Artigo da seção pessoas Nuno Ramos

Nuno Ramos

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deNuno Ramos: 05-03-1960 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Milky Way , 1995 , Nuno Ramos
Registro fotográfico Eduardo Ortega

Nuno Alvarez Pessoa de Almeida Ramos (São Paulo, São Paulo, 1960). Artista plástico, escritor e músico. Forma-se em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) em 1982. Durante a graduação, edita a revista Almanaque-80 com poemas, ensaios e artes visuais, e a revista Kataloki, um panorama da poesia paulista do período. Em 1983, funda o ateliê Casa 7 com os artistas plásticos Paulo Monteiro (1961), Rodrigo Andrade (1962), Carlito Carvalhosa (1961) e Fábio Miguez (1962). No ano seguinte, Nuno recebe o Prêmio Aquisição do 2º Salão de Paulista de Arte Contemporânea e o Prêmio Viagem ao Exterior do 7º Salão Nacional de Artes Plásticas. Em 1985, participa da 18ª Bienal Internacional de São Paulo com o grupo Casa 7. Até 1991, desenvolve pinturas e, depois, esculturas, instalações e produção de textos. Em 1993, a Editora 34 publica o seu primeiro livro, Cujo, e, em seguida, o livro-objeto Balada (1995). Vence, em 2000, o concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Mais tarde, publica também Pão do Corvo, O Mau Vidraceiro, Ó e Ensaio Geral, seu livro mais recente. Este último destaca-se por reunir textos literários, fragmentos da produção artística, projetos e ensaios. Ao longo da carreira, recebe diversos prêmios e bolsas de estudo, como a Bolsa Vitae e o Prêmio da Associação Nacional de Críticos de Arte, em 1994; o Prêmio Mário Pedrosa como artista de linguagem contemporânea da Associação Brasileira de Críticos de Arte (Abca), em 2005; e o prêmio da Barnett and Annalee Newman Foundation, Nova York, pelo conjunto da obra e pela contribuição às artes visuais, em 2006.

Análise

Ao longo da carreira, Nuno Ramos desenvolve sua obra em artes visuais, literatura, música e cinema. Como artista, experimenta muitos suportes: de 1988 até 1990, destacam-se quadros de grandes dimensões que recebem aplicação de diversos materiais, como parafina, breu, lona e sucata. A partir de 1990, explora escultura, instalação e land art. O texto passa a ser recorrente em seus trabalhos. Desse novo período, distingue-se a obra 111, instalação que relembra o assassinato de 111 presidiários pela polícia militar, em 1992, na rebelião da Casa de Detenção de São Paulo, por ordem do governador Luís Antonio Fleury Filho (1949). A obra apresenta, no Instituto Estadual de Artes de Porto Alegre, 111 lápides em forma de paralelepípedos, cobertas de asfalto e com os nomes das vítimas. Cada paralelepípedo traz um recorte de jornal com a notícia do massacre além de cinzas de páginas da Bíblia. Na parede, o artista fixa um texto de sua autoria em letras de parafina em pequenas superfícies de vidro também preenchidas com folhas da Bíblia queimadas. A obra 111 revela a preocupação com os direitos humanos.

Ao contrário de muitos artistas contemporâneos, Nuno não compreende vida e obra como coisas de mesma natureza, entre as quais se realiza uma continuidade. Para ele, essa relação só se dá por caminhos forçados, o que o leva a instaurar descontinuidade radical em seus trabalhos. Como afirma o crítico Rodrigo Naves (1955), Nuno busca “a revelação de uma instância bruta da realidade”, “uma formalização que, em lugar de domesticar, exponencie a materialidade do mundo”1, daí a importância da matéria em sua obra. A matéria está presente mesmo no uso da linguagem, pois as palavras são realizadas com materiais como a parafina, e devem ser esculpidas como tal. O crítico Lorenzo Mammì (1957) compara a escrita de Nuno com os quadros e observa em ambos o mesmo comportamento: não é possível uma visão unitária, nem uma leitura por partes. Para ele, os trabalhos de Nuno Ramos surgem de uma comunicação interrompida entre corpo e signo que faz com que a obra “transborde de um lado ou de outro: num excesso de matéria ou num excesso de significado”2. Dada sua complexidade, é difícil apreender a obra de Nuno Ramos. Com várias proposições formais, sua unidade parece residir nos questionamentos que propõe.

Notas

1. Ver NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos: uma espécie de origem. In: NAVES, Rodrigo. O Vento e o Moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

2. Ver MAMMÌ, Lorenzo. Noites brancas. Curitiba: Casa da imagem, 1999.

Outras informações de Nuno Ramos:

  • Outros nomes
    • Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos
  • Habilidades
    • Escultor
    • Desenhista
    • Cenógrafo
    • ensaísta
    • Pintor
    • Ilustrador
    • Poeta
    • Gravador
  • Relações de Nuno Ramos com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Nuno Ramos: (56) obras disponíveis:

Título da obra: O Duelo

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoO Duelo : 1985
Autores da obra:
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Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: 111

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criação111 : 1992
Autores da obra:
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Legenda da imagem representativa:

Registro fotográfico Eduardo Ortega

Todas as obras de Nuno Ramos:

Midias (2)

