Artigo da seção pessoas Sergio Cardoso

Sergio Cardoso

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deSergio Cardoso: 23-03-1925 Local de nascimento: (Brasil / Pará / Belém) | Data de morte 18-08-1973 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Sergio Cardoso (O Pai) em cena de Seis Personagens à Procura de Um Autor , 1951 , Fredi Kleemann
Registro fotográfico Fredi Kleemann

Biografia
Sérgio da Fonseca Mattos Cardoso (Belém PA 1925 - Rio de Janeiro RJ 1973). Ator, diretor e cenógrafo. Homem de teatro identificado com a renovação teatral brasileira na década de 1950, enérgico e vitalista em suas criações. Trabalha no Teatro dos Doze, Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), Companhia Dramática Nacional (CDN) e em funda a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, responsável por uma produção

Já nas montagens escolares em colégios jesuítas, destaca-se fazendo imitações e cenas que entretinham a família. Aceita um convite para desempenhar Teobaldo, na montagem de Romeu e Julieta do Teatro Universitário (TU), conduzida por Esther Leão, em 1945. Forma-se em direito pela PUC/Rio em 1947.

Prepara-se para a carreira diplomática, ao vencer um concurso para desempenhar o protagonista de Hamlet, aos 22 anos, cuja estréia em janeiro de 1948 marca sua definitiva entrada para o teatro, pelas mãos de Paschoal Carlos Magno. Com outros colegas oriundos do amadorismo universitário funda, a seguir, o Teatro dos Doze, onde distingue-se em Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni; Tragédia em New York, de Maxwell Anderson, e Simbita e o Dragão, infantil, de Lúcia Benedetti, encenações de 1949 conduzidas por Ruggero Jacobbi.

No mesmo ano, seguindo Jacobbi em sua entrada para o TBC, protagoniza O Mentiroso, também de Carlo Goldoni, outro significativo marco em sua carreira. Em 1950, interpreta Jean-Paul Sartre, Adolfo Celi.

No TBC integra algumas das grandes realizações da companhia, tais como Os Filhos de Eduardo; A Ronda dos Malandros, de John Gay; A Importância de Ser Prudente, de Oscar Wilde, em que é dirigido por Luciano Salce; e, com o mesmo diretor, atua em Anjo de Pedra, de Tennessee Williams, na qual divide todas as atenções com Cacilda Becker, criações também de 1950.

Faz a cenografia de O Inventor do Cavalo, de Achille Campanile, com direção de Luciano Salce, considerada inovadora para a época.

Novos sucessos o aguardam em Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Luigi Pirandello, em 1951; assim como no duplo papel criado para Convite ao Baile, de Jean Anouilh; Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring e, sobretudo, Ralé, de Máximo Gorki, vigorosa encenação de Flaminio Bollini.

Diálogo de Surdos, peça que Clô Prado escreve especialmente para ele, data de 1952, mesmo ano em que é escalado para a comédia Inimigos Íntimos, de Pierre Barillet e J. P. Grédy, e como o mensageiro de Antígone, com as peças de Sófocles e Jean Anouilh. Casado com a atriz Nydia Licia desde 1950 e sentindo-se desprestigiado na companhia paulista, o casal aceita encabeçar o elenco carioca da recém-criada CDN.

Nesse conjunto, participa de A Falecida, de Nelson Rodrigues, com direção de José Maria Monteiro, em 1953, e A Raposa e as Uvas, de Guilherme Figueiredo, sendo dirigido por Bibi Ferreira. Em 1953, encena Canção Dentro do Pão, de Raimundo Magalhães Júnior, arrebatando os prêmios Saci e Governador do Estado de São Paulo de melhor ator, despedindo-se da companhia.

