Artigo da seção pessoas Jocy de Oliveira

Jocy de Oliveira

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deJocy de Oliveira: 11-04-1936 Local de nascimento: (Brasil / Paraná / Curitiba)

Jocy de Oliveira (Curitiba, 1936). Compositora, pianista e escritora. Inicia seus estudos de piano com José Kliass (1895-1970), em 1946, em São Paulo. Entre 1953 e 1960, mora em Paris, onde estuda com a pianista francesa Marguerite Long (1874-1966). Muda-se para Saint Louis, Estados Unidos, em 1963, em companhia do marido, o regente Eleazar de Carvalho (1912-1966). Ingressa na Washington University, estuda composição com o estadunidense Robert Wykes (1926) e forma-se em 1968. Em Tampa, na Flórida, dá aulas como professora associada na University of South Florida e, em Nova York, na New School for Social Research.

Em música contemporânea, interpreta ao piano a peça Capriccio, do russo Igor Stravinsky (1882-1971), sob regência do próprio compositor, em St. Louis, Estados Unidos. Também é regida por nomes como os estadunidenses Lukas Foss (1922-2009) e Robert Craft (1923-2015). É solista em orquestras como a Sinfônica de Boston, Sinfônica de Saint Louis, Filarmônica de Los Angeles, Nacional da Bélgica e Nacional de Radiodifusão Francesa. No Brasil, apresenta-se com a orquestra Sinfônica Brasileira, da Rádio MEC e Municipal de São Paulo.

Participa como idealizadora da Primeira Semana de Música de Vanguarda, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em 1961, que apresenta a música eletrônica ao público brasileiro. A segunda edição desse evento ocorre em 1966. Em 1986, realiza curadoria da série de concertos Mulheres Compositoras, na Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj). Por sua atuação na música contemporânea, compositores como o italiano Luciano Berio (1925-2003), o francês Iannis Xenakis (1922-2001) e brasileiro Cláudio Santoro (1919-1989) dedicam peças a ela.

Tem 23 discos gravados no Brasil e no exterior, como compositora ou intérprete. Em 2008, lança uma compilação com 4  DVDs que reúne seis de suas óperas. É autora de quatro livros: O 3º Mundo (1959), Apague Meu Spotlight (1961), Dias e Caminhos seus Mapas e Partituras (1983) e Inori à Prostituta Sagrada (1993). É uma das fundadoras da Academia Paulista de Música.

Análise

Uma das pioneiras em multimídia no Brasil e envolvida com as vanguardas musicais da segunda metade do século XX, Jocy de Oliveira procura, desde a década de 1960, estender sua criação ao teatro, vídeo, texto e às instalações. Suas peças, híbridas, baseiam-se na certeza de que a expressão sonora se faz presente em todas as formas artísticas. Com essa premissa, procura reduzir as fronteiras entre composição e execução. Flexibiliza os limites entre música, teatro, artes visuais, textos e vídeo, aproximando a arte da vida cotidiana.

Em alguns momentos da arte moderna, produzida no século XX, torna-se difícil separar a "obra" do mundo que cerca o espectador. Uma mudança nos limites tradicionais do que é entendido como arte surge em segmentos da produção do século, questionando seus conceitos. Nessa linha, Jocy de Oliveira não procura nas estruturas artísticas convencionais o suporte para a criação, ela cria a própria linguagem.

Talvez por isso a ópera seja parte importante de seu trabalho por unir música, texto, artes cênicas, cenografia, e direção num único evento. É autora de dez óperas, entre elas: Kseni - A Estrangeira, com estréia no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, em 2006, seguida de apresentações no SESC Pinheiros em São Paulo; a trilogia Inori à Prostituta Sagrada (1993) Illud Tempus (1994) e As Malibrans (1999/2000) com enfoque nos valores femininos; e Liturgia do Espaço (1988), "obra em progresso" com pré-estréia ao ar livre para 9.000 espectadores nos jardins do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A estréia completa ocorre ao ar livre no Estádio de Remo da Lagoa, no Rio de Janeiro, em 1988, para um público de 15.000 pessoas. Fata Morgana (1987), por sua vez, é descrita pela autora como uma "ópera mágica" para vozes, violino eletrônico, sintetizadores, meios eletroacústicos e bailarinos, com estréia no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro.

