Artigo da seção pessoas Itália Fausta

Itália Fausta

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Teatro  
Data de nascimento deItália Fausta: 1879 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 31-05-1951 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Estrada do Tabaco , 1948
Registro fotográfico autoria desconhecida

Biografia

Fausta Polloni (São Paulo SP 1879 - Rio de Janeiro RJ 1951). Atriz. Grande intérprete ligada às antigas tradições de um teatro colonizado pelos portugueses, está presente em importantes realizações que marcam as reformas modernizadoras introduzidas nas décadas de 40 e 50 no Brasil.

Estréia, ainda criança, em espetáculo amador, substituindo de improviso uma atriz. Continua fazendo esporadicamente teatro amador em São Paulo, até ser convidada, em 1906, a ingressar na prestigiosa companhia dos portugueses Lucinda Simões e Cristiano de Souza, com a qual, já como primeira dama-galã, excursiona pelo Brasil durante um ano. Em 1913 passa a atuar, com grande êxito, em Lisboa, contracenando com grandes figuras da cena portuguesa, como Eduardo Brazão e Augusto Rosa.

De volta para o Brasil, participa de um empreendimento ousado, liderado por Alexandre Azevedo e Cristiano de Souza: o Teatro da Natureza, um vasto anfiteatro ao ar livre instalado no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, capaz de comportar mais de 13.000 espectadores. Protagonista da companhia, Itália Fausta consagra-se no seu repertório, constituído de Orestes (presumivelmente uma adaptação de Orestia), de Ésquilo, Bodas de Lia, de Pedroso Rodrigues, A Cavalaria Rusticana, de Giovanni Verga, Antígone e O Rei Édipo, de Sófocles, e O Mártir do Calvário, de Eduardo Garrido, todas em 1916.

Em 1917, convidada por Gomes Cardim, diretor do Conservatório Dramático de São Paulo, protagoniza a produção de estréia, A Labareda, de Henry Kistemaeckers e, a seguir, A Ré Misteriosa, de Alexandre Bisson, que passa a ser o seu cavalo de batalha, por muitos anos, junto com O Crime da 5.ª Avenida.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro, com o mesmo repertório, e mais Fedora, de Victorien Sardou; A Caipirinha, de Cesário de Mota; Magda, de Sudermann; A Castelã, de Capus; A Marcha Nupcial e A Virgem Louca, de Bataille; Perdão que Mata, de Oscar Guanabarino - espetáculos sem registros que permitam identificar suas datas de apresentação - a empresa passa a chamar-se, sucessivamente, Companhia Dramática Nacional, Companhia Dramática Itália Fausta e Companhia Itália Fausta, sobrevivendo durante quase duas décadas. Para o seu repertório escrevem especialmente, entre outros, Menotti del Picchia (Suprema Conquista) e Veiga Miranda (A Prancha), e entram peças como A Gioconda, de Gabriele D'Annunzio; Alma Forte, de Dario Niccodemi; O Grande Industrial, de Georges Ohnet, entre outras. Paralelamente, no fim dos anos 20, a atriz colabora nos bastidores com Álvaro e Eugênia Moreyra, na escolha de repertório e trabalho de criação do Teatro de Brinquedo, uma iniciativa inovadora na época.

Com o falecimento de Gomes Cardim, em 1932, a carreira da atriz torna-se mais bissexta, sobretudo à frente da sua companhia; ela passa a trabalhar mais como atriz convidada em outras companhias, inclusive na de Jaime Costa. Em 1938, aceita o convite de Paschoal Carlos Magno para dirigir o espetáculo de lançamento do Teatro do Estudante do Brasil, TEB, Romeu e Julieta, de William Shakespeare, onde tem a oportunidade, como nunca antes tivera na mesma medida, de transformar em prática a sua vasta cultura teatral e os seus conhecimentos do teatro moderno. Embora a sua colaboração com o TEB se limite a Romeu e Julieta - ela chega a iniciar também, mas sem concluí-la, a direção de Romanescos, de Rostand -, a sua presença é decisiva para marcar os rumos de um movimento que resultaria seminal para a modernização da mentalidade teatral.

Outro movimento inovador que ela prestigia com a sua presença no elenco é o Teatro Popular de Arte, TPA, organizado pelo seu sobrinho Sandro Polloni. Na marcante temporada realizada pelo TPA em 1948/1949, no Teatro Fênix do Rio de Janeiro, ela atua, sob a direção de Ruggero Jacobbi, em Estrada do Tabaco, de Erskine Caldwell, e em Teresa Raquin, adaptação do romance de Zola, em que comemora o seu jubileu; e sob a direção Ziembinski em Anjo Negro, de Nelson Rodrigues. Nesse período atua, também, na direção de muitas realizações dessa companhia, tais como Sonata a Quatro Mãos, de Guido Cantini; A Prostituta Respeitosa, de Jean-Paul Sartre, e O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, entre outras.

O crítico Yan Michalski assim avalia a dimensão de seu trabalho: "Para a maioria dos comentaristas da época, Itália Fausta foi a grande dama do teatro brasileiro da sua época, e um dos mais generosos temperamentos trágicos que o nosso teatro já teve, capaz de interpretar com êxito alguns dos grandes papéis que consagraram Eleonora Duse e Sarah Bernhardt. O marasmo em que o teatro brasileiro se encontrava durante o auge de sua carreira, o predomínio de um repertório medíocre, do qual só poucas vezes ela conseguiu fugir, e a virtual ausência de diretores dispostos a abrir caminhos rumo à modernidade cênica impediram-na de concretizar plenamente as potencialidades de excepcional trajetória de intérprete a que a sua privilegiada inteligência, sensibilidade, cultura e abertura para o novo a teriam predestinado numa época mais recente. Mas o seu prestígio de atriz conferiu-lhe uma ascendência sobre seus colegas mais jovens e sobre a opinião pública, de que ela se serviu sistematicamente, através de lúcidos depoimentos públicos, entrevistas, etc., preconizando a necessidade da criação de um teatro diferente daquele que o panorama em que viveu a condicionou, na maioria das vezes, a fazer".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Itália Fausta. In:_________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Outras informações de Itália Fausta:

  • Outros nomes
    • Fausta Polônio
  • Habilidades
    • diretor de teatro
    • ator

Representação (2)

Espetáculos (51)

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Fontes de pesquisa (5)

  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • MAGALDI, Sábato; VARGAS, Maria Thereza. Cem anos de teatro paulista. São Paulo: Senac, 2000.
  • MICHALSKI, Yan. Itália Fausta. In:_________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
  • SILVA, Tânia Brandão da. Peripécias modernas: companhia Maria Della Costa. 1998. 204 p. Tese (Doutorado em História da Arte) - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ITÁLIA Fausta. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349575/italia-fausta>. Acesso em: 24 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7