Artigo da seção pessoas Ivan de Albuquerque

Ivan de Albuquerque

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deIvan de Albuquerque: 21-02-1932 Local de nascimento: (Brasil / Mato Grosso / Cuiabá) | Data de morte 29-10-2001 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Ivan de Albuquerque em cena de A Chave das Minas , 1977 , Gilda Vianna
Registro fotográfico Gilda Vianna

Biografia

Ivan de Campos Albuquerque (Cuiabá MT 1932 - Rio de Janeiro RJ 2001). Diretor e ator. Reconhecido na década de 1960 pela elaboração e detalhamento de sua encenação, é consagrado na década de 1970 com espetáculos em que alia refinado tratamento cênico a linguagem experimental.

Inicia-se em teatro em O Tablado e forma-se em direção na Fundação Brasileira de Teatro (FBT), em 1958, ao lado de Rubens Corrêa, Yan Michalski e Cláudio Corrêa e Castro. Já nessa fase da carreira se associa a Rubens Corrêa, com quem trabalha por mais de trinta anos, fundando o Teatro do Rio e o Teatro Ipanema.

No Teatro do Rio, estréia como diretor, em 1959, com Oscar, de Claude Magnier. Em 1961, acompanha o trabalho de Ziembinski em dois espetáculos da companhia, Espectros, de Henrik Ibsen, e O Círculo Vicioso, de Somerset Maugham. Em 1962, a encenação de A Invasão, de Dias Gomes, lhe vale todos os prêmios de melhor diretor do ano, distinguindo-se pela elaborada circulação do numeroso elenco no cenário de Anísio Medeiros. Em 1964, com Rubens Corrêa, inicia a construção do Teatro Ipanema. No mesmo ano, vai para São Paulo trabalhar como ator no Teatro Oficina sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, em Andorra, de Max Frisch. Em 1968, o lançamento da nova casa de espetáculos, cria para Ivan novas perspectivas no caminho da investigação de linguagem, com O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, que lhe confere o Prêmio Molière de melhor diretor. Em 1970, abre o teatro para o talento de Isabel Câmara, integrante da nova geração de dramaturgos paulistas, com As Moças. Ainda em 1970, é dado um passo radical em busca de uma forma inovadora, provocante e poética do espetáculo, com O Arquiteto e o Imperador da Assíria, de Fernando Arrabal, cuja encenação comporta um grau de transgressão inédito na trajetória do diretor e nos desempenhos dos dois intérpretes, Rubens Corrêa e José Wilker, com expressão corporal coordenada por Klauss Vianna, orientação pioneira na área do teatro. O espetáculo, consagrado no Rio de Janeiro e em São Paulo, vale ao diretor os prêmios Molière e Governador do Estado de São Paulo.

Trabalha como ator sob a direção de Rubens Corrêa em Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, 1971, o maior sucesso do grupo e um fenômeno na história do teatro. Abre-se então em sua carreira um hiato provocado pela perplexidade diante do autoritarismo político que atinge toda a produção artística brasileira. Depois de quatro anos de recolhimento para meditação e estudos, ele reaparece no Teatro Ipanema, em 1977, dirigindo outra peça de José Vicente, A Chave das Minas, em que conduz a companhia a um mergulho radical no teatro ritualístico, que se prenuncia desde espetáculos anteriores. Em 1981, leva o Troféu Mambembe de melhor direção por O Beijo da Mulher Aranha, de Manuel Puig. Em 1986, a montagem de Artaud!, colagens de textos de Antonin Artaud, leva ao minúsculo espaço do porão do teatro uma linguagem feita com economia de meios e, ao mesmo tempo, essencialmente teatral. O diretor cria um espetáculo de impacto, com a exuberante interpretação de Rubens Corrêa, que três anos depois ainda é apresentado para a platéia assumidamente reduzida (50 lugares) a que se dirigia. Nos anos 1980, o diretor e a equipe do Teatro Ipanema têm dificuldade de adaptar seu trabalho às exigências do mercado e às expectativas do público. A partir do fim dos anos 1980, tornam-se raras as aparições em cena do diretor.

Segundo o crítico Yan Michalski: "Um dos mais completos encenadores brasileiros [...], Ivan de Albuquerque também é um dos que conseguem equilibrar harmoniosamente um artesanato sólido e seguro e uma aguda capacidade de análise de textos com uma generosa abertura para linguagens novas e experimentais".1

Nota

1 MICHALSKI, Yan. Ivan de Albuquerque. In: ______. Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.

Outras informações de Ivan de Albuquerque:

  • Outros nomes
    • Ivan de Campos Albuquerque
    • Ivan Albuquerque
  • Habilidades
    • Tradutor
    • Produtor
    • Ator
    • diretor de teatro

Representação (1)

Espetáculos (50)

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Fontes de pesquisa (9)

  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: A Noite dos Assassinos - 1969 Não catalogado
  • LIMA, Mariângela Alves de. Quem faz o teatro. In: Anos 70: teatro. São Paulo: Europa [1979 ou 1980].
  • MICHALSKI, Yan. Ivan de Albuquerque. In: ______. Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
  • Programa do espetáculo - O Arquiteto e o Imperador da Assíria Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Black-Out -1967. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Diário de Um Louco - 1964. Não Catalogado
  • TEATRO IPANEMA. O Beijo da Mulher Aranha: 1981, Rio de Janeiro, RJ, [1981]. Programa do Espetáculo. Não catalogado
  • ______. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • IVAN de Albuquerque. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa263404/ivan-de-albuquerque>. Acesso em: 14 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7