Artigo da seção pessoas Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu

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Literatura  
Data de nascimento deCasimiro de Abreu: 04-01-1839 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Casimiro de Abreu) | Data de morte 18-10-1860 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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As primaveras , 1859 , Casimiro de Abreu
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Biografia

Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, atual distrito da cidade Casimiro de Abreu RJ 1839 - idem 1860). Poeta. Filho de José Marques de Abreu, um abastado comerciante português, e Luísa Joaquina das Neves. Recebe as primeiras lições escolares em Cabo Frio, Rio de Janeiro. Em 1849, faz curso de humanidades no Instituto Freese, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, onde permanece até 1852. Antes de concluir o curso, o pai o envia para a cidade do Rio de Janeiro, para trabalhar no armazém de um amigo e praticar escrituração mercantil. Frequentando mais o teatro que o trabalho, em 1853, segue com o pai para Lisboa. Lá, torna-se um dos redatores de A Ilustração Luso-Brasileira e tem como colega o escritor português Alexandre Herculano (1810 - 1867), entre outros. Em 1856, sua peça Camões e Jaú é apresentada no Teatro D. Fernando, em Lisboa. No ano seguinte, ao deixar Portugal, traz os manuscritos das Canções do Exílio, que, somados a outras composições escritas no Brasil, formam o livro de poemas As Primaveras, publicado com apoio financeiro do pai, em dezembro de 1859. A partir de 1858, participa de reuniões literárias no escritório de advocacia do poeta Caetano Alves de Sousa Figueiras com os escritores Augusto Emílio Zaluar (1825 - 1882), José Joaquim Cândido de Macedo Júnior (1842 - 1860) e Machado de Assis (1839 - 1908). Nesse período, colabora regularmente com os periódicos Correio Mercantil, A Marmota, O Espelho e Revista Popular, e convive com o escritor Manuel Antônio de Almeida (1831 - 1861) e o jornalista e político Quintino Bocaiuva (1836 - 1912). Morre aos 21 anos, de tuberculose, na fazenda onde nasce.

Análise

Casimiro de Abreu pertence à segunda geração romântica brasileira, também denominada de ultrarromântica. Ele surge numa época em que a tradição poética romântica já conta com dois grandes nomes, que muito o influenciam: Gonçalves Dias (1823 - 1864) e Álvares de Azevedo (1831 - 1852). O poeta dialoga com ambos em seus versos. Na obra do primeiro, busca inspiração para compor suas versões da canção do exílio e do tema romântico da volta à casa paterna enquanto, na do segundo, ele se identifica com o mito romântico do adolescente. Esse culto da idade juvenil explica o sentido metafórico do título de seu livro: As Primaveras. Como esclarece a epígrafe de abertura da obra, tomada do poeta italiano Metastásio, se a primavera é a "juventude do ano", a juventude é a "primavera da vida". A adolescência se relaciona com o tema do amor e medo, título de um de seus poemas, que, para Mário de Andrade (1893 - 1945) e Antonio Candido (1918), parece designar um conflito recorrente na poesia dessa geração: a dificuldade do adolescente em conciliar o sentimento amoroso com o desejo sexual.

Costuma-se afirmar que os temas de sua poesia se resumem a dois, praticamente: o amor e a saudade. Em especial, a saudade da infância perdida - "aurora da vida" -, a exemplo dos celebrados versos de Meus Oito Anos: "Ó! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais! / Que amor, que sonhos, que flores, / Naquelas tardes fagueiras / À sombra das bananeiras, / Debaixo dos laranjais!"

