Artigo da seção pessoas Luís Antônio Martinez Corrêa

Luís Antônio Martinez Corrêa

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deLuís Antônio Martinez Corrêa: 24-06-1950 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Araraquara) | Data de morte 23-12-1987 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Luis Antonio Martinez Correa , 1976 , Ruth Toledo
Registro fotográfico Ruth Toledo

Biografia
Luís Antônio Martinez Corrêa (Araraquara SP 1950 - Rio de Janeiro RJ 1987). Diretor. Encenador ligado à releitura de textos dramatúrgicos de autores críticos da sociedade burguesa. Alia a perspectiva épica ao teatro de variedades, em que a música é um dos instrumentos fundamentais da linguagem cênica.

Em sua cidade natal, trabalha como ator, diretor, cenógrafo e tradutor no teatro amador. Em 1970, muda-se para São Paulo, onde estreia profissionalmente, em 1972, como ator e assistente de direção em Gracias, Señor, criação coletiva, e As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, ambos no Teatro Oficina, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa. Em seguida funda o Grupo Pão e Circo, onde realiza sua primeira direção, O Casamento do Pequeno Burguês, de Bertolt Brecht, 1972. A encenação, que lhe vale o Prêmio Revelação da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), traduz o conflito social mostrado pelo autor em um pastelão à brasileira e merece o repúdio de parte da crítica especializada, que a considera uma perversão da obra original. O espetáculo participa do Festival de Nancy, França, e vai a Alemanha, Suíça e Itália. Em 1975, já transferidos para o Rio de Janeiro, Luís Antônio e o grupo voltam à cena com Titus Andronicus, de William Shakespeare, para tratar da violência que emerge do jogo do poder. A encenação, que, como no espetáculo anterior, carrega na teatralidade, traz referências à experiência imediata do público: já na entrada do teatro um enorme painel formado de recortes de jornais de notícias policiais do Rio de Janeiro e de São Paulo informa o público que a violência não está restrita à ficção do texto. Segue-se, ainda em 1975, Simbad, o Marujo, primeira criação coletiva do grupo, em que Luís vai ao encontro da linguagem do teatro de revista.

Com a dissolução do grupo, Luís Antônio parte para o trabalho individual e, em 1978, dirige Ópera do Malandro, de Chico Buarque, com Marieta Severo, Elba Ramalho, Ary Fontoura, Maria Alice Vergueiro, Otávio Augusto, entre outros, em que se empreende uma profunda pesquisa teórica coordenada pelo historiador Manuel Maurício. No espetáculo seguinte o diretor se lança em um longo e laborioso processo de criação que dá origem a O Percevejo, de Vladímir Maiakóvski. Com roteiro escrito a doze mãos - entre elas, Guel e Maurício Arraes - músicas de Caetano Veloso e cenários de Helio Eichbauer, o espetáculo investe na integração entre linguagens - teatro, cinema e dança - e é premiado com o Troféu Mambembe de melhor diretor de 1981. O Percevejo participa dos festivais internacionais de Lyon e de Caen, sendo apresentado também em Paris. Em 1982, dirige Leonce e Lena, de Georg Büchner, e, em 1984, O Califa da Rua do Sabão, vaudeville de Artur Azevedo, que é apresentado em locais históricos do Rio de Janeiro. Inicia-se, com esse espetáculo uma nova linha de trabalho do diretor, que se volta para o teatro de revista do século XIX. Com a atriz Annabel Albernaz e o pianista Marshall Netherland, pesquisa arquivos de músicas, descobrindo letras e partituras. Dessa pesquisa nasce uma série de espetáculos: Theatro Musical Brazileiro - Parte I (1860/1914) - que lhe rende o Troféu Mambembe de melhor diretor - 1985; Ataca, Felipe!, de Artur Azevedo, 1986, e Theatro Musical Brazileiro - ParteII (1914/1945), premiado novamente com o Mambembe e, agora também, com o Molière, 1987. Também na linha dos musicais, o diretor encena Mahagonny, texto de Bertolt Brecht e músicas de Kurt Weill, 1986. Na maioria desses espetáculos, tem como parceiros constantes a atriz Vera Holtz e o diretor musical Luiz Antônio Barcos, que naquele período trabalha em muitas produções musicais cariocas.  

De 1983 a 1986, Luís Antônio leciona na CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, e na Universidade do Rio de Janeiro, Uni-Rio, escolas de teatro onde realiza experiências cênicas que seriam inviáveis como produções comerciais - entre elas, Rádio Outubro, agit-prop de Vladímir Maiakóvski; Taniko, o Rito do Vale, de Zenchiku (teatro Nô); As Metamorfoses, de Ovídio; e a trilogia de Alfred Jarry - Ubu Rei, Ubu Acorrentado e Ubu Chifrudo.

Luís Antônio, ao morrer assassinado em dezembro de 1987, encontrava-se em plena ascensão como diretor de teatro musicado. Sabia montar equipes aguçadas e duradouras de colaboradores artísticos e tinha a capacidade de adaptar e reler Bertolt Brecht, William Shakespeare, Alfred Jarry, Vladímir Maiakóvski e outros, com uma peculiaridade crítica e musical que o tornava um diretor com uma marca registrada muito própria, fazendo com que conquistasse um espaço dentro da classe artística independente do brilho de seu irmão mais velho, o "cabeça de geração" José Celso Martinez Corrêa, líder do Teatro Oficina.

Outras informações de Luís Antônio Martinez Corrêa:

  • Outros nomes
    • Luis Antônio Martinez Corrêa
    • Luís Antônio Martinez Correa
    • Luiz Antonio Martinez Corrêa
    • Luiz Antônio Martinez Corrêa
  • Habilidades
    • Cenógrafo
    • diretor de teatro
    • Tradutor

Representação (1)

Espetáculos (55)

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Fontes de pesquisa (6)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Luis Antônio Martinez Corrêa. In: ______. Enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. São Paulo, 2000. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação Vitae.
  • CORRÊA, Luís Antônio Martinez. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos: Titus Andronicus - 1975; O Percevejo (Klop) - 1981; Desgraças de Uma Criança - 1983; Pequeno Mahagony - 1986. Não catalogado
  • PÃO & Circo. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Grupos e Companhias Artes Cênicas.
  • TEATRO do Ornitorrinco. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009. 792.0981 To253
  • THAÏS, Maria. Depoimento sobre Luis Antônio Martinez Corrêa concedido a Johana Albuquerque. São Paulo, 27. out. 2001.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUÍS Antônio Martinez Corrêa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349395/luis-antonio-martinez-correa>. Acesso em: 18 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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