Artigo da seção pessoas Jocy de Oliveira

Jocy de Oliveira

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deJocy de Oliveira: 1936 Local de nascimento: (Brasil / Paraná / Curitiba)

Biografia

Jocy de Oliveira (Curitiba 1936). Compositora, pianista e escritora. Inicia seus estudos de piano em São Paulo com José Kliass, entre 1946 e 1953. Passa a morar em Paris, onde estuda com Marguerite Long (1874 - 1966), entre 1953 e 1960. Muda-se para Saint Louis, Estados Unidos, em 1963, em companhia do marido, o regente Eleazar de Carvalho. Ingressa na Washington University, estudando composição com Robert Wykes, formando-se em 1968. Em Tampa, na Flórida, dá aulas como professora associada na University of South Florida e em Nova York na New School for Social Research.

Atua como intérprete de música contemporânea, chegando a interpretar ao piano a peça Capriccio de Igor Stravinsky (1882 - 1971) sob regência do próprio compositor, em St. Louis, Estados Unidos, além de ter sido regida por nomes como Lukas Foss (1922 - 2009), Robert Craft (1923) e Eleazar de Carvalho. Sola à frente de orquestras como a Orquestra Sinfônica de Boston, Orquestra Sinfônica de Saint Louis, Orquestra Filarmônica de Los Angeles, Orquestra Nacional da Bélgica e Orquestra Nacional de Radiodifusão Francesa. No Brasil apresenta-se com a Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra da Radio MEC e Orquestra Municipal de São Paulo.

Participa como idealizadora da Primeira Semana de Música de Vanguarda, que ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo em 1961, conhecida por apresentar a música eletrônica ao público brasileiro. A segunda edição desse evento ocorre em 1966. Em 1986 realiza curadoria da série de concertos Mulheres Compositoras, na Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro - FUNARJ. Por sua atuação na área da música contemporânea, compositores de referência para a música erudita como Luciano Berio (1925 - 2003), Iannis Xenakis (1922 - 2001) e Claudio Santoro (1919 - 1989) dedicam peças a ela.

Tem vinte e três discos gravados no Brasil e no exterior, atuando ora como compositora ora como intérprete. Em 2008 lança uma compilação com 4  DVD's que reúne seis de suas óperas. É autora de quatro livros: O 3º Mundo (Melhoramentos), Apague Meu Spotlight (peça teatral, editada por Massao Ohno), Dias e Caminhos seus Mapas e Partituras (Record, Brasil e Lingua Press, EUA) e o libreto de Inori - a prostituta sagrada (Spectra). É uma das fundadoras da Academia Paulista de Música.

 

Comentário Crítico

É uma das pioneiras no trabalho multimídia no Brasil e envolvida com as vanguardas musicais da segunda metade do século XX, Jocy de Oliveira procura, desde a década de 1960, estender sua criação aos campos do teatro, vídeo, texto e instalações. Suas peças, sempre híbridas, baseiam-se na convicção da artista de que a expressão sonora se faz presente em todas as formas artísticas. É trabalhando com essa premissa que procura, através de sua obra, reduzir as fronteiras entre composição e execução, bem como flexibilizar os limites entre a música, teatro, artes visuais, textos e vídeo, aproximando a arte à vida cotidiana.

Avançar sobre esses limites parece ser um dos grandes temas da arte moderna, que Jocy de Oliveira procura filiar-se. Em alguns momentos da arte produzida no século XX, torna-se difícil distinguir a "obra" do mundo comum, que cerca o espectador. Uma mudança nos limites tradicionais do que é entendido como arte surge em diversos segmentos da produção do século, num investimento que chega a colocar em risco sua própria conceituação. Jocy de Oliveira não procurar nas estruturas artísticas convencionais o suporte para sua criação, ela cria a sua própria linguagem.