Entre as imagens poéticas prediletas do poeta, o crítico Hélio Lopes chama atenção para quatro comparações ou símiles dos mais convencionais e singelos: a flor, e mais particularmente o lírio, como símbolo da inocência e da fragilidade; a ave, como a pomba, a juriti, a rola e outras pequeninas, com que o poeta compara seu canto (em vez das grandes aves de alto voo, mais adequadas como metáfora para o poeta e a poesia de pretensões grandiosas ou sublimes); o ninho, evocando a ideia de maciez, calor e aconchego; e o barco, que desde a época clássica é empregado para comparar a criação de uma obra poética a uma viagem marítima. Ao contrário de muitos românticos, Casimiro de Abreu não emprega em sua poesia as imagens relacionadas aos grandes espetáculos naturais, aterradores e sublimes (desertos, florestas cerradas e soturnas, gigantescas cordilheiras, tempestades em alto-mar etc.). Como nota Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), trata-se, em vez disso, de "uma poesia de horta e campina, em que há laranjeiras com sabiás, regatos brincalhões, raios de lua e brisas travessas; nenhuma suspeita de Amazonas".

Em termos formais, Casimiro emprega com mais frequência a métrica regular e ritmo invariável, de que é exemplo o famoso A Valsa, um bom exemplo do ideal romântico de aproximação entre poesia e música: "Tu, ontem / Na dança / Que cansa / Voavas / C'o as faces / Em rosas / Formosas / De vivo / Lascivo / Carmim; / Na valsa / Tão falsa, / Corrias, / Fugias, / Ardente, / Contente, / Tranquila, / Serena, / Sem pena / De mim!"

A forte musicalidade, a simplicidade e a aparente espontaneidade na forma, somadas à ingenuidade e à tematização de vivências e sentimentos comuns a todos (a saudade da terra natal, das paisagens da infância e da família), garantem para sua poesia um alcance de comunicação com um público mais amplo e menos erudito. Sobre a destinação de sua obra, diz o crítico José Veríssimo (1857 - 1916), mais para o fim do século XIX: "[...] a fama do nosso poeta confundiu-se com a dos seus poemas recitados nas salas, e que, como uma flor muito cheirada acaba por perder o perfume, tinham acabado por perder a emoção real que neles havia. Quando vieram outros tempos, talvez de mais prosa, entraram, a principiar pelos novos poetas, a achá-lo demasiado sentimental, piegas, como diziam". Contudo, atualmente, seus versos de lirismo simples e intensa emotividade vêm sendo reavaliados pela crítica, restituindo-lhe assim o lugar devido na história da literatura brasileira. Sem adesismos, ou mesmo sem o impasse do desagrado preconcebido de outros tempos.

Outras informações de Casimiro de Abreu:

  • Outros nomes
    • Casimiro José Marques de Abreu
  • Habilidades
    • Poeta
  • Relações de Casimiro de Abreu com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Casimiro de Abreu: (2) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (7)

  • ABREU, Casimiro de. As Primaveras (org.Domingos Carvalho da Silva). São Paulo, Livraria Martins Ed., s/d. (Reedição recente, em 2002, a cargo da Editora Martins Fontes).
  • ABREU, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu (org. Souza da Silveira). São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1940.
  • AMORA, Antônio Soares. A Literatura Brasileira. O Romantismo (1833-1838/1878-1881). São Paulo: Ed. Cultrix, 1967, v.II. pp. 161-174
  • ANDRADE, Carlos Drummond de. No Jardim Público de Casimiro de Abreu. In: ______. Confissões de Minas. Rio de Janeiro: Americ-editora, 1945.
  • ANDRADE, Mário de. Amor e Medo. In: ______. Aspectos da Literatura Brasileira. São Paulo: Livraria Martins Ed., s/d.
  • CANDIDO, Antonio. O 'Belo, Doce e Meigo': Casimiro de Abreu. In: ______. Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1981, v.2. pp.194-200
  • VERÍSSIMO, José. Estudos de Literatura Brasileira. 2ª. série. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Belo Horizonte: Itatiaia, 1977. pp.32-39

Como citar?

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  • CASIMIRO de Abreu. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2813/casimiro-de-abreu>. Acesso em: 15 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7