. Notabilizando-se nesse desempenho cheio de fúria e densidade dramática, recebe o Prêmio Molière de melhor atriz. No mesmo ano, novamente de Plínio Marcos, está em Homens de Papel, direção de Jairo Arco e Flexa, ao lado de Maria Della Costa (1926). Em 1968, integra o elenco de Cordélia Brasil, de Antônio Bivar (1939), direção de Emílio Di Biasi (1939).

Volta ao TPS em Memórias de um Sargento de Milícias, de Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), 1970; Senhora, de José de Alencar (1829-1877), em 1971 e Um Grito de Liberdade, de Sérgio Viotti (1927-2009) - em que é premiada com o Governador do Estado de São Paulo de melhor atriz -, em 1972, todas dirigidas por Osmar Rodrigues Cruz.

Um novo destaque ocorre no ano de 1973, ao lado de Yolanda Cardoso (1923-2007), em A Dama de Copas e o Rei de Cuba, original de Timochenco Wehbi (1943-1986) dirigido por Odavlas Petti. 

A partir de então sua carreira torna-se irregular, integrando produções de melhor qualidade em As Avestruzes, de Micheline Bourday, direção de Irene Ravache (1944), em 1979 e Vejo Um Vulto na Janela, Me Acudam Que Sou Donzela, de Leilah Assumpção (1943), no mesmo ano.

Campeões do Mundo, de Dias Gomes (1922-1999), e direção de Antônio Mercado, conta com sua presença em 1980; assim como a encenação de Aderbal Freire-Filho (1941) para Moço em Estado de Sítio, de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), em 1982. Sua carreira registra ainda ativas participações em cinema, TV e rádio.

A excelente performance de Ruthinéa foi flagrada pelo crítico Décio de Almeida Prado (1917-2000): "A interpretação de Navalha na Carne também possui maior profundidade do que parece. À primeira vista percebemos apenas a perfeitíssima adequação dos atores aos seus papéis [...]. Adequação física, no modo de andar, gesticular, adequação vocal, adequação psicológica. Tudo parece espontâneo, instintivo. Somente mais tarde começamos a perceber que a suposta naturalidade é produto de uma cuidadosa elaboração [...] os três modulam com grande virtuosismo todas as nuanças que vão do naturalismo até o expressionismo".1

Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. 'Navalha na Carne'. In: ______. Exercício findo. São Paulo: Perspectiva, 1987. p. 216.

Outras informações de Ruthinéa de Moraes:

  • Outros nomes
    • Ruthinéa de Moraes da Silva
    • Ruthinéia de Moraes
    • Rutinéa de Moraes
    • Rutinéia de Moraes
  • Habilidades
    • Ator
    • Produtor

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Fontes de pesquisa (10)

  • TEIXEIRA, Isabel (Coord.). Arena conta arena 50 anos. Texto Vadim Nikitin, Isabel Teixeira; pesquisa Anna Setton, Felipe Gonçalves Schermann, Isabel Teixeira, Newton Moreno. São Paulo: Cia. Livre da Cooperativa Paulista de Teatro, [2004]. CDR792A681
  • ALBUQUERQUE, Johana. Ruthinéa (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • CRONOLOGIA das artes em São Paulo 1975-1995: artes cênicas - teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. v. 3.
  • FRASER, Etty. Etty Fraser. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Não Catalogado
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Boca Molhada de Paixão Calada - 1984. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Feira do Adultério - 1976 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Navalha na Carne - 1967 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Duelo - 1975 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Quem Tem Medo de Virginia Woolf? - 1965 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • RUTHINÉA de Moraes. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349585/ruthinea-de-moraes>. Acesso em: 15 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7