Artigo da seção pessoas Wagner Tiso

Wagner Tiso

Artigo da seção pessoas
Música / teatro  
Data de nascimento deWagner Tiso: 12-12-1945 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Três Pontas)

Biografia

Wagner Tiso Veiga (Três Pontas MG 1945). Pianista, compositor, arranjador, regente. Filho de Francisco Ribeiro Veiga, bancário, e Walda Tiso Veiga, professora de piano, Wagner é o segundo dos cinco filhos do casal. Em família de músicos, aprende a tocar acordeão ainda criança. Aos 11 anos participa de grupo musical da cidade, no qual um dos cantores é Milton Nascimento, que se torna seu amigo.

A família muda-se para Alfenas, Minas Gerais, para dar condições de estudo aos filhos. Nessa cidade, inspirado no conjunto The Platters, Tiso organiza o grupo W's Boys, cujo crooner é Milton Nascimento. Entre 1958 e 1961, o conjunto toca em bailes na região com repertório composto de músicas norte-americana, brasileira e boleros. Vai para Belo Horizonte para se dedicar profissionalmente à música. Monta o conjunto Holiday, com o amigo Milton e seu irmão mais velho, Gileno, e grava o primeiro compacto duplo. Logo em seguida, eles criam o Berimbau Trio, com Paulinho Braga. Depois formam com Marilton Borges o conjunto Evolussamba. Os ensaios ocorrem no apartamento da família de Lô Borges, iniciando o movimento Clube da Esquina. Tiso participa ainda das gravações do grupo Sambacana.

Em 1964, vai morar no Rio de Janeiro. Faz parte de vários conjuntos, entre eles o de Paulo Moura, com quem estuda teoria musical e orquestração, de 1965 a 1967. Produz arranjos e toca com Maysa, Cauby Peixoto, Marcos Valle, Ivon Curi e participa do 4º Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1968, com a canção O Viandante, parceria com o baixista Novelli, defendida por Taiguara. Faz com Nascimento a trilha do filme Os Deuses e os Mortos, 1970, de Ruy Guerra.

Na década de 1970 lidera o grupo Som Imaginário e grava. Grava três LPs: Som Imaginário I (1970), Som Imaginário II (1971) e Matança do Porco (1973), marcos da música instrumental brasileira. Continua a carreira de arranjador e instrumentista e mantém colaboração com Nascimento. Participa ativamente de seus discos como arranjador e compositor, desempenhando papel central nos LPs Clube da Esquina (1972), Milagre dos Peixes (1973), Ao Vivo (1974), Native Dancer (1975) e Minas (1975). No fim da década muda-se para Los Angeles e ao retornar inicia carreira solo. Grava seu primeiro LP solo, Wagner Tiso, em 1978, e depois Assim Seja, em 1979. Compõe trilhas para cinema (entre vários filmes, Jango, Inocência, Chico Rei), teatro (em Poema Sujo) e TV (minissérie Primo Basílio, TV Globo).

Nos anos 1980, faz shows pelo Brasil e apresenta-se com regularidade no exterior. Grava nove discos. Em 1984, sua composição Coração de Estudante, com letra de Nascimento, torna-se música-tema do movimento político das Diretas Já. Originalmente gravada como tema instrumental do filme Jango, do cineasta Silvio Tendler, ganha o Kikito de melhor trilha do Festival de Gramado. Nos anos 1990, além de sete discos lançados e o trabalho como arranjador e instrumentista, compõe a trilha do filme A Ostra e o Vento (1997), de Walter Lima Jr. Para esse mesmo diretor faz, em 2008, a trilha de Os Desafinados e, no ano seguinte, a trilha de Duas Mulheres, de João Mário Grilo. Em 2002, produz os arranjos do disco em homenagem a Humberto Teixeira, O Doutor do Baião, lançado pela gravadora Biscoito Fino. Em comemoração dos seus 60 anos, lança pela Universal Music O Som Imaginário, caixa com DVD e 2 CDs, gravados na apresentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com a participação de Gal Costa, Milton Nascimento e Cauby Peixoto. Em 2009, lança o disco Samba e Jazz.

Comentário crítico

A trajetória artística de Wagner Tiso somente pode ser compreendida em sua tripla condição de compositor, instrumentista e arranjador. Em cada uma dessas áreas distintas, o artista realiza obra importante que deve ser abordada de maneira independente, mas complementar. Como compositor, ele se movimenta com tranquilidade pelo universo da música popular e erudita, reforçando uma característica bastante peculiar da cultura musical brasileira, cuja tradição se inicia pelo menos no século XIX. Ainda nesse sentido, não se limita a alguns gêneros, transitando com desenvoltura pela música internacional, a latino-americana, a regional, a bossa nova, o rock e o jazz. Essa variedade permite que ele se apresente em diversos espaços de sociabilidade musical: na indústria fonográfica, televisão, festivais, teatro, cinema e dança.

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Outras informações de Wagner Tiso:

  • Outros nomes
    • Wagner Tiso Veiga
  • Habilidades
    • pianista
    • compositor
    • arranjador
    • regente/maestro

Espetáculos (4)

Fontes de pesquisa (6)

  • BORGES, Márcio. Os sonhos não envelhecem: histórias do Clube da Esquina. São Paulo: Geração Editorial, 1996.
  • GARCIA, Luiz Henrique. Coisas que ficaram muito tempo por dizer: o Clube da Esquina como formação cultural. 160 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, 2000.
  • MARTINS, Bruno Viveiros, Som imaginário. A reivenção da cidade nas canções do Clube da esquina, BH, Edufmg, 2009.
  • Museu Clube da Esquina. http://www.museudapessoa.net/clube/index.htm.
  • SILVA, Beatriz Coelho. Wagner Tiso: Som, Imagem, Ação. Coleção Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009.
  • VIEIRA, Francisco Carlos Soares Fernandes. Pelas esquinas dos anos 70: utopia e poesia no Clube da Esquina. 136 f. Dissertação (Mestrado em Poética) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • WAGNER Tiso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa26114/wagner-tiso>. Acesso em: 20 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7