Artigo da seção pessoas Torquato Neto

Torquato Neto

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / teatro / literatura / música  
Data de nascimento deTorquato Neto: 09-11-1944 Local de nascimento: (Brasil / Piauí / Teresina) | Data de morte 10-11-1972 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina PI 1944 - Rio de Janeiro RJ 1972). Compositor, poeta, jornalista, ator, cineasta. Filho de um promotor público de Teresina, passa a infância na cidade, e se interessa por literatura, cordel e música regional. Em 1961, vai para Salvador para estudar. Nessa época conhece Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.

Muda-se para o Rio de Janeiro em 1962 e, no ano seguinte, ingressa no curso de jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia. Logo começa a carreira de jornalista, no Jornal dos Sports, trabalhando como crítico musical no suplemento O Sol. Paralelamente, escreve poemas e letras de música.

O reencontro com Gilberto Gil no Rio de Janeiro rende a parceria em Louvação, gravada por Elis Regina e Jair Rodrigues em 1966. No mesmo ano, conhece Edu Lobo, com quem compõe algumas canções, entre as quais Pra Dizer Adeus, que faz muito sucesso. Em 1967, Gal Costa e Caetano Veloso gravam algumas de suas músicas, como Nenhuma Dor (com Caetano Veloso), Minha Senhora e Zabelê (com Gilberto Gil), e Gil grava obras feitas em parceria com Torquato, caso de A Rua e Louvação.

Nesse momento, ele demonstra interesse pelo rock dos Beatles e da Jovem Guarda. Com Gilberto Gil, Caetano Veloso, José Carlos Capinam, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duprat, Nara Leão e Os Mutantes, integra o movimento tropicalista. A proposta do grupo consiste na fusão de referências diversas como a bossa nova, ritmos regionais, rock e a chamada música brega. O comportamento questionador dos tropicalistas resulta na prisão e no exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Temendo o pior, Torquato Neto sai do Brasil no fim de 1968.

Depois de um ano morando em Londres e Paris, ele retorna ao Rio de Janeiro, consegue, em 1971, um emprego no jornal Última Hora, e cria a coluna Geleia Geral. Nesse espaço, Torquato Neto veicula notícias e críticas sobre música, poesia e cinema, privilegiando a produção dos artistas marginais com os quais se identifica. O interesse pelo cinema o conduz à participação em alguns filmes independentes, como o protagonista de Nosferato no Brasil, dirigido por Ivan Cardoso, e o diretor de O Terror da Vermelha, ambos gravados em Super-8, em 1971.

A dependência do álcool e a falta de liberdade, somadas ao isolamento provocado pelo exílio e pelo afastamento de amigos, causam-lhe profundas crises de depressão. Em busca de tratamento psiquiátrico, se interna diversas vezes em sanatórios do Rio de Janeiro e de Teresina. Ao completar 28 anos, Torquato Neto suicida-se, em casa, em 1972.

Em 1985 é produzida a coletânea Um Poeta Desfolha a Bandeira, LP acompanhado de textos e entrevistas. É lançada em CD, em 2002, a coletânea Todo Dia É Dia D, que inclui a pouco conhecida Três da Madrugada (parceria com Carlos Pinto), gravada por Gal Costa em 1973.

 

Comentário Crítico

Suas letras têm força sonora e versos ritmados, como a poesia dos livros de cordel nordestinos que ele coleciona. Essa influência pode ser percebida em uma de suas primeiras obras gravadas, o baião Vento de Maio, feito em parceria com Gilberto Gil e gravado por Nara Leão em 1967: "Desapeie dessa tristeza/que eu lhe dou de garantia/a certeza mais segura/que mais dia menos dia/no peito de todo mundo/vai bater a alegria".

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Outras informações de Torquato Neto:

  • Outros nomes
    • Torquato Pereira de Araújo Neto
    • Torquarto Neto
  • Habilidades
    • compositor
    • escritor
    • Jornalismo

Espetáculos (4)

Exposições (2)

Fontes de pesquisa (9)

  • ANDRADE, Paulo. Torquato Neto: uma poética de estilhaços. 1. ed. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2002. 198 p.
  • BRITO, Paulo Henriques. A temática noturna no Rock pós-tropicalista. In: DUARTE, Paulo Sérgio; NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à Tropicália. 1. ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará: FAPERJ, p. 191-200.
  • BUENO, André. Pássaro de Fogo no terceiro mundo: o poeta Torquato Neto e sua época. 1. ed. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005. 223 p.
  • COELHO, Frederico Oliveira. Eu, brasileiro, confesso minha culpa e meu pecado: cultura marginal no Brasil dos anos 60 e 70. 2002. 223 f. Dissertação (Mestrado em História Social) - Programa de Pós-Graduação em História Social, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
  • FAVARETTO, Celso. Tropicália, alegoria, alegria. 4. ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007. 184 p.
  • NAVES, Santuza Cambraia. Da Bossa Nova à Tropicália. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004. 78 p., il. p&b.
  • NETO, Torquato. Torquatália: obra reunida de Torquato Neto - vol 1, Do lado de dentro. PIRES, Paulo Roberto (Org.). 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. v. 1. 368 p.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo II: 85 anos de músicas brasileiras (1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. v. 2 . 367 p. (Ouvido Musical) 
  • VAZ, Toninho. Pra mim chega: a biografia de Torquato Neto. São Paulo: Editora Casa Amarela, 2005. 234 p., il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • TORQUATO Neto. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2853/torquato-neto>. Acesso em: 18 de Jun. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7