Artigo da seção pessoas Wilson Barros

Wilson Barros

Artigo da seção pessoas
Cinema / artes visuais  
Data de nascimento deWilson Barros: 1948 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 26-09-1992 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Wilson Rodrigues de Barros (São Paulo, São Paulo, 1948 - idem 1992). Cineasta, professor e serígrafo. Interessa-se pelo cinema cedo e desde os oito anos frequenta matinês, sobretudo de filmes norte-americanos. Em 1967, cursa a Faculdade de Arquitetura no Mackenzie. No ano seguinte, transfere-se para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), curso que abandona para trabalhar, aos 21 anos, como assistente de direção de João Batista de Andrade (1939) no longa-metragem Em Cada Coração um Punhal: Três Histórias que Não Fundem a Cuca de Ninguém (1969). No mesmo ano, realiza assistência de produção e direção do longa Elas, de José Roberto Noronha (1942-1980).

Entre 1970 e 1971, trabalha na TV Record como assistente de estúdio em novelas. Em 1972, muda-se para a Europa, vivendo em Londres, Paris e Estocolmo. Retorna ao Brasil no ano seguinte e especializa-se em serigrafia - técnica que aprende em sua estada na capital inglesa e atividade que exerce profissionalmente até 1980. Em 1975, inicia curso de cinema na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP). Um ano depois realiza seu primeiro curta-metragem: Tigresa; e, em 1978, o média-metragem Disaster Movie, ambos projetos de graduação da universidade. Durante a pós-graduação na ECA dirige seu único documentário, Sorocaba: 326 Anos, e o curta Crimes da Lata, ambos em 1976.

Inicia, em 1981, atividade de professor de direção e roteiro no curso de cinema da ECA. Dirige o curta Maria da Luz (1981) e realiza, em 1983, os curtas Diversões Solitárias e Verão. Este último baseado no conto Verano, do escritor argentino Júlio Cortázar (1914-1984) e objeto de sua dissertação de mestrado, defendida no mesmo ano. Recebe bolsa de doutoramento em cinema na New York University (NYU), em 1983. Nos Estados Unidos, amplia seu conhecimento teórico e prático sobre cinema, sobretudo com os professores Robert Stam (1941), Jay Leyda (1910-1988) e Peter Wollen (1938). Realiza o curta em vídeo Postcard (1985) e finaliza o roteiro de seu primeiro longa.

Volta para o Brasil em 1985, sem concluir o doutorado, para realizar Anjos da Noite, longa aprovado em concurso da Embrafilme e da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Finaliza os trabalhos em 1986 e o lança no ano seguinte, sendo bem recebido pela crítica e conquistando inúmeros prêmios. Tem seu roteiro publicado em livro. Trabalha como assistente de direção em Aquele Breve Canto (1986), curta de Tânia Savietto (1947-1998). Ainda na década de 1980, torna-se um dos proprietários da companhia produtora Barca Filmes, empresa identificada com o grupo de novos cineastas paulistas. Falece em 1992, deixando dois roteiros prontos: Viajante Estrangeiro e Labirintos da Cidade.

Comentário crítico
A ambientação urbana é constitutiva da obra de Wilson de Barros. Ainda que prematuramente interrompido, seu trabalho apresenta uma coerência temática presente em toda a sua trajetória, desde os curtas até o único longa-metragem que realiza. Para o crítico Edmar Pereira (1943-1993) em Anjos da Noite passa-se a limpo todos os rascunhos anteriores, ou seja, os curtas-metragens realizados que representam a cidade, em que são experimentas formas anticonvencionais da linguagem do cinema, como a representação da realidade de forma não linear e em diferentes níveis.

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Outras informações

  • Outros nomes
    • Wilson Rodrigues de Barros
    • Wilson de Barros
  • Habilidades
    • cineasta
    • professor universitário
    • serígrafo

Fontes de pesquisa (12)

  • ARAÚJO, Inácio. Morte de Wilson Barros deixa inacabado seu projeto de cinema. Folha de S.Paulo, 29 set. 1992. Ilustrada, p.3.
  • BARROS, Wilson Rodrigues de. Ao redor de um olho mágico. Cineasta, n. 1, set.-out. 1982, p. 10-11.
  • BARROS, Wilson Rodrigues de. Anjos da Noite. Porto Alegre: Tchê, 1987.
  • BARROS, Wilson Rodrigues de. Imaginei meu filme numa noite de insônia. Filme Cultura, n. 48, Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Cinema, nov. 1988, p. 46-56.
  • CAPRARA, Valerio; NORCI, Francesco; RANVAUD, Donald (orgs.). Bye, Bye Brasil: il cinema brasiliano fra tradizione e rinnovamento 1970-1988. XXV Incontri Internazionali del Cinema di Sorrento. Sorrento: Casa Usher, 1988.
  • CEREGHINO, Mario J.; CARVALHOSA, Zita et. al. Brasile: la nuova scuola del cortometraggio: l'indio: Iero, oggi e domani. Mostra Internazionale del Cinema Libero. Bologna, 1991. 
  • COMODO, Roberto. Poucos e bons: curtas instigantes e um único longa. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1992. Caderno B, p. 6.
  • MEDEIROS, Jotabê. Wilson Barros reafirma fascínio pela noite em roteiros inéditos. O Estado de S. Paulo, 20 mar. 1997, Caderno 2, p. 1.
  • Morre aos 44 anos o cineasta Wilson Barros. Folha de S.Paulo, 28 set. 1992. Ilustrada, p. 3. (Hemeroteca da Cinemateca Brasileira. Pasta 1992-9, documento 18).
  • ORICCHIO, Luiz Zanin. Wilson Barros. O Estado de S. Paulo, 29 set. 1992. Caderno 2, p. 2.
  • ORICCHIO, Luiz Zanin. A morte de Wilson Barros. Jornal da Tarde. São Paulo, 29 set. 1992. Caderno de Variedades, p. 19.
  • PICCHIARINI, Ricardo. Diversões solitárias. Introdução de Sineval Martins Rodrigues. São Paulo: FDE, 1992.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • WILSON Barros. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa284637/wilson-barros>. Acesso em: 29 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7