Talvez por isso a ópera seja parte importante de sua criação, já que une em um único evento música, texto, artes cênicas, cenografia, e direção. É autora de dez óperas, entre elas: Kseni - A estrangeira, com estréia no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, em 2006 seguida de apresentações no SESC Pinheiros em São Paulo; Inori à prostituta sagrada (1993) Illud Tempus (1994) e As Malibrans (1999/2000) formam uma trilogia com enfoque nos valores femininos; Liturgia do Espaço (1988) é uma "obra em progresso", cuja pré-estréia ocorre ao ar livre para 9.000 espectadores nos jardins do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A estréia da obra completa ocorre ao ar livre no Estádio de Remo da Lagoa, no Rio de Janeiro, em 1988, para um público de 15.000 pessoas; Fata Morgana (1987) é descrita pela autora como uma "ópera mágica" para vozes,violino eletrônico, sintetizadores, meios eletroacústicos e bailarinos, com estréia no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro.

Em suas composições para instrumentos tradicionais tem usado com frequência meios eletrônicos que alterem, interajam ou integrem a peça. Mobius Sonorum (1984) é uma peça escrita para violino eletrônico e tape ou delays digitais, e For Cello (1995) é para violoncelo e meios eletroacústicos. A intenção da artista em romper os limites entre as artes e a cidade pode ser notada no Pelourinho Project (1977/1978), uma intervenção urbana que envolve músicos, artistas visuais, atores, bailarinos, capoeiras, público e instrumentos musicais criados pelo compositor suíço radicado na Bahia Walter Smetak (1913 - 1984). É apresentada em 1978 no Pelourinho, Salvador.

Em 1982 inicia a composição de peças multimídia para planetários. As peças envolvem música, texto, multiprojeções, vídeo e holografia, e têm sido apresentadas em planetários no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) e nos Estados Unidos (Hayden Planetarium em Nova York e Planetário de Miami). Como autora teatral escreve Apague meu Spotlight (1961) para 18 atores e bailarinos, com estréia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Teatro Municipal de São Paulo durante a Bienal de Arte. A trilha sonora é especialmente composta pelo compositor italiano Luciano Berio (1925 - 2003). Lança, no início de sua carreira, um disco pouco conhecido que beira as inovações bossa novistas com o título A Música do Século XX de Jocy de Oliveira, pelo selo Copacabana em 1961, com os temas A Morte do Violão, E a Chuva Nasceu, Samba Gregoriano, Um Crime, Brasília século I, Incêndio, Um Assalto no Morumbi, e Sofia Suicidou-se. Grava em 1981, pelo selo Fermata, Estórias para Voz, Instrumentos Acústicos e Eletrônicos, com participação de músicos como Dodô Ferreira (baixo e guitarra) e Airton Pinto (violino eletrônico). Para a Vox Records, Estados Unidos, lança os ciclos completos Vingt regards sur l'enfant Jesus e Catalogue d'Oiseaux, do compositor francês Olivier Messiaen.

Outras informações de Jocy de Oliveira:

  • Habilidades
    • Humanas
    • compositor
    • autor
    • diretor

Espetáculos (4)

Fontes de pesquisa (8)

  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. 415 p. R792.0981 A636t 1994
  • COLEÇÃO JOCY DE OLIVEIRA. Box com 4 DVD's. Gravadora: Spectra, 2008.
  • OLIVEIRA, Jocy. A música do século XX de Jocy de Oliveira. LP. Copacabana (CPL 11188), 1961.
  • OLIVEIRA, Jocy. As Malibrans. CD e encarte. Gravadora: Spectra, (CDMALIBRANS), 2009.
  • OLIVEIRA, Jocy. Fata Morgana. CD e encarte. Gravadora: Spectra, (ELD-CD-7016), 2009.
  • OLIVEIRA, Jocy. Apague meu Spotlight. São Paulo: Edição Massao Ohno: 1961.
  • OLIVEIRA, Jocy. Site oficial do artista. Disponível em: . Acessado em 05/07/2011.
  • SADIE, S. (Org.) / GROVE, G. Sir. The new Grove dictionary of music and musicians. Londres, McMillan (1980).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOCY de Oliveira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa289894/jocy-de-oliveira>. Acesso em: 18 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7