Artigo da seção pessoas Luiz Paulo Fernandez Conde

Luiz Paulo Fernandez Conde

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLuiz Paulo Fernandez Conde: 1934 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 2015 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Luiz Paulo Fernandez Conde (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1934 – Idem, 2015). Arquiteto, urbanista e político. Forma-se em arquitetura em 1959. Durante a graduação, trabalha com arquitetos como Flávio Marinho Rego (1925-2001) e Jorge Machado Moreira (1904-1992). Formado, trabalha na Fundação Otávio Mangabeira. Em 1964, assume o cargo de assessor do arquiteto Paulo Acorsi, na Universidade Rural, no qual se mantém até 1967. Em 1968, participa do concurso do edifício da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Com a vitória do projeto, os arquitetos associam-se, e Conde continua realizando trabalhos com outros arquitetos como Joaquim Guedes (1932-2008). Com base nessa sociedade, funda, em 1974, o escritório Luiz Paulo Conde Arquitetos Associados. No mesmo ano, assume a presidência do Departamento Carioca do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/RJ) e permanece no cargo por dois biênios (1974-1978).

Em 1993, assume a Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio de Janeiro (1993-1996) e a prefeitura do Rio de Janeiro (1997-2000). Também exerce os cargos de: secretário estadual de Articulação Governamental (1999-2002), vice-governador (2003-2006), secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (2003-2006), secretário de Cultura (2006-2010), presidente da Estatal Furnas Centrais Elétricas (2007-2008) e sócio-fundador da ONG Vivercidades.

As atividades de docência e pesquisa iniciam-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula, na qual ingressa em 1966, e continuadas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ), que dirige entre 1988 a 1992. 

Análise

Luiz Paulo Conde afirma que arquitetura moderna brasileira, alcançada com a construção de Brasília, entra em crise no final da década de 1950, caindo num formalismo excessivo, distante das necessidades do país1. A revisão da arquitetura e do urbanismo no Brasil impõe-se como necessidade. Conde segue a metodologia operativa2, proposta pelo crítico italiano Bruno Zevi (1918-2000) e caminhos trilhados por arquitetos italianos, comprometidos com a revisão do movimento moderno nos anos 19603.  Dedica-se à história da arquitetura e da cidade do Rio de Janeiro de 1925 a 1945, identificando qualidades espaciais, formais e urbanas que justificam a retomada contemporânea. O Complexo Urbanístico Alfabarra (1975-94), o Centro de Treinamento e Aperfeiçoamento de Pessoal da Bradesco Seguros (1982-1985), ambos no Rio de Janeiro, e a Escola Matriz da Fundação Bradesco (1987-1991), em Osasco (São Paulo), são exemplos dessa retomada. Neles, Conde recupera a ambiência da cidade tradicional pela implantação dos edifícios nos limites dos lotes. Define a quadra, a rua e a calçada, e separa o espaço público do privado.
 
Esses edifícios retomam preceitos acadêmicos, como a composição tripartida em base, corpo e coroamento, a predominância dos cheios sobre os vazios, e a organização da planta ao redor de um pátio interno. A escolha dos materiais define-se em função de clima, durabilidade e manutenção dos edifícios e retomada das características da arquitetura popular e tropical do país. Ao adotar essa atitude, utiliza cores fortes como amarelo, azul e rosa e revestimentos cerâmicos.

Como Secretário Municipal de Urbanismo e Prefeito do Rio de Janeiro, Conde desenvolve dois programas de impacto na cidade: o Favela-Bairro4 e o Rio-Cidade. 

Notas

1 Essa crítica é recorrente a partir dos anos 1950, especialmente com a segunda edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo (1953-1954). Para se aproximar desse debate, ver Guilherme Teixeira Wisnik, Formalismo e tradição: a arquitetura moderna brasileira e sua recepção crítica. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2003.

2 Essa metodologia é ensaiada no livro Saber ver a arquitetura (1948) e descrita na conferência A história como metodologia operativa, proferida na Universidade de Roma, em dezembro de 1963 e publicada no ano seguinte.