Em 1954, ao lado de sua mulher, cria a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, com um repertório nacional: Lampião, de Rachel de Queiroz e Sinhá Moça Chorou, de Ernani Fornari. Para reformar o antigo Cine Espéria, futura sede da companhia, aceita ir para a televisão e participar de montagens avulsas, como A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas, novamente sob o comando de Bibi Ferreira, em 1955. Finalmente, em 1956, é inaugurado o Teatro Bela Vista, com nova e reformulada versão de Hamlet, de William Shakespeare, encenação do próprio Sergio, elogiada pela crítica, em que é o protagonista, interpretação premiada com o Governador do Estado de São Paulo.

À frente do empreendimento, desdobra-se como ator, diretor e cenógrafo. Algumas grandes criações surgem então, como Henrique IV, de Luigi Pirandello, em 1957, em que é novamente premiado com o Saci de melhor ator, e Vestido de Noiva, encenação inteiramente distinta daquela de Os Comediantes. A necessidade de expandir o empreendimento leva o casal a longas excursões pelo país. Em 1960, o casal separa-se, a companhia se desfaz, e Sergio passa a aceitar trabalhos fora, como Calígula, em 1961, para a Escola de Teatro da Bahia, com direção de Martim Gonçalves.

Com Cacilda Becker faz A Visita da Velha Senhora, de Dürrenmatt, direção de Walmor Chagas, em 1962; Gog e Magog, de Roger MacDougall e Ted Allan, sob a direção de Alberto D'Aversa em 1964, e sua última aparição nos palcos: O Resto é Silêncio..., em que se autodirige em monólogos de Shakespeare.

Na TV Tupi protagoniza algumas novelas, alcançando reconhecimento nacional, como O Sorriso de Helena, O Cara Suja e, sobretudo, o dr. Valcourt de O Preço de uma Vida. Como o português Antônio Maria atinge o exterior, ganhando a Ordem do Infante D. Henrique do governo português.

Na TV Globo participa de O Santo Mestiço, A Cabana do Pai Tomás, A Próxima Atração, Assim na Terra como no Céu, Pigmalião 70 e Meu Primeiro Amor, trabalho interrompido pela morte súbita. No cinema, sua maior criação foi em Os Herdeiros, de Cacá Diegues, ao lado de Odette Lara, em 1970.

Sua encenação de Vestido de Noiva recebeu incontáveis elogios, como o do crítico Martins Júnior: "Assistindo à reprise de Vestido de Noiva pela Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, o que mais nos impressiona, por derrisão que provocar nossas palavras, é a encenação, é a moldura admirável que Sergio Cardoso deu à obra, a qual - e casos como este são raríssimos - é valorizada no palco, coisa que há muito não testemunhávamos em nosso teatro. Tirando magnífico partido da sonoplastia, da iluminação, projetando o palco além das quatro paredes que o delimitam e com um expediente simples, mas de notável efeito cênico - referimo-nos à faixa central iluminada - Sergio Cardoso e seus colaboradores conseguiram realmente criar o 'clima' sugerido pelo original e fazer mais do que o próprio Nelson Rodrigues seria lícito esperar".1

Notas
1. MARTINS JUNIOR. Catálogo da exposição dedicada ao ator na abertura do Teatro Sérgio Cardoso. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo / Secretaria de Estado da Cultura: Fundação Padre Anchieta, 1980.

Outras informações de Sergio Cardoso:

  • Outros nomes
    • Sérgio da Fonseca Mattos Cardoso
    • Sérgio Cardoso
  • Habilidades
    • figurinista
    • ator
    • diretor de teatro
    • cenógrafo

Representação (3)

Espetáculos (100)

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Fontes de pesquisa (7)

  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. 233 p.
  • JUNIOR, Martins. Catálogo da exposição dedicada ao ator na abertura do Teatro Sérgio Cardoso. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo / Secretaria de Estado da Cultura; Fundação Padre Anchieta, 1980.
  • MICHALSKI, Yan; TROTTA, Rosyane. Teatro e estado: as companhias oficiais de teatro no Brasil: história e polêmica. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, 1992. 235 p. (Teatro, 21)
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Calígula - 1962 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SERGIO Cardoso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349511/sergio-cardoso>. Acesso em: 24 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7