Nas composições para instrumentos tradicionais, usa meios eletrônicos que alteram a peça, interagem com ela ou a constituem. Mobius Sonorum (1984) é peça escrita para violino eletrônico e tape ou delays digitais, e For Cello (1995) é para violoncelo e meios eletroacústicos. A intenção em romper os limites entre as artes e a cidade pode ser notada no Pelourinho Project (1977/1978), intervenção urbana que envolve músicos, artistas visuais, atores, bailarinos, capoeiras, público e instrumentos musicais criados pelo compositor suíço radicado na Bahia Walter Smetak (1913-1984). É apresentada em 1978 no Pelourinho, Salvador.

Em 1982, inicia a composição de peças multimídia para planetários. As peças envolvem música, texto, multi projeções, vídeo e holografia, e têm sido apresentadas em planetários no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) e nos Estados Unidos (Hayden Planetarium em Nova York e Planetário de Miami). 

Como autora teatral escreve Apague meu Spotlight (1961) para 18 atores e bailarinos, com estréia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Teatro Municipal de São Paulo durante a Bienal de Arte. A trilha sonora é composta pelo italiano Luciano Berio. Lança, no início da carreira, um disco pouco conhecido que beira as inovações bossanovistas com o título A Música do Século XX de Jocy de Oliveira (1961), pelo selo Copacabana, com os temas “A Morte do Violão”, “E a Chuva Nasceu”, “Samba Gregoriano”, “Um Crime”, “Brasília Século I”, “Incêndio”, “Um Assalto no Morumbi”, e “Sofia Suicidou-se”. Grava em 1981, pelo selo Fermata, Estórias para Voz, Instrumentos Acústicos e Eletrônicos. Para a Vox Records, Estados Unidos, lança os ciclos completos Vingt Regards sur L'Enfant Jesus e Catalogue d'Oiseaux, do compositor francês Olivier Messiaen (1908-1992).

 

Outras informações de Jocy de Oliveira:

  • Habilidades
    • Humanas
    • Compositor
    • Autor
    • diretor

Espetáculos (4)

Fontes de pesquisa (11)

  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • COLEÇÃO Jocy de Oliveira. [Charleston, Carolina do Sul]: Spectra, 2008. Box com 4 DVDs.
  • Jocy Oliveira. Site oficial do artista. Disponível em: http://www.jocydeoliveira.com/. Acesso em: 05 jul. 2011.
  • OLIVEIRA, Jocy. A música do século XX de Jocy de Oliveira. [São Paulo]: Copacabana, 1961. LP.
  • OLIVEIRA, Jocy. Apague meu Spotlight. São Paulo: Edição Massao Ohno, 1961.
  • OLIVEIRA, Jocy. As Malibrans. [Charleston, Carolina do Sul]: Spectra, 2009. CD e encarte.
  • OLIVEIRA, Jocy. Fata Morgana. [Charleston, Carolina do Sul]: Spectra, 2009. CD e encarte.
  • OLIVEIRA, Jocy. Inori à Prostituta Sagrada. Spectra Produções, 1993.
  • OLIVEIRA, Jocy. O 3º Mundo. São Paulo: Melhoramentos, 1959.
  • OLIVEIRA, Jocy. Dias e Caminhos seus Mapas e Partituras. Rio de Janeiro: Record, Estados Unidos da América: Lingua Press, 1983.
  • SADIE, Stanley (Ed.). The New Grove dictionary of music and musicians. London: Macmillan Publishers, 1980.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOCY de Oliveira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa289894/jocy-de-oliveira>. Acesso em: 13 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7