Artigo da seção pessoas Marilena Ansaldi

Marilena Ansaldi

Artigo da seção pessoas
Teatro / dança  
Data de nascimento deMarilena Ansaldi: 04-11-1934 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Marilena Ansaldi (Maria) em cena de Fundo de Olho , 1978 , Ruth Toledo
Registro fotográfico Ruth Toledo

Biografia
Maria Helena Ansaldi (São Paulo SP 1934). Atriz e coreógrafa. Pioneira na criação de espetáculos que unem dança, teatro e recursos multimídia, a intérprete-criadora é precursora da dança-teatro no Brasil.

Filha do barítono italiano Paulo Ansaldi e da corista Maria Nazareth da Silva, desde pequena ambiciona ser bailarina, mas a resistência paterna obriga-a a postergar a iniciação e só entra para a Escola Municipal de Bailado como aluna regular em 1951. Em 1952, já chama a atenção com uma dança oriental na ópera Thais e, no ano seguinte, passa à primeira bailarina, quando interpreta solos especialmente criados para ela. Em 1958, afastada da Escola por divergências internas, vê-se obrigada a trabalhar em boates, mas é readmitida e passa a dançar todo o repertório do Corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo. Em 1962 participa do Festival da Juventude em Helsinki, Finlândia, e segue viagem à Rússia, onde obtém bolsa de estudos no Balé Bolshoi. Em 1964 interpreta Zarema, um dos papéis principais da ópera A Fonte, de Baychisaray, e é cumprimentada por Krushev, que assiste ao espetáculo.

Em 1965 volta para o Brasil e casa-se com o crítico teatral Sábato Magaldi. Inicia atividades no campo da coreografia e participa de espetáculos de balé moderno dirigidos por René Gumiel. Em 1966 cria o Balé de Câmara, com Victor Austin, Peter Hayden e Márika Gidali. Como primeiro trabalho do grupo cria coreografia sobre Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. A partir de 1968 é uma das diretoras da Sociedade Ballet de São Paulo, criando coreografias sobre A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, e Maria Stuart, de Schiller.

Em 1975 lança-se à criação de um espetáculo solo, inspirada em texto que escreve em um momento de crise. Em sua autobiografia, Atos, descreve: "Escrevi alguma coisa, um texto que falava do que eu havia deixado de ser, do que eu não sabia se poderia ser e das coisas que me amarravam e das quais precisaria me libertar. Vi que aquilo já nascia em forma de roteiro, o esboço de um espetáculo. No dia seguinte, comecei a retrabalhar o texto, com a plena consciência de que estava tentando projetar um espetáculo teatral. Basicamente, era um roteiro visual, com descrição de imagens".1 O diretor Iacov Hillel ensaia com base na improvisação, tentando encontrar formas para as imagens do roteiro, que trata da libertação das amarras do balé clássico e da procura de uma nova forma de expressão. Isso ou Aquilo estréia no Espaço Galpão, obtém êxito de público e crítica e conquista os prêmios Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA); Molière e Governador do Estado de São Paulo do ano de 1975. Dois anos depois, é apresentado na Itália, na Alemanha e, no Festival de Nancy, na França.

Seguem-se espetáculos nos quais Ansaldi produz, cria e interpreta a partir de roteiro inspirado em um autor. Um dos maiores sucessos da década de 70, Escuta, Zé!, parte do livro de Wilhelm Reich, modificado nos ensaios, com a inclusão de depoimentos pessoais dos atores/bailarinos, sob a direção de Celso Nunes. Em 1979 cria Um Sopro de Vida, direção de José Possi Neto, a partir da obra de Clarice Lispector, que volta a inspirá-la em 1989, com A Paixão Segundo G.H., agora junto com a diretora Cibele Forjaz. No autobiográfico Jogo de Cintura a atriz-criadora conta sua vida entremeada por trechos de seus espetáculos. Em Se, de 1983, com Roberto Gallizia, integrante do Teatro do Ornitorrinco, aborda a condição da mulher, questionando idéias feministas. Em 1987 interpreta um texto teatral, Hamletmachine, de Heiner Müller, com direção de Marcio Aurelio, e, em 1991, com Clitemnestra, de Marguerite Yourcenar, aposta no talento do então iniciante diretor Antônio Araújo, hoje consagrado por seu trabalho à frente do Teatro da Vertigem.

Marilena também coreografa espetáculos teatrais, como A Viagem, de 1972, com direção de Celso Nunes. Participa como atriz das produções da TV Globo Rabo de Saia, de 1995, com direção de Walter Avancini, e, em 1986, da regravação da novela Selva de Pedra.

Em sua autobiografia, Marilena declara: "Tudo o que construo no teatro me chega através da música. A cor, o espaço e o próprio texto são ditados por uma inspiração musical. E cada música gera sua própria imagem".2

Sempre à margem dos esquemas comercias, Marilena Ansaldi é uma artista inconfundível por sua presença cênica, corpo em que dança e teatralidade fundem-se numa expressão dramática própria, que dota suas interpretações de forte impacto emocional, apesar do desenho milimétrico e coreografado de seus movimentos.

Notas
1. ANSALDI, Marilena. Atos. São Paulo: Maltese, 1994, p. 153.

2. Ibid. p. 15.

Outras informações de Marilena Ansaldi:

  • Outros nomes
    • Maria Helena Ansaldi
  • Habilidades
    • coreógrafo
    • ator
    • bailarina

Representação (1)

Espetáculos (31)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (5)

  • ANSALDI, Marilena. Atos. São Paulo: Maltese, 1994.
  • ANSALDI, Marilena; CHAMIE, Emilie; HILLEL, Iacov. Entrevista concedida a Linneu Dias. São Paulo: Centro Cultural São Paulo / IDART, 1976.
  • Jorge Amado, Angelina Muniz, Dona Flor e Seus Dois Maridos juntos no Brigadeiro. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • PICASSO E Eu. Direção José Possi Neto. São Paulo, 1982. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado em 1982.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MARILENA Ansaldi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa253168/marilena-ansaldi>. Acesso em: 25 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7