Artigo da seção pessoas Geraldo Ferraz

Geraldo Ferraz

Artigo da seção pessoas
Literatura / artes visuais  
Data de nascimento deGeraldo Ferraz: 1905 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Campos Novos Paulista) | Data de morte 1979 Local de morte: (Brasil / São Paulo / Santos)

Biografia
Benedito Geraldo Ferraz Gonçalves (Campos Novos de Paranapanema, atual Campos Novos Paulista, SP, 1905 – Santos, SP, 1979). Jornalista, crítico de arte e escritor. Perde os pais aos dez anos, e passa a viver com o irmão, a tia e a avó. Aos 14 anos, trabalha como entregador e tipógrafo nas tipografias Magone e Condor. No início da década de 1920, escreve o romance Sombras e Reflexos.

Por intermédio do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), trabalha como revisor na Revista do Brasil. Com a transferência da edição da revista para o Rio de Janeiro, procura trabalho em jornais, iniciando assim sua carreira como profissional da imprensa, atividade que exerce até o fim da vida, atuando como repórter, secretário, articulista, editor e crítico de arte. Colabora com os periódicos de São Paulo Jornal do Comércio, Diário da Noite, Correio da Tarde, A Gazeta, Diário de S. Paulo e O Estado de S. Paulo; A Tribuna, de Santos; e o Diário da Noite e O Jornal, ambos do Rio de Janeiro.

Em 1927, publica seu primeiro ensaio, na revista carioca Festa, sobre o escritor Lima Barreto (1881-1922). No ano seguinte, conhece o escritor Oswald de Andrade (1890-1954) e frequenta o grupo modernista, tornando-se responsável pela edição e diagramação da “segunda dentição” da Revista de Antropofagia, em 1929. Entre 1933 e 1934, atua junto à Frente Única Anti-Fascista. Em 1937, funda, junto com colegas do Diário da Noite, a revista O Homem Livre, semanário criado para combater a Ação Integralista Brasileira (AIB).1 Ao lado de Quirino da Silva (1897-1981) e outros, participa da organização das duas primeiras edições do Salão de Maio, em 1937 e 1938.

Em 1940, passa a viver com a escritora Patrícia Galvão (1910-1962), a Pagu, transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1942. Edita a revista Vanguarda Socialista, dirigida pelo crítico Mario Pedrosa (1900-1981), que circula entre 1945 e 1948. Em 1946, retorna a São Paulo e assume a direção do Suplemento Literário do Diário de S. Paulo, cargo que ocupa até 1948. Nesse período, colabora também com a agência France Press.

Em 1953, integra o júri de seleção da 2ª Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). No ano seguinte, muda-se para Santos. Em 1956, substitui o crítico Lourival Gomes Machado (1917-1967) nas colunas de artes plásticas do jornal O Estado de S. Paulo, permanecendo por 15 anos nessa função. Em 1961, viaja pela primeira vez à Europa, enviando artigos e entrevistas para publicação na coluna. De volta ao país, participa do processo de instituição da Fundação Bienal, em 1962, e compõe a assessoria de artes plásticas, ao lado de Sérgio Milliet (1898-1966) e Walter Zanini (1925-2013).2

Como crítico de arte, publica os livros Lívio Abramo (1955), Warchavchik e a Introdução da Nova Arquitetura no Brasil 1925-1940 (1965), Wega Liberta em Arte e a coletânea de ensaios críticos Retrospectiva. Figuras, Raízes e Problemas da Arte Contemporânea (ambos em 1975), além de redigir prefácios para diversos catálogos. É autor dos romances A Famosa Revista (1945), em coautoria com Pagu, e Doramundo (1957); do livro de memórias Depois de Tudo; e do livro de contos Km 63 (1979).

Comentário crítico
No exercício constante do que Ana Hoffmann afirma ser “uma crítica didática, orientadora e formadora de opinião, que intermedeia o acesso do público dos leitores de um jornal ao sistema das artes”,3 Geraldo Ferraz é referência para o entendimento das bases do processo de institucionalização da arte moderna no Brasil na segunda metade do século XX. A partir da década de 1940, o autor desenvolve uma atuação mais consistente como crítico de arte, principalmente depois que assume, em 1956, a coluna de artes plásticas do jornal O Estado de S. Paulo. Os artigos para essas colunas, somados aos ensaios que publica em livros e catálogos, constituem o núcleo de sua atividade como crítico de arte.

continuar a leitura do texto Continuar a leitura do texto...

Outras informações de Geraldo Ferraz:

Exposições (13)

Fontes de pesquisa (4)

  • CAVALCANTI, Carlos (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1974. v.2: D a L. (Dicionários especializados, 5). IC R703.0981 C376d v.2 pt. 1
  • Destinos Mistos/Heloisa Pontes. - São Paulo, Companhia das Letras, 1998 xxxxxx
  • HOFFMANN, Ana Maria Pimenta. Crítica de Arte e Bienais: as contribuições de Geraldo Ferraz. 2007. 251 f. Tese (Doutorado em Artes Visuais) - Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), São Paulo, 2007. Não catalogado
  • Pontual R703.0981 P818d

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GERALDO Ferraz. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa249/geraldo-ferraz>. Acesso em: 23 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7