Artigo da seção pessoas Rosyane Trotta

Rosyane Trotta

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deRosyane Trotta: 24-05-1962 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Rosyane Trotta (Rio de Janeiro RJ 1962). Diretora, autora, ensaísta, pesquisadora e professora. Discípula dileta do crítico Yan Michalski, especializa-se no tema de teatro de grupo, pesquisando seus princípios, conceitos, metodologias e mudanças no decorrer das décadas. Como dramaturga, integra-se ao processo de criação cênica, como em Em Cantos, 1998, e como diretora, se concentra na relação entre ator e espectador, como em O Malfeitor, 1996.

Forma-se em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, em 1983. Estuda na Casa das Laranjeiras, CAL, especializando-se como atriz em 1986. Torna-se mestre em teatro, no Centro de Letras e Artes da UFRJ, com a tese Paradoxo do Teatro de Grupo, 1995.

Inicia sua carreira no teatro, em 1984, como atriz em Galileu - Uma Nova Estrela no Céu, com direção de Anselmo Vasconcellos. Integra o elenco de O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, numa produção musical de teatro jovem, e Capitães da Areia, ambas encabeçadas pelo diretor Carlos Wilson, em 1984. Em 1986, atua em Ataca, Felipe!, reunião de seis textos de Artur Azevedo, com direção de Luis Antônio Martinez Corrêa, seu espetáculo de formatura na CAL.

Em 1988, escreve e dirige Os Náufragos, com um grupo de atores formado a partir de sua turma de classe na CAL. Realiza Estranhas Criaturas, reunião de fragmentos extraídos de Shakespeare, em 1989. No ano seguinte, dirige Transgressão, criação coletiva, na PUC. Em 1994, é a vez de O Incrível Exército de Lugar Nenhum, baseado em O Homem Imortal, de Luís Alberto de Abreu, na Escola Martins Pena. Em 1998, é dramaturgista de Em Cantos, numa direção de Ricardo Kosovski. Sobre o trabalho da dramaturgia, escreve Lucia Cerrone: "A autora, Rosyane Trotta, reúne os textos em nova obra com fio dramático centrado em dois personagens de destaque: o autor e seu assistente, que, a partir do ato de criação, introduzem outros personagens na trama. Numa história pouco linear, a peça se conta em bonitas cenas integradas, com começo, meio e fim. A estratégia da autora não é só eficiente mas muito inventiva, levando-se em consideração a difícil tarefa de lidar com o enredo tão fechado dos contos escolhidos. Mais do que a história que se conta, está em cena o processo de criação da autora e do diretor. Aqui, diferentemente de seus companheiros de palco que sempre tratam o assunto 'processo criativo' como obra de algum ser iluminado acima dos pobres mortais, o criador gasta suor e enlouquece com a inspiração para dar forma às suas idéias".1

Rosyane novamente dirige seus próprios textos, O Malfeitor, em 1997; Em Busca da Felicidade e As Viagens de Gulliver, ambos de 1999. Sobre O Malfeitor, escreve o crítico Lionel Fisher: "(...) demonstra a absurda irracionalidade de um processo que, sob a aparência de privilegiar a justiça, acaba se tornando profundamente injusto. E esse mecanismo é reforçado admiravelmente pela direção, que estabelece uma atmosfera opressora que, em muitos momentos, lembra a de O Processo, de Kafka".2

Em 2002, faz a dramaturgia para Dudu Sandroni, em Liga de Renda. É diretora de A Barca do Inferno, de Gil Vicente, em 2003, ano em que encena também Peça ao Seu Amante para Limpar os Pés Antes De Entrar Na Nossa Casa, de Daniela Pereira de Carvalho, Rodrigo de Roure e Roberto Alvim.

Como crítica, escreve no jornal Última Hora, em 1988; e no Jornal do Commercio, em 1996.

