Artigo da seção pessoas José de Alencar

José de Alencar

Artigo da seção pessoas
Literatura / teatro / artes visuais  
Data de nascimento deJosé de Alencar: 01-05-1829 Local de nascimento: (Brasil / Ceará / Fortaleza) | Data de morte 12-12-1877 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Ubirajara. Lenda Tupi , 1875 , José de Alencar
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Biografia
José Martiniano de Alencar (Messejana1 CE 1829 - Rio de Janeiro 1877). Romancista, cronista, dramaturgo, ensaísta e político. Seus primeiros anos de vida são marcados por mudanças e viagens, determinadas pela vida política do pai, também José Martiniano de Alencar, até que, em 1839, se muda definitivamente para o Rio de Janeiro. Entre 1837 e 1838, José de Alencar faz com os pais uma viagem ao sertão da Bahia, cuja paisagem fica marcada em sua memória e é inspiração para seus futuros romances: O Sertanejo, O Guarani e Iracema. Cursa a Faculdade de Direito em São Paulo e Olinda entre 1846 e 1850. Durante o tempo de estudante publica artigos de crítica na revista Ensaios Litterarios e, em 1854, estreia no jornal Diário do Rio de Janeiro, como cronista. No mesmo ano transfere-se para o Correio Mercantil, em que assina a seção Ao Correr da Pena. Em 1856, trava a primeira das inúmeras polêmicas que marcam sua carreira literária e política: nas Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, critica duramente o poema épico de Gonçalves de Magalhães (1811 - 1882), poeta patrocinado pelo imperador dom Pedro II (1825 - 1891). Ainda em 1856 publica Cinco Minutos, seu primeiro romance. O Guarani surge em 1857, primeiro em forma de folhetim e com pseudônimo no Diário do Rio, jornal em que atua como redator-chefe e coproprietário. A obra, posteriormente adaptada para ópera por Carlos Gomes, lhe assegura um lugar central no romantismo brasileiro. Volta-se então para o teatro e produz as peças O Crédito, O Verso e o Reverso e O Demônio Familiar, que lhe garantem sucesso também como dramaturgo. Após a morte do pai, em 1860, inicia carreira política no Partido Conservador, quebrando a tradição liberal familiar: elege-se deputado e chega a ministro da Justiça entre 1868 e 1870. Casa-se, em 1864, com Georgina Cochrane, com quem tem seis filhos, entre eles Mário de Alencar (1872 - 1925), também escritor e amigo de Machado de Assis (1839 - 1908). Em 1865 publica Iracema, romance polêmico, pelo qual é acusado de cometer excesso de liberdade com a língua portuguesa. Machado de Assis toma-lhe a defesa. Na linha de frente dessa acusação encontram-se, entre outros, o escritor português Feliciano de Castilho (1800 - 1875) e Franklin Távora (1842 - 1888), contra quem Alencar escreve, durante cinco anos, as Cartas de Semprônio, posteriormente publicadas em livro. Em 1868, escreve carta aberta a Machado de Assis, apresentando-lhe o poeta Castro Alves (1847 - 1871). Nesse mesmo ano é eleito senador, mas tem seu nome vetado por dom Pedro II, alvo constante de seus ataques na imprensa e na tribuna parlamentar. Em 1876, vende seus bens e viaja com a família para a Europa, à procura de tratamento para a tuberculose, contraída aos 18 anos. Retorna oito meses depois, com o estado de saúde agravado. Vinte anos após sua morte, ao fundar a Academia Brasileira de Letras (ABL), Machado de Assis elege José de Alencar patrono de sua cadeira, a de número 23.

Comentário Crítico
A obra de José de Alencar tem como principal projeto a fundação de uma literatura nacional. Não por acaso, sua primeira intervenção no cenário literário, as polêmicas Cartas sobre a Confederação dos Tamoios são uma veemente crítica à forma e ao conteúdo de um poema épico de Gonçalves Magalhães sobre o Brasil, a Confederação dos Tamoios, editado a expensas do imperador dom Pedro II. Em suas Cartas, Alencar lança as bases de um programa de literatura nacional, construído com base nas tradições indígenas e na exaltação da natureza. Muito mais do que isso, coloca em discussão o próprio fenômeno literário e suas convicções a respeito, norteadas por rigorosa consciência estética. Para demonstrar o sentido e a eficácia de suas teorias, lança O Guarani, em 1857, inicialmente como folhetim e, pouco depois, em forma de livro. O sucesso obtido pelo romance é absoluto, e sem precedentes na história literária e editorial brasileira.

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Outras informações de José de Alencar:

  • Outros nomes
    • José Martiniano de Alencar
    • Serio
    • AC
    • Ig
    • J. Martiniano de Alencar
    • G.M.
    • Um Asno
    • Senio
    • J. de Al
    • Erasmo
    • Job
  • Habilidades
    • cronista
    • autor
    • ensaísta
    • teatrólogo
    • romancista
    • advogado
    • Jurista
    • jornalista
    • poeta
    • crítico

Obras de José de Alencar: (7) obras disponíveis:

Espetáculos (11)

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (2)

  • José de Alencar. Fundação Biblioteca Nacional. Disponível em: [http://www.cervantesvirtual.com/portal/fbn/biografias/jose_alencar/index.shtml]. Acesso em: 01 abr. 2010 Não catalogada
  • RAMOS, Fernão (org.); MIRANDA, Luiz Felipe (org.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. p.16 R791.430981 E56

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOSÉ de Alencar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa3332/jose-de-alencar>. Acesso em: 28 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7