3 Sobre esses arquitetos ver o capítulo sete do livro de Paolo Portoghesi, Depois da arquitetura moderna. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1985.

4 Projeto de urbanização das comunidades cariocas que ocorre de 1994 a 2008, idealizado por Luiz Paulo Conde. O projeto planeja melhorias em infraestrutura, serviços sociais, regulamentação imobiliária e a implementação de uma creche em cada comunidade urbanizada. Tem o espaço público como prioridade e visa que cada projeto seja discutido pelos moradores.

Outras informações de Luiz Paulo Fernandez Conde:

Fontes de pesquisa (19)

  • BASTOS, Maria Alice Junqueira. Pós-Brasília: rumos da arquitetura brasileira: discurso, prática e pensamento. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 2003. 277 p., il. p&b.
  • CONDE, Luiz Paulo. Anônimo, mas fascinante: Protomodernismo em Copacabana. Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, n. 16, p. 68-75, fev. /mar. 1988.
  • CONDE, Luiz Paulo. Complexo Habitacional Alfabarra. Projeto. São Paulo, n. 117, [s.p.], dez. 1988.
  • CONDE, Luiz Paulo. Edifícios Queen Mary, Queen Vitória e Queen Cristina. Projeto. São Paulo, n. 133, p. 66, jul. 1990.
  • CONDE, Luiz Paulo. Expressão urbana define tipologia habitacional. Projeto. São Paulo, n. 65, p. 74-8, jul. 1984.
  • CONDE, Luiz Paulo. Galerias e pátios definem transição interior/ exterior. Projeto. São Paulo, n. 107, p. 87-90, fev. 1988.
  • CONDE, Luiz Paulo. Um clássico moderno. Projeto. São Paulo, n. 171, p. H1- 7, jan./ fev. 1994.
  • CONDE, Luiz Paulo; NOGUEIRA, Mauro; ALMADA, Mauro & SOUZA, Eleonora F. Proto-modernismo em Copacabana: uma arquitetura que não está nos livros. Arquitetura Revista. Rio de Janeiro, n. 3, p. 40-49, 1985.
  • GUIA DA ARQUITETURA MODERNA NO RIO DE JANEIRO. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra/ Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, 2000, 210 pp. il. p& b.
  • GUIA de arquitetura Art Déco no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Urbanismo, 1997.
  • LUIZ Paulo Conde - un arquitecto carioca. Santafe de Bogota: Escala, 1994.
  • MELENDEZ, Adilson; SERAPIÃO, Fernando. Luiz Paulo Conde. Arcoweb, São Paulo, out. 2001. Seção Entrevista. Disponível em: < https://arcoweb.com.br/projetodesign/entrevista/luiz-paulo-conde-01-10-2001 >. Acesso em: 17 jan. 2011.
  • OSBORN, Catherine. A História das Urbanizações nas Favelas Parte II: Favela-Bairro (1988-2008). Rioonwatch: relatos das favelas cariocas, Rio de Janeiro, 7 mar. 2013. Disponível em: < http://rioonwatch.org.br/ >. Acesso em: 1 fev. 2017.
  • PEREIRA, Margareth Romão. Luiz Paulo Conde, reflexões na prática. Projeto. São Paulo, n. 161, p. 24-31, mar. 1993.
  • PORTOGHESI, Paolo. Depois da arquitetura moderna. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1985.
  • PREFEITURA da Cidade do Rio de Janeiro. Cidade Inteira. A política habitacional da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1999. Acesso em: 20 jan. 2011.
  • WISNIK, Guilherme Teixeira. Formalismo e tradição: a arquitetura moderna brasileira e sua recepção crítica. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2003.
  • ZEVI, Bruno. La historia como metodologia operativa. Summarios. Buenos Aires, ano 1, n. 5, p. 9-14, fev./ mar. 1977.
  • ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1978.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUIZ Paulo Fernandez Conde. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa26174/luiz-paulo-fernandez-conde>. Acesso em: 23 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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