Artigo da seção pessoas Ferréz

Ferréz

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deFerréz: 29-12-1975 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Registro fotográfico Anderson Macedo

Reginaldo Ferreira da Silva (São Paulo, São Paulo, 1975). Romancista, contista e poeta. A relação entre periferia e literatura está no centro de seu trabalho, seja em livros que narram o cotidiano dos moradores de regiões distantes do centro de São Paulo, seja em sua atuação como organizador de eventos e promotor de novos escritores.

Após exercer diversas ocupações durante a adolescência,  como vendedor ambulante de vassouras, balconista e chapeiro de redes de fast-food, inicia sua trajetória na literatura, com o livro de poemas Fortaleza da Desilusão (1997), influenciado pela poesia concreta. Dois anos depois, funda o grupo 1DaSul, interessado em promover eventos e ações culturais na região do Capão Redondo, periferia da cidade de São Paulo. Ligado ao movimento hip-hop, além da ação cultural e política que empreende, escreve letras de rap e canta em grupos locais.

Em seus romances e contos, Ferréz apresenta em chave realista problemas cotidianos vividos pela população das regiões periféricas de São Paulo. Suas histórias, consideradas por ele literatura marginal, expõem por meio da ficção os dilemas relacionados à situação marginalizada desses habitantes.

Estreia na prosa de ficção em 2000, com o romance Capão Pecado, em referência ao bairro paulistano, que tem no dia a dia da periferia seu tema principal. No livro, o cotidiano da periferia é introduzido ao leitor por intermédio do protagonista Rael, que tenta, diante das adversidades, manter uma conduta honesta e a hombridade em relação ao mundo e às pessoas que o cercam. O que poderia aparecer como construção moral rígida na estrutura do romance se apresenta, na elaboração literária, como uma investigação complexa das éticas que presidem as relações interpessoais na periferia, elemento central no processo criativo do autor.

Na obra, o personagem principal, dividido entre a solidariedade a um amigo e a paixão pela namorada deste, acaba pendendo para o lado da paixão e tenta, da melhor maneira que consegue, manter uma conduta coerente com seus valores. O desfecho dessa história, no entanto, não difere muito das outras trágicas que são narradas paralelamente: Rael casa-se com a namorada do amigo e tem um filho. É traído pela companheira e pelo patrão, que o demite. Sem mulher, filho e trabalho, resolve matar o antigo patrão. Preso, morre na cadeia assassinado pelo companheiro de cela com uma caneta no ouvido. O romance aponta, em seu desfecho, para as dificuldades de trilhar um caminho dentro dessa ética complexa e movediça que aos poucos é revelada.

Com Manual Prático do Ódio (2003), seu segundo romance, Ferréz intensifica a pesquisa do anterior, na medida em que coloca no centro da narrativa um grupo de bandidos que tentam se associar, por meio da profissionalização do crime, e aumentar assim os rendimentos, realizando assaltos com melhor planejamento. Como em Capão Pecado, talvez de maneira mais consciente, os limites éticos e a sobrevivência no crime e fora dele dão o ritmo veloz da narrativa.

No mesmo ano, Ferréz lança o disco de rap Determinação. Seguindo a linha narrativa dos livros, o escritor traça o cotidiano da periferia. O disco traz participações de Chico César (1964) e Arnaldo Antunes (1960).

Ferréz publica em 2005 o livro infantil Amanhecer Esmeralda, que conta a história de uma menina negra e pobre, em processo de amadurecimento e conscientização sobre a realidade em que está inserida e sobre seus problemas sociais. Por meio de gestos de afeto que recebe, a menina escapa à resignação e à apatia e encontra uma nova maneira de encarar a vida e as pessoas. No mesmo ano, o autor lança a antologia Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica, que reúne textos de autores vindos da periferia. Os textos haviam sido publicados na revista Literatura Marginal, criada e editada por Ferréz em 2000.

No ano seguinte, Ferréz escreve um livro de contos e crônicas, Ninguém É Inocente em São Paulo, que reúne seis narrativas também ambientadas na periferia. De 2001 a 2010, atua como cronista na revista Caros Amigos e publica, em 2009, Cronista de um Tempo Ruim. No mesmo ano lança o documentário Literatura e Resistência, que conta os últimos 11 anos de sua história.

Ferréz busca em sua obra revelar a violência a que estão expostos seus personagens, à medida que investiga criticamente esses sujeitos, que são, ao mesmo tempo, vítimas e agentes do processo social no qual se inserem. Sua prosa busca reconstituir a musicalidade da variante linguística da periferia de São Paulo e constituir um ponto de vista literário e crítico interno a essa realidade.

Em 2015, lança Os ricos também morrem, livro de contos curtos e de leitura ágil. Aproximando-se da linguagem do rap, Ferréz transita entre realidade e ficção ao narrar, em 40 textos, a vida de personagens que vivem na periferia, assim como a violência que transita nestes espaços, seja pela criminalidade ou pela forte repressão policial exercida pelo Estado.

Ferréz usa a escrita como uma maneira de visibilizar a realidade de uma população marginalizada pela cidade e pelos meios tradicionais de produção artística. O autor usa sua potência de escritor para narrar cotidianos e histórias e abre espaço para que novos autores possam fazer o mesmo

Outras informações de Ferréz:

  • Outros nomes
    • Reginaldo Ferreira da Silva
  • Habilidades
    • Poeta
    • Romancista
    • Contista

Midias (1)

Ferréz - Série Encontra - Arte 1 (2019)
Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, escritor, poeta e romancista, apresenta como a arte e a literatura, salvaram sua vida. Funcionário de uma rede de fast-foods, rechaçado pelos preconceitos de classe e estéticos, ele inicia sua trajetória impulsionado por uma reportagem do jornal Notícias Populares sobre seu livro – ainda sem editora–, replicada pela Folha de S.Paulo. A partir daí, consegue publicar o livro e desenvolve sua produção literária – em poesia e prosa. Afeito a escrita à mão, recusa-se a ter computador em casa e a utilizá-lo para o trabalho. Seus originais, feitos de recortes de papéis e folhas avulsas, ficam guardados em estantes às quais apenas ele e a filha têm acesso.

A Enciclopédia Itaú Cultural apresenta a série Encontra, produzida pelo canal Arte 1. Em um bate-papo com Gisele Kato, o público é convidado a entrar nas casas e ateliês dos artistas, conhecendo um pouco mais sobre os bastidores de sua produção.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Arte 1
Direção: Gisele Kato/ Ricardo Sêco
Produção: Yuri Teixeira
Edição: Patrícia Sato

Espetáculos (1)

Eventos relacionados (7)

Artigo sobre Criação, Leitura e Autoria ou Como o Escritor Identifica Tendências e Problemas com os quais Sintoniza sua Literatura? (2009 : Rio de Janeiro, RJ)

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Temas do artigo:  
Data de inícioCriação, Leitura e Autoria ou Como o Escritor Identifica Tendências e Problemas com os quais Sintoniza sua Literatura? (2009 : Rio de Janeiro, RJ): 02-12-2009  |  Data de término | 02-12-2009
Resumo do artigo Criação, Leitura e Autoria ou Como o Escritor Identifica Tendências e Problemas com os quais Sintoniza sua Literatura? (2009 : Rio de Janeiro, RJ):

Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ

Fontes de pesquisa (1)

  • Programa do Espetáculo - Lisístrata: Sexo, Drogas e Greve - 2001. Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FERRÉZ . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa280342/ferrez>. Acesso em: 19 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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