Artigo da seção pessoas Alceu Valença

Alceu Valença

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Música  
Data de nascimento deAlceu Valença: 01-07-1946 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / São Bento do Una)

Biografia

Alceu de Paiva Valença (São Bento do Una, Pernambuco, 1946). Cantor e compositor. Cresce ouvindo Dalva de Oliveira (1917-1972), Silvio Caldas (1908-1998) e Orlando Silva (1915-1978). Aos 4 anos, apresenta-se em concurso infantil, cantando “É Frevo, Meu Bem”, do compositor pernambucano Capiba (1904-1997). Também tem como referência os artistas Jackson do Pandeiro (1919-1982), Luiz Gonzaga (1912-1989), Marinês (1935-2007) e o avô Orestes Alves Valença, poeta e violeiro. Aos 10 anos, muda-se para Recife. Aos 19, inicia o curso de direito na Universidade do Recife e forma-se advogado, mas abandona a profissão. Estuda também jornalismo, e segue com a música, participando de festivais. A carreira profissional inicia-se em 1968, com o show Erosão: a Cor e o Som. Apresenta-se com a banda underground, já antecipando a mistura de influências, da música regional ao pop. Participa também do 5o Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, para onde se muda um ano depois. Aproxima-se do também pernambucano Geraldo Azevedo (1945), com quem grava o disco Quadrafônico (1972). A convite do cantor e diretor Sérgio Ricardo (1932), volta a Pernambuco para uma experiência como protagonista e intérprete das canções do filme A Noite do Espantalho (1974). Seu primeiro disco solo, Molhado de Suor (1974), chama a atenção da crítica. Em 1975, ganha projeção no Festival Abertura da TV Globo, com a canção “Vou Danado pra Catende”, cujo show homônimo se transforma no primeiro disco ao vivo, Vivo, lançado no ano seguinte. Nessa época, inicia amizade com Jackson do Pandeiro, com quem realiza shows pelo Brasil.

Em 1977, lança o elogiado álbum Espelho Cristalino, mas seu nome só ganha expressão nacional em 1980, com Coração Bobo, cuja faixa título se transforma em sucesso. Cavalo de Pau (1982) repete o êxito e vende 500 mil cópias. Suas músicas integram trilhas de novelas na TV, o que potencializa as vendas de seus lançamentos. Seguem os sucessos “Anunciação” (1983), “Solidão” (1984), “Estação da Luz” (1985), “Andar, Andar” (1990) e “Tesoura do Desejo” (1991).  

Com Elba Ramalho (1951), Geraldo Azevedo e Zé Ramalho (1949), participa da série de shows Grande Encontro, registrado em CD homônimo em 1996. Em Ciranda Mourisca (2009), Alceu revisita sua discografia e resgata músicas não tocadas nas estações de rádio. Suas composições são gravadas por artistas como Elba Ramalho, Maria Bethânia (1946) e Luiz Gonzaga.

Análise

Da geração pós-bossa nova, Alceu Valença  destaca-se por um estilo musical que combina as origens nordestinas, maracatu, coco, baião, frevo e repente de viola com pop, rock e blues. Ainda criança, no Recife, ouve e interessa-se pela música de Orlando Silva e Dalva de Oliveira e dos norte-americanos Little Richard (1932) e Ray Charles (1930-2004). Aos poucos, suas referências ecléticas abrangem do fado até a música oriental. A performance de palco também é destaque, incorpora um caráter circense, trazido da experiência dos pequenos circos que passam por sua cidade natal. Performático e artista por vocação, divulga o show Vou Danado pra Catende, percorrendo praias e bares do Rio de Janeiro usando pernas-de-pau e caracterizado como o bobo da corte. Graças a essa faceta, os principais críticos musicais começam a falar desse inusitado artista. Em entrevista concedida a Ana Maria Bahiana (1950), comentando sua performance cênica, Alceu diz: “Tem gente que pensa que eu tou doido, mas não tou não, eu faço sabendo mesmo, sentindo cada coisa”. Com base nesse show é lançado o disco Vivo.

Residindo na França, em 1979, grava Saudade de Pernambuco, disco com forte presença dos ritmos musicais  nordestinos. Nesse cenário, lança a música “Coração Bobo”, uma fusão de toada com baião, dedicada a Jackson do Pandeiro. A canção é responsável por sua volta ao Brasil e pelo primeiro disco a vender mais de cem mil cópias. O auge, porém, acontece com o álbum Cavalo de Pau  que traz entre suas oito faixas os sucessos “Como Dois Animais” e “Tropicana”. 

Alceu Valença projeta a música de sua região, com Forró de Todos os Tempos, de 1998, com o qual ganha o prêmio Sharp na categoria Melhor CD Regional e fortalece a execução do forró no Sudeste. Ligado ao carnaval de Pernambuco, a partir da segunda metade da década de 1970, grava frevos na série de álbuns Asas da América, e dá expressão nacional ao carnaval de Olinda. Com os álbuns, o frevo deixa de ser uma música cultuada apenas em sua terra natal. Em Olinda, Alceu torna-se representante do carnaval e lidera o bloco Maluco Beleza, que costuma sair na Quarta-Feira de Cinzas. 

Outras informações de Alceu Valença:

  • Outros nomes
    • Alceu Paiva Valença
    • Alceu de Paiva Valença
  • Habilidades
    • Compositor
    • violonista
    • Cantor/Intérprete
  • Relações de Alceu Valença com outros artigos da enciclopédia:

Fontes de pesquisa (7)

  • AO VIVO em todos os sentidos. Direção de Karla Sabah. Rio de Janeiro: Indie Records, 2003. DVD.
  • BAHIANA, Ana Maria. O taumaturgo crazy do Nordeste. Jornal de Música, nº 10, p. 6, set. 1975.
  • CÂMARA, Renato Phaelante da. MPB – compositores pernambucanos: coletânea bio-músico-fonográfica, 1920-1995. Recife: Editora Massangana, 1997.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. p. 801.
  • MACIEL, Anamelia. Alceu Valença em frente e verso. Recife: Edição do Autor, 1989.
  • SEVERIANO, Jairo; MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras, vol. 2: 1958-1985. São Paulo: Editora 34, 1998. (Ouvido Musical).
  • VALENÇA, Alceu. Entrevista concedida pelo cantor e compositor ao jornalista Leandro Souto Maior. Rio de Janeiro, 27 ago. 2009.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALCEU Valença. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa256005/alceu-valenca>. Acesso em: 22 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7