Artigo da seção pessoas Egberto Gismonti

Egberto Gismonti

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deEgberto Gismonti: 05-12-1944 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Carmo)

Biografia

Egberto Amin Gismonti (Carmo RJ 1947). Compositor, arranjador e multi-instrumentista. De família musical, começa muito cedo a estudar piano no Conservatório de Música da cidade de Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Na capital do estado, é aluno do pianista cearense Jacques Klein e de Aurélio Silveira. Com o tempo e de maneira autodidata, aprende a tocar instrumentos como a flauta, mas principalmente o violão, que o acompanha por toda a carreira, tornando-se um virtuose. Em 1968 viaja para Paris para estudar com os compositores Nadia Boulanger (1887 - 1979) e Jean Baraqué (1928 - 1973). No ano seguinte, como regente e arranjador, acompanha a cantora e atriz francesa Marie Laforêt no Teatro Bobino e se apresenta em alguns festivais, como o de San Remo, na Itália.

No Brasil participa do 3º e do 4º Festival Internacional da Canção, respectivamente com as composições O Sonho (1968) e Mercador de Serpentes (1969). Em 1969 grava seu primeiro LP, Egberto Gismonti (Elenco), e no ano seguinte lança Sonho 70 (Polydor). Nos anos 1970 inicia fase muito produtiva, gravando na Europa, Janela de Ouro, Orfeo Novo e Computador, e no Brasil, Água e Vinho (1972), Egberto Gismonti (1973), Academia de Danças (1974), Corações Futuristas (1975), Dança das Cabeças (1976), Carmo (1977), Sol do Meio-Dia (1978), Nó Caipira (1978) e Solo (1979). Os discos dessa década são essencialmente instrumentais e bastante experimentais, transitando pela música eletrônica, atonalismo, jazz, música indígena e novas experiências rítmicas. Neles, o multi-instrumentista se revela, apresenta violões de 8, 10, 12 e 14 cordas com afinações diversas, flautas indígenas, aparelhos indianos entre outros.

Na década seguinte mantém o ritmo criativo na produção de discos e amplia suas experiências com a música indiana e a erudita, o jazz, além de aprofundar antigas parcerias e realizar novas. Grava discos na Europa e no Brasil, como Circense e Sanfona (1980), Em Família (1981), Fantasia (1982), Cidade Coração (1983), Egberto Gismonti (1984), Duas Vozes (1985), Trem Caipira (1985), Alma (1986), Feixe de Luz (1988) e Dança dos Escravos (1989). Nos anos 1990 permanece produzindo discos no Brasil e na Europa pelo selo alemão Edition of Contemporary Music (ECM), com destaque para Meeting Point, de 1997, homenagem a Stravinski, realizado com a Orquestra Sinfônica da Lituânia. Gismonti é um dos primeiros artistas brasileiros a tornar-se proprietário das matrizes de seus discos. No início do século XXI diminui o lançamento de discos, mas continua em plena atividade na gravadora que funda, a Carmo. Por ela pretende aprofundar sua larga experiência na produção musical e divulga trabalhos de André Geraissati, Robertinho Silva, Nando Carneiro e Luiz Eça.

Além das atividades com gravação e espetáculos, faz inúmeras trilhas sonoras para teatro, cinema, balé e especiais de TV. Com o filho Alexandre, lança o disco Saudações, em 2009.

 

Comentário crítico

É difícil enquadrar a obra de Egberto Gismonti nos limites dos gêneros musicais estabelecidos ou em qualquer tipologia. Sua produção apresenta uma indefinição que, no entanto, não é rara na música brasileira. Gismonti é um compositor que se apresenta na tradição iniciada na música brasileira ainda no século XIX, em que as fronteiras entre a música popular e a erudita, a regional, a nacional e a internacional são completamente diluídas. Sua ampla formação musical, a condição de multi-instrumentista e as experiências com diversas tradições o colocam numa encruzilhada de onde partem e para onde convergem vários caminhos e alternativas.

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Outras informações

  • Outros nomes
    • Egberto Amin Gismonti
    • Egberto Amim
  • Habilidades
    • compositor
    • Instrumentista
    • arranjador
    • cantor/Intérprete

Espetáculos (9)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (9)

  • CIRINO, Giovani. Narrativas musicais: performance e experiência na música popular instrumental brasileira. São Paulo, Ed Annablume, 2009.
  • EGBERTO Gismonti. In: MARCONDES, Marcos Antonio (org). Enciclopédia da música brasileira. Erudita, folclórica, popular, SP, Publifolha, 2000
  • EGBERTO Gismonti. In: KFOURI, Maria Luiza, Músicos do Brasil: uma enciclopédia instrumental. Disponível em: http://www.musicosdobrasil.com.br Acesso em: 15/07/2010.
  • HISTÓRIA da Música Popular Brasileira - Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal, LP, São Paulo, Ed. Abril, 1983.
  • MELO, Rúrion Soares. O "popular" em Egberto Gismonti. In: Novos estudos CEBRAP, São Paulo, 78, julho 2007, pp. 191-200.
  • RODRIGUES, Késia Decoté. Música popular instrumental brasileira (1970-2005): uma abordagem subsidiada pelo estudo da vida e obra de oito pianistas. Dissertação de mestrado Universidade Federal do Rio De Janeiro - Música, 2006.
  • VILELA Sibila Godoy. Dança das Cabeças: A Trajetória musical de Egberto Gismonti. Dissertação de mestrado, UNI-RIO - Escola de Música, 1998.
  • FONTA, Sérgio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 2011 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Seria Cômico...Se Não Fosse Sério - 1976 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • EGBERTO Gismonti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa26104/egberto-gismonti>. Acesso em: 25 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7