Artigo da seção pessoas Carlos Zéfiro

Carlos Zéfiro

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / música  
Data de nascimento deCarlos Zéfiro: 26-09-1921 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 05-07-1992 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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[O Médico da Roça, p. 4] , s.d. , Carlos Zéfiro

Biografia

Alcides de Aguiar Caminha (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1921 - Idem 1992). Desenhista, compositor. É funcionário público da Divisão de Imigração do Ministério do Trabalho e conhecido autor dos sambas A Flor e o Espinho, Capital do Samba e Notícia, que compõe na década de 1950 em parceria com Nelson Cavaquinho (1910-1986). No entanto, em novembro de 1991, um artigo publicado na revista Playboy, assinado por Juca Kfouri (1950), revela que Caminha é também o famoso Carlos Zéfiro, pseudônimo adotado para assinar as revistinhas pornográficas, conhecidas em São Paulo como catecismos, publicadas entre as décadas de 1950 e 1970. Muito populares, desenhadas a pincel, bico-de-pena e impressas em branco-e-preto, mudando o traço constantemente. Carlos Zéfiro faz cópias de fotonovelas, pinturas e esculturas, e, em alguns casos, imita os traços de artistas conhecidos. Com títulos curtos, geralmente nomes de mulheres, e histórias bem conduzidas com começo, meio e fim, produzidas em um período de pouca liberdade sexual, essas revistinhas influenciam toda uma geração de jovens brasileiros. No formato adequado para caber no bolso e com no máximo 32 páginas, a distribuição é feita pelo próprio editor, de banca em banca, como relata Hélio Brandão, um dos primeiros editores de Carlos Zéfiro. Em média, a tiragem é de cinco mil exemplares, com alguns títulos atingindo um número bem maior. Por sua vez, o jornaleiro não exibe as revistinhas e as vende de forma dissimulada, geralmente ocultada em outra publicação. Segundo o próprio Caminha, são 862 histórias elaboradas por ele.

Análise

Um dos autores mais populares dos quadrinhos pornográficos do fim dos anos 1950 e 1960 no Brasil, o nome de Carlos Zéfiro transforma-se num mito. Tal fato se deve, entre outros motivos, ao mistério em torno do homem por trás do pseudônimo, segredo mantido até há pouco tempo. Alcides de Aguiar Caminha, carioca do bairro de Anchieta e funcionário público aposentado, assume o pseudônimo Carlos Zéfiro somente em 1991, em entrevista à revista Playboy. Ele morre no ano seguinte, aos 70 anos.

As "revistinhas de sacanagem" surgem no Brasil na década de 1940, popularizam-se e atingem o auge nos anos 1960. Trata-se de publicações em formato ¼ ofício, de 24 ou 32 páginas com histórias ilustradas em p&b, de autores anônimos; vendidas clandestinas em bancas de jornal dentro de revistas, ou em lugares de freqüência exclusivamente masculina, como barbearias (em São Paulo, são conhecidas como "catecismos"). Por serem baratas e fáceis de se encontrar, elas garantem acesso de um público basicamente masculino.

Entre a multidão de quadrinhos do gênero da época, os que trazem a assinatura de Zéfiro sobressaem pelo realismo de suas histórias. Elas são narradas na primeira pessoa sempre com começo, meio e fim. Em geral, têm como pano de fundo mais corriqueiro o ambiente brasileiro. A simplicidade do desenho, a dificuldade de compor cenas e os problemas de continuidade que podem ser observados na revistas criadas por Zéfiro não são obstáculos para a apreciação do leitor.

Amador, Zéfiro, copia os personagens de revistas eróticas estrangeiras ou fotonovelas e constrói um repertório limitado de situações e posições sexuais. Seus personagens masculinos não variam muito nem na forma nem na personalidade, seguindo um padrão visual e de comportamento: em geral são solteiros ou estão sozinhos, bonitos, bem-dotados, vaidosos, irresistíveis e sempre vitoriosos em suas investidas.

