Artigo da seção pessoas Cíntia Moscovich

Cíntia Moscovich

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deCíntia Moscovich: 15-03-1958 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Biografia

Cíntia Moscovich Faccioli (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1958). Contista, cronista, romancista, jornalista. De ascendência judaica, cursa o primário e o secundário no Colégio Israelita Brasileiro, formando-se em 1976. Dois anos depois, ingressa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC/RS, pela qual se gradua em Comunicação Social, em 1981, e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, onde cursa Letras, sem concluir. Em decorrência do trabalho do marido, muda-se, em 1983, para Dois Irmãos, Rio Grande do Sul, onde permanece por três anos, retornando a Porto Alegre. Decide dedicar-se à escrita após participar, entre 1995 e 1996, de oficina de criação literária na PUC/RS coordenada por  Luiz Antonio de Assis Brasil (1945). Por sugestão deste escritor, transforma a narrativa "Duas iguais", vencedor, em 1995, do Concurso de Contos Guimarães Rosa, do Departamento de Línguas Ibéricas da rádio France Internationale, de Paris, em romance: Duas iguais - Manual de Amores e Equívocos Assemelhados, lançado em 1998. A primeira publicação em livro, entretanto, ocorre em 1996, com os contos de O Reino das Cebolas. Tendo defendido mestrado em teoria literária na PUC/RS em 2000, trabalha como diretora do Instituto Estadual do Livro - IEL - de 2001 a 2002, e depois como editora da seção de livros do jornal Zero Hora, em que permanece até 2005. Desde então, vem se dedicando exclusivamente à literatura. Em 2007, a convite de uma editora, estreia no segmento infanto-juvenil, com Mais ou Menos Normal

Análise

Integrante da Geração 90, Cintia Moscovich vem compondo, no conto e no romance, obra centrada em refletir sobre as experiências da mulher e sobre o peso da tradição judaica sobre seus descendentes. Seus textos, assim, frequentemente retomam um mesmo mote - é o caso, por exemplo, da relação existente entre Por que Sou Gorda, Mamãe (2006) e o conto "A fome e a vontade de comer", de Anotações Durante o Incêndio (2000).

No romance, uma escritora, ao se dar conta de que engordou 22 quilos em quatro anos, dedica-se a rever a relação com a mãe. Entre a busca por amor e o medo da frustração, entre o afeto e a rebeldia, a obesidade se revela como metáfora para os traumas étnicos e familiares. Movimento parecido há na narrativa curta: é por meio da comida que a protagonista Ana retornará ao seio e às influências da família, a despeito do constante esforço em fugir de seu legado.

Os dois textos ilustram também o diálogo que esta obra estabelece com a tradição. O modelo para o livro de 2006 é Carta ao Pai, de Franz Kafka - do qual, entretanto, há o distanciamento progressivo. "A fome e a vontade de comer", por sua vez, recupera passagens bíblicas e demonstra a proximidade da autora com escritos como os de Freud. Nos contos, aliás, há referências constantes a autores como Clarice Lispector, Machado de Assis e o argentino Jorge Luís Borges.

A obra de Cintia Moscovich, interessada sobretudo em investigar os sentimentos e a forma como se reage a eles, tece ainda reflexões sobre as relações amorosas (heterossexual e entre mulheres), o enfrentamento das perdas e a solidão, frequentemente unindo o tom lírico ao humorístico ou irônico.

Outras informações de Cíntia Moscovich:

  • Outros nomes
    • Cíntia Moscovich Faccioli
  • Habilidades
    • Contista
    • escritora

Midias (1)

Cíntia Moscovich - Enciclopédia Itaú Cultural
A escritora e jornalista Cíntia Moscovich afirma que, quando começou a escrever, o fez por um caminho equivocado: o da poesia. “Era uma poesia lamentável, sofrível, ordinária, rastaquera e babaquara. Um troço muito ruim.” Ela só descobre que pode fazer prosa aos 35 anos. “A frustração que eu tive na poesia me preparou para enfrentar a prosa”, acredita. Seus textos, diz, são marcados por seu bairro, o Bonfim, em Porto Alegre, pelo judaísmo e por um tom intimista. “O tom intimista eu não pratico, muito embora a literatura traga o que há de mais interior, mais íntimo meu. Mas não creio que seja intimista no sentido de ser confessional, porque não creio numa literatura sem ação”, explica. Para Cíntia, a escrita feminina é como uma “assombração”. “É uma coisa que não existe, mas que amedronta a gente, justamente por ser um restritivo que tende a limitar a literatura, que se pretende uma atividade ampla e universal.”

Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

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Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CÍNTIA Moscovich. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa273714/cintia-moscovich>. Acesso em: 13 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7