Nuno Rumos - Encontros
Itaú Cultural

Nuno Ramos, 2009
Na mente inquieta de Nuno Ramos, as pedras brilham, a chuva fala e burrinhos carregam vozes. Em atuação desde 1984, o paulistano expressa o que chama de “operações pictóricas” – frutos de seu imaginário e de seus conflitos internos – por meio de gravuras, pinturas, fotografias, poesia e vídeo. Em suas criações, há uma tentativa de infringir o que seria um pensamento estético. Essa busca é feita a partir do uso de matérias-primas como madeira, tecido, arame, cal, esmalte sintético, mármore e granito, com as quais ele desenvolve desenhos, que ganham cores, texturas e formas geométricas, resultando em peças tridimensionais. “Tem algo do mundo das fábulas. Apesar de trabalhar com certa dose de violência, coisas que quebram e são razoavelmente agressivas, no limite, o que eu faço é da ordem da conciliação”, conceitua.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (229)

Artigo sobre Arte na Rua 2

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArte na Rua 2: 09-1984
Resumo do artigo Arte na Rua 2:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Todas as exposições

Eventos relacionados (9)

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Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2011: 12-05-2011  |  Data de término | 15-05-2011
Resumo do artigo sp-arte 2011:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (40)

  • NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos: uma materialismo invulgar. In: ______. O Vento e o moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 531 p., il. p&b.
  • AMARAL, Aracy. Uma nova pintura e o grupo da casa 7. In: Casa 7. São Paulo: Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/USP); Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna (MAM/RJ), 1985. (catálogo).
  • ARÊAS, Vilma. Palavras no chão. In: Morte das Casas – Nuno Ramos. São Paulo: CCBB, de 21/4/2004 a 20/6/2004.
  • ARTISTAS brasileiros na 20ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRASIL em Veneza: Arthur Bispo do Rosário, Nuno Ramos. Curadoria Nelson Aguilar; texto Lorenzo Mammì; apresentação Edemar Cid Ferreira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1995. [26] p., il. color.
  • CASA 7. Tradução Barbara Gancia. São Paulo: Subdistrito Comercial de Arte, 1985.
  • CASA 7: pintura. São Paulo: MAC/USP, 1985.
  • Catálogo casa 7, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1985.
  • CONDE, Miguel. Volta ao mundo. O Globo, Rio de Janeiro, 21 ago. 2010. Prosa e Verso, p. 1.
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Arte brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Silvia Roesler, 2008. p. 236-239.
  • FARIAS, Agnaldo. Nuno Ramos. In: Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • GONÇALVES FILHO, Antônio. Primeira Individual. São Paulo: Cosac & Naify, 2009. p. 199-211.
  • JAÚ e arte: um compromisso. Apresentação Marcantônio Vilaça; texto Lorenzo Mammì, Márcio Doctors, Paulo Herkenhoff, Rodrigo Naves, Sônia Salzstein; tradução Lilian Camargo Veirano Astiz; fotografia Romulo Fialdini, Pedro Franciosi, Eduardo Brandão, Antonio Ribeiro, Sérgio Zalis, Lobo Lobato, Bob Wolfenson; projeto gráfico Noris Lisboa. São Paulo: Jaú Construtora e Incorporadora, 1989. [74] p., il. color.
  • LAGNADO, Lisette. Les Enfants terribles da Casa 7. Arte em São Paulo, São Paulo, n.30, maio 1985.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MAMMÌ, Lorenzo. Noites brancas. Curitiba: Casa da imagem, 1999.
  • MARTÍ, Silas. Nuno Ramos equaliza o sublime e o grotesco. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 set. 2010. Ilustrada, E7.
  • MODERNIDADE: arte brasileira do século XX. Curadoria Aracy Amaral, Frederico Morais, Roberto Pontual, Marie-Odile Briot. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.
  • NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos esculpe com o verbo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 mar. 2006. Cultura, D7.
  • NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos: uma espécie de origem. In: ______. O Vento e o moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 531 p., il. p&b. 
  • NAVES, Rodrigo; TASSINARI, Alberto. Nuno Ramos. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999.
  • PINTO, Manuel da Costa. Nuno Ramos. In: PINTO, Manuel da Costa. Literatura brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2005.
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Apresentação Ricardo Ribenboim, Marcos Mendonça; texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.
  • RAMOS, Nuno. Afinidades e diversidades. Curadoria Vanda Mangia Klabin; texto Vanda Mangia Klabin. São Paulo: [s.n.], 2004. [8] p., il. color.
  • RAMOS, Nuno. Cujo. São Paulo: Editora 34, 1993.
  • RAMOS, Nuno. Ensaio geral. São Paulo: Globo, 2007.
  • RAMOS, Nuno. O mau vidraceiro. São Paulo: Globo, 2010.
  • RAMOS, Nuno. O pão do corvo. São Paulo: Editora 34, 2001.
  • RAMOS, Nuno. Ó. São Paulo: Iluminuras, 2008.
  • RAMOS, Nuno. Para Goeldi. São Paulo: AS Studio, 1996.
  • RAMOS, Nuno. Bandeira branca, amor. Folha de S.Paulo, São Paulo, 17 out. 2010.
  • RAMOS, Nuno. Por que sou artista?. Arte em São Paulo, São Paulo, n. 29, mar. 1985.
  • TASSINARI, Alberto. Entre passado e futuro. In: Casa 7. São Paulo: XVIII Bienal de São Paulo, 1985. (catálogo).
  • TASSINARI, Alberto. Nuno Ramos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2010.
  • TASSINARI, Alberto; MAMMÌ, Lorenzo; NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos. São Paulo: Ática, 1997.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • __________. Morte das casas. Texto Vilma Arêas, Paulo Venancio Filho; projeto gráfico Rodrