Artigo da seção pessoas Marcelo Mirisola

Marcelo Mirisola

Artigo da seção pessoas
Teatro / literatura  
Data de nascimento deMarcelo Mirisola: 09-05-1966 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Marcelo Rizzo Mirisola (São Paulo, São Paulo, 1966). Romancista, contista e cronista. Passa a infância em Santos e, de volta à capital, forma-se em direito, porém não segue a profissão. Reside também em Santa Catarina e no Rio de Janeiro e, a partir dos anos 1990, dedica-se integralmente à carreira de escritor e articulista.

Estreia na literatura em 1998, com os contos de Fátima Fez os Pés para Mostrar na Choperia. Publica mais 11 livros até 2012, além de textos curtos e folhetins em diversos jornais e revistas do país. Em 2001 e 2003, integra as antologias Geração 90: Manuscritos de Computador e Geração 90: os Transgressores, publicações que consolidam a importância e o reconhecimento desse conjunto de autores no panorama literário brasileiro. Colabora ainda como colunista em revistas e sites como o Congresso em Foco, onde veicula crônicas de tom bastante crítico e majoritariamente direcionadas ao meio literário nacional, o que faz de Mirisola conhecido também por sua postura de polemista.

Análise

Marcelo Mirisola pertence a um grupo de escritores bastante heterogêneo que marca o cenário literário brasileiro dos anos 1990. Sua produção caracteriza-se pela combinação de domínio técnico e ousadia temática. Tal estilo lembra o do escritor norte-americano Charles Bukowski (1920-1994) por seu caráter obsceno e coloquial, mas remete mais decisivamente à corrente literária que concebe momentos cruciais de sua literatura a partir da mistura de autobiografia e ficção.

A indefinição dos limites entre experiência pessoal e construção ficam evidentes desde o primeiro romance do autor, O Azul do Filho Morto (2002), baseado nas memórias de um narrador que parece identificado ao próprio escritor. Esse narrador-personagem, cuja história, segundo o autor, tem continuidade até o romance Charque (2011), elabora com acidez e violência uma crítica destruidora ao modo de vida da classe média contemporânea. Expondo, por meio de um texto repleto de vocabulário chulo e marcado pelo desejo de chocar o leitor, as angústias afetivas, a obsessão pelo sexo e a melancolia que permeiam a vida dessa sociedade. Como nota um de seus interlocutores mais próximos, o escritor Reinaldo Moraes (1950), essa matéria biográfica incômoda é ordenada por uma sintaxe peculiar regida por cortes bruscos, materializando a estranheza da vida mental desses narradores.

A fragmentação também é característica central dos contos do autor, ainda que com o desenrolar da obra ocorra uma fluência maior e a presença mais dominante do humor. Também nos contos, o tom rebaixado convive com momentos de lirismo, como em "Valentina e o Laranja Intenso", de 2010, em que o narrador ensina a uma criança que bolhas de sabão são feitas da mesma matéria dos sonhos. Nas crônicas, a estratégia do choque é também utilizada para expor sua percepção crítica da superficialidade dos valores contemporâneos, muitas vezes perpetuados pela grande mídia em diversas esferas da cultura.

Outras informações de Marcelo Mirisola:

  • Habilidades
    • Contista
    • Romancista
    • Cronista

Espetáculos (1)

Fontes de pesquisa (8)

  • CALIXTO, Fabiano. Sem mídia, sem média, sem medo: Proibidão, de Marcelo Mirisola. Disponível em: http://www.germinaliteratura.com.br/2009/stultifera_navis2_mar09.htm. Acesso em: 5 dez. 2012.
  • CARPINEJAR, Fabrício. Texto da orelha da obra. In: MIRISOLA, Marcelo. Bangalô. São Paulo: Editora 34, 2003.
  • LÍSIAS, Ricardo. Texto da orelha da obra. In: MIRISOLA, Marcelo. O azul do filho morto. São Paulo: Editora 34, 2002.
  • MIRISOLA, Marcelo. Charque. São Paulo: Editora Barcarolla, 2011.
  • MORAES, Reinaldo. Texto da orelha da obra. In: MIRISOLA, Marcelo. Memórias da sauna finlandesa. Editora 34, 2009.
  • OLIVEIRA, Nelson de (org.). Geração 90: manuscritos de computador. Os melhores contistas brasileiros surgidos no final do século XX. São Paulo: Boitempo Editorial, 2001.
  • SCHWARTZ, Adriano. Nova obra do autor é 'ritual de passagem'. In: Folha de S.Paulo, Caderno Ilustrada, São Paulo, 10 dez. 2005.
  • SCHWARTZ, Adriano. Nova obra do autor é 'ritual de passagem'. In: Folha de S.Paulo, Caderno Ilustrada, São Paulo, 10 dez. 2005.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MARCELO Mirisola. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa289504/marcelo-mirisola>. Acesso em: 14 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7