Artigo da seção pessoas Alfredo Mesquita

Alfredo Mesquita

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deAlfredo Mesquita: 26-11-1907 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 23-11-1986 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Retrato de Alfredo Mesquita , 1976 , Octávio Araújo
Reprodução fotográfica Kyong-Il Chum (John)

Biografia
Alfredo Mesquita (São Paulo SP 1907 - idem 1986). Diretor e autor. Fundador do conjunto amador Grupo de Teatro Experimental (GTE), uma das raízes para a criação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), e, posteriormente, criador da Escola de Arte Dramática (EAD).

Faz uma série de especializações em Paris, na França, entre 1935 e 1937, como curso de teatro com Louis Jouvet, no Théâtre de L'Athenée; com Gaston Baty, no Théâtre de Montparnasse; no Collège de France; na Sorbonne e na Escola do Louvre.

Em 1936, escreve A Esperança da Família, levada a cena por Procópio Ferreira. No mesmo ano, Alfredo Mesquita encena no Teatro Municipal, outro texto de sua autoria, Noite de São Paulo, um espetáculo de sociedade montado com reminiscências da vida nas fazendas de café. Em 1937, mais uma peça sua é dirigida por Procópio: Em Família. Em 1938, Mesquita encena Casa Assombrada e, no ano seguinte, Dona Branca, ambos novamente escritos por ele próprio.

Abre, em 1942, a Livraria Jaraguá, logo após ter fundado a revista Clima, importante órgão veiculador de novas idéias e posicionamentos culturais. A livraria torna-se ponto de encontro da intelectualidade paulistana e, igualmente, local de reunião dos amadores teatrais, que decidem fundar, ainda em 1942, o Grupo de Teatro Experimental, GTE. 

A estréia se dá com À Quoi Rêvent les Jeunes Filles, de Alfred Musset, em francês. Seguem-se À Sombra do Mal, de Lenormand, 1943; Fora da Barra, de Sutton Vane, 1944; Os Pássaros, de Aristófanes, 1945; O Avarento, de Molière, 1945; As Alegres Comadres de Windsor, de William Shakespeare, 1946; e À Margem da Vida, de Tennessee Williams, 1947. Entre os autores nacionais são encenados o próprio Alfredo Mesquita, com Heffemann, 1944; Carlos Lacerda, com A Bailarina Solta no Mundo, 1945; e Abílio Pereira de Almeida, com Pif-Paf, 1946, e A Mulher do Próximo, 1948.

No mesmo ano, funda a Escola de Arte Dramática, EAD, inicialmente funcionando no Externato Elvira Brandão e, no ano seguinte, no edifício do Teatro Brasileiro de Comédia, TBC. O empreendimento torna-se a menina dos olhos de Alfredo, a ele dedicando-se em tempo integral. Torna-se legendária a sopa, servida aos alunos antes das aulas, confeccionada com produtos de sua fazenda. Transferindo-se, posteriormente, para um casarão em Higienópolis, a EAD, noutra fase, será abrigada no Liceu de Artes e Ofícios, mas encontrando dificuldades em manter-se de modo independente é incorporada, em 1968, à Universidade de São Paulo, USP.

Dentro da EAD, Alfredo Mesquita encena várias peças de sua autoria: Um Abrigo, 1952; Mãe e Filha, 1952; O Malentendido, 1959; Luar Pela Janela, 1964; Os Pirâmidas, 1967. Para o TBC, dirige A Senhoria, de Jacques Audiberti, 1959.

Sobre a personalidade do Dr. Alfredo, assim descreve o crítico Décio de Almeida Prado: "A EAD não difere muito de outras instituições do gênero. A sua especificidade, a sua fisionomia própria, começa a partir da personalidade de seu fundador e mantenedor. Alfredo Mesquita, por temperamento, por formação, nunca se submeteu - e não se submete ainda - ao comportamento convencional que os outros ou as circunstâncias oficiais esperam dele. Não possui duas maneiras de ser ou de falar - a pública e a particular. Dando aulas ou fazendo conferências, endereçando-se a alunos ou a autoridades, em reuniões privadas ou em solenidades públicas, não muda de tom, mantém-se sempre o mesmo, ele mesmo, com os seus divertidos modismos de expressão, as suas peculiaridades de fala, como se estivesse em casa, conversando com os amigos. Nesse sentido, ninguém é menos protocolar, mais avesso ao formalismo burocrático, seja nos atos, seja nas palavras. E foi assim, com essa falta de cerimônia, que dirigiu a Escola, enquanto ela esteve em suas mãos, importando-se muito com as pessoas, com as coisas concretas, mesmo as miúdas, e muito pouco com normas administrativas ou pedagógicas. Impunha respeito, sem abdicar da natural irreverência do seu espírito".1

 

Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. Alfredo Mesquita visto de um só ângulo. In: EAD 1948-68: catálogo comemorativo dos 20 anos da Escola de Arte Dramática. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo: Fundação Anchieta, 1985. p. 15.

Outras informações de Alfredo Mesquita:

  • Outros nomes
    • Alfredo Mesquita
  • Habilidades
    • diretor de teatro
    • autor
    • dramaturgo

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Fontes de pesquisa (6)

  • EAD 1948-68: catálogo comemorativo dos 20 anos da Escola de Arte Dramática. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo: Fundação Anchieta, 1985.
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 149 p. (Debates, 211).
  • HELIODORA, Barbara. Quem é quem nas artes e nas letras no Brasil: parte teatro. Rio de Janeiro: Ministério das Relações Exteriores, 1966.
  • MESQUITA, Alfredo. Depoimento. In: DEPOIMENTOS II. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1977.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • SILVA, Armando Sérgio da. Uma oficina de atores: a Escola de Arte Dramática de Alfredo Mesquita. São Paulo: Edusp, 1989. 284 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALFREDO Mesquita. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa251294/alfredo-mesquita>. Acesso em: 14 de Ago. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7