Dá aulas de história do teatro e montagem do espetáculo, no curso de graduação da Universidade Estácio de Sá de 1999 a 2003. É professora de teoria teatral e interpretação na Faculdade da Cidade de 1988 a 1990. Leciona história do teatro e literatura dramática no curso de interpretação da CAL de 1990 a 2001.

Traduz, juntamente com o crítico Yan Michalski, A Arte do Ator, de Jean-Jacques Roubine, pela Zahar, 1988. Publica, em co-autoria com Michalski, Teatro e Estado - As Companhias Oficiais de Teatro no Brasil, pela Ed. Hucitec, 1992.

Publica uma série de artigos relacionados a sua pesquisa pessoal sobre o trabalho de teatro de grupo: na revista Máscara, Teatro de Grupo: utopia e realidade; e Teatro de Rua Versus Teatro na Rua, na Revista do Festival Internacional Palco e Rua de Belo Horizonte, ambos em 1993. No ano seguinte, é a vez de O Teatro de Grupo na Era do Pensamento Econômico, na revista Ensaio Aberto, pelo Movimento de Teatro de Grupo de Minas Gerais e, em 1998, Grupos à Procura de Seus Pares, na revista Folhetim.

Ganha bolsa de dramaturgia do Programa de Bolsas Rio-Arte com o projeto Máscara Branca, em 1997. E, pelo Programa Vitae de Artes, para desenvolver a dramaturgia de O Homem que Vendeu o Samba, 2000. Escreve, também, uma série de verbetes para a Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro (2001/2005), e para o Dicionário de Teatro Brasileiro, com organização de João Roberto Faria, a ser lançado pela Editora Perspectiva.

Desde 1992, participa de palestras e mesas-redondas em vários estados do país, dissertando sobre temas variados, mas assiduamente sobre seu tema de pesquisa: o teatro de grupo.

Sobre sua contribuição a esse universo, escreve o Teatro de Anônimo, grupo que acompanha e partilha certas questões com a pesquisadora: "Rosyane Trotta passou a acompanhar nosso processo de criação (...) e a participar de algumas de nossas reuniões, inquietando-nos com uma profunda reflexão sobre os próprios conceitos de teatro e grupo que desenvolvíamos na prática (...). Ela abre novas perspectivas para a reflexão sobre o teatro de grupo, suas formas de produção e a conseqüente construção de uma estética e uma ética próprias.(...) Considerando sua história como diretora e pesquisadora e sua proposta de um pensamento dinâmico e ousado sobre ética de grupo, formas de produção teatral e sobre o trabalho criativo do ator, além da preciosa colaboração que tem prestado àqueles indivíduos ou grupos com os quais estabelece parceria, nos é seguro considerar Rosyane Trotta como referência fundamental para os que fazem e pensam o teatro hoje".3

Notas

1. CERRONE, Lúcia. Driblando as tentações do teatro cabeça, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 jul. 1998.

2. FISCHER, Lionel. A irracionalidade da burocracia, Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 04 dez. 1996.

3. TEATRO DE ANÔNIMO. Carta de apresentação ao projeto "o palhaço e a rebelião", de Rosyane Trotta, instituto rio arte, Rio de Janeiro, jun. 1997.

Outras informações

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    • Rosyane Trotta
  • Habilidades
    • autor
    • diretor de teatro
    • pesquisador

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Fontes de pesquisa (4)

  • CERRONE, Lúcia. Driblando as tentações do teatro cabeça, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 de julho de 1998.
  • FISCHER, Lionel. A irracionalidade da burocracia, Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1996.
  • TEATRO DE ANÔNIMO. Carta de apresentação ao projeto "o palhaço e a rebelião", de Rosyane Trotta, Instituto Rio Arte, Rio de Janeiro, junho de 1997.
  • TROTTA, Rosyane. (currículum vitae). Cronologia das atividades realizadas ao longo da carreira profissional. Rio de Janeiro, 2005.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ROSYANE Trotta. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa26338/rosyane-trotta>. Acesso em: 27 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7