O universo feminino zeferiano apresenta variedade maior: há virgens, viúvas, desquitadas, solteiras, casadas, ninfomaníacas etc. Mas um traço comum as une: a disposição imediata para o sexo. A respeito do tipo físico, apesar das variações de cor e corte de cabelo, o desenho dos corpos segue um padrão parecido. As aventuras sexuais de Carlos Zéfiro comportam relações hetero, bi e homossexuais, e até relações incestuosas. Mas tudo é sempre contado de uma ótica estritamente masculina.

Com a chegada ao mercado brasileiro das revistas eróticas coloridas suecas e dinamarquesas, no início dos anos 1970, as revistinhas de sacanagem vão perdendo prestígio, até desaparecer. O próprio Zéfiro pára de produzir histórias. No entanto, seu nome sobrevive pelas mãos de editores que realizam novas tiragens de suas histórias de maior sucesso, ou pelo amor de colecionadores. Com isso, Zéfiro mantém-se popular, ganha diversas exposições de sua obra em salões de arte e de histórias em quadrinhos. Nos anos 1980 são publicados dois estudos de sua obra, os únicos até hoje: O Quadrinho Erótico de Carlos Zéfiro, de Otacílio d'Assunção, e A Arte Sacana de Carlos Zéfiro, com textos de Roberto DaMatta, Sérgio Augusto e Domingos Demase e reprodução de algumas histórias.

Outras informações de Carlos Zéfiro:

  • Outros nomes
    • Alcides de Aguiar Caminha Filho
    • Alcides Caminha
    • Alcides Aguiar Caminha
    • Alcides de Aguiar Caminha
  • Habilidades
    • desenhista
    • Compositor

Obras de Carlos Zéfiro: (10) obras disponíveis:

Exposições (3)

Fontes de pesquisa (11)

  • Alcides Caminha. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Disponível em: < http://dicionariompb.com.br/alcides-caminha >. Acesso em: 26 fev. 2004.
  • CIRNE, Moacy. História e crítica dos quadrinhos brasileiros. Rio de Janeiro: Funarte, 1990.
  • CIRNE, Moacy. Quadrinhos, sedução e paixão. Petrópolis: Vozes, 2000. 220 p., il. p&b.
  • D'ASSUNÇÃO, Otacílio. O quadrinho erótico de Carlos Zéfiro: uma análise da obra do mais genial desenhista pornô brasileiro. Rio de Janeiro: Record, 1984. 208 p., il. p&b. (Nostalgia).
  • Disponível em: [http://www.ludmira.hpg.ig.com.br/galeriazefiro/ZefiroP01.htm]. Acesso em 01/10/2002 Não catalogado
  • KFOURI, Juca. O fim de 30 anos de mistério. Playboy, São Paulo, ano 17, n. 196, p. 94-97, 159, nov. 1991.
  • MARINHO, Joaquim (org.). A Arte sacana de Carlos Zéfiro: 7 histórias completas. Texto Roberto DaMatta, Sergio Augusto, Domingos Demasi. 3 ed. São Paulo: Marco Zero, c.1983. 165 p., il. (Imoralidades diversas).
  • MARINHO, Joaquim (org.). Os Alunos sacanas de Carlos Zéfiro. Textos Regina Echeverria, Maria José Silveira. 2. ed. São Paulo: Marco Zero, 1986. 188 p., il. p&b. (Imoralidades Diversas).
  • Morre no Rio o desenhista Carlos Zéfiro. In: Folha de São Paulo, 07.07.1992. Disponível em: http://acervo.folha.com.br/fsp/1992/07/07/21 Acesso em: 18.06.2012. não catalogado
  • SILVA, Marcos Antonio da. Prazer e poder do amigo da onça: 1943-1962. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. 305 p., il.
  • VERGUEIRO, Waldomiro. Una visión del erotismo en la cultura latinoamericana en las obras del artista Carlos Zéfiro. In: Revista Latinoamericano de Estúdios sobre la Historieta La Habana, v. 1, n. 3, p. 139-46. 2001.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS Zéfiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa342773/carlos-zefiro>. Acesso em: 24 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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