Artigo da seção pessoas Junqueira Freire

Junqueira Freire

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deJunqueira Freire: 1832 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Salvador) | Data de morte 1855 Local de morte: (Brasil / Bahia / Salvador)

Biografia

Luís José Junqueira Freire (Salvador, Bahia, 1832 - Salvador, Bahia,1855). Poeta e monge beneditino. Desde a infância convive com problemas familiares, incluindo contendas, inclusive jurídicas, entre seus pais, José Vicente de Sá Freire e Felicidade Augusta de Oliveira Junqueira. Cedo apresenta problemas cardíacos, que provocam interrupções em seus estudos elementares. Sua trajetória escolar no Liceu Provincial de Salvador, iniciada em 1849, tem duração de apenas dois anos, pois, diante do desânimo com a própria existência, decide entrar para o Mosteiro de São Bento, em 1851. Professa os votos sacramentais na ordem beneditina no ano seguinte, adotando o nome Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire. Não demonstra vocação religiosa, mas, no campo da literatura, produz intensamente durante o período de clausura: escreve grande parte de sua obra poética, registra lições direcionadas aos jovens em compêndios de retórica e eloquência e começa a redigir um drama sobre Frei Ambrósio do Espírito Santo. Em novembro de 1854, consegue o breve de secularização que o dispensa das obrigações da vida no convento e volta a morar com sua mãe e irmã. Nos poucos meses de vida que lhe restam, devido ao agravamento de sua doença, prepara a edição do seu livro de poesia Inspirações do Claustro (1855). Morre apenas seis dias depois de sair o primeiro artigo sobre essa obra, escrito por Manuel Antônio de Almeida (1831 - 1861). Seu amigo e também poeta Franklin Dória (1836 - 1906) cuida das publicações dos originais de Contradições Poéticas e Elementos de Retórica Nacional (1869) e, quando da fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, escolhe-o como patrono da cadeira 25 dessa instituição.

Análise

Junqueira Freire é um dos mais destacados poetas do Romantismo brasileiro, pertencendo a uma geração marcada pelo individualismo, a qual conta também com Álvares de Azevedo (1831 - 1852), Fagundes Varela (1841 - 1875) e Casimiro de Abreu (1839 - 1860). Para o crítico Antonio Candido (1918), sua estreita dependência dos contrastes o torna um dos mais típicos representantes do espírito desse movimento. O próprio poema de abertura de Inspirações do Claustro, "Por que canto?", apresenta esse traço como motivador de seu fazer poético ("Cantarei o céu, o inferno,/ O mundo - o que me aprouver:/ Cantarei a Deus, o homem,/ Os amores da mulher").

Ao lembrar a previsão, enunciada pelo poeta no prólogo desse mesmo livro, de que este seria visto como "uma coleção de orações e blasfêmias", o escritor Machado de Assis (1839 - 1908) julga que é justamente esse "dúplice aspecto" que confere sinceridade ao drama expresso em versos. Como o título sugere, tal drama se relaciona sobretudo à sua opção pela vida monástica, iniciada sob o signo da dúvida. O poema "Os claustros", escrito menos de dois meses depois da entrada de Junqueira Freire no Mosteiro de São Bento, embora ressalte o valor dos monges de outros tempos, já traz indicações da decadência da instituição conventual ("Hoje, que resta ao fervor antigo?/ - Pálidas preces, a desleixo, e mornas,/ Bem como a voz do indiferente hipócrita/ Calam na laje, e ficam sepultadas"). Em outros poemas, como "O monge", a luta interior se mostra mais acentuada e a clausura é caracterizada como fruto de uma decisão equivocada do eu-lírico, motivada pela ilusão.

A presença da experiência concreta de Junqueira Freire na sua obra, mais do que a invenção, é frequentemente salientada pela crítica e pelo próprio poeta. No prólogo de Contradições Poéticas, ele começa por associar vida e obra ("Este livro é a história de minha vida") e, a fim de mostrar os aspectos da sua existência recobertos por sua pena, divide suas poesias em ortodoxas ou religiosas (inspiradas pela mãe), filosóficas (frutos da loucura e da degeneração da sua educação cristã pelos estudos filosóficos), eróticas (provocadas por "acessos de loucura" motivados pelo amor) e campestres (resultantes do contato com paisagens em momentos de retiro para tratamento da sua doença). Segundo Franklin Dória, de início o escritor realmente planeja publicar toda a sua coleção de poemas, assim classificados, sob o nome de Contradições Poéticas, mas os do primeiro tipo são separados do conjunto para formar Inspirações do Claustro, confirmando a importância que os três anos de monastério assumem em sua vida.

Quanto à questão da forma, Junqueira Freire declara a intenção de casar seus versos "com a prosa medida dos antigos", por julgar que usa mais a razão do que o sentimento. Afasta-se, assim, da musicalidade a que os românticos costumam recorrer, na tentativa de suprir a insuficiência da palavra na transmissão das emoções. Machado de Assis aponta falha no sistema escolhido pelo poeta, que teria resultado em versos incorretos e duros. O mesmo faz Antonio Candido, que aponta no desajuste entre a matéria complexa e tumultuosa, constituída pela confissão direta do drama, e a medida clássica, que demanda maior elaboração do conteúdo, a "contradição fundamental" da obra de Junqueira Freire.

Outras informações de Junqueira Freire:

  • Outros nomes
    • Luís José Junqueira Freire
  • Habilidades
    • Poeta

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JUNQUEIRA Freire. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2788/junqueira-freire>. Acesso em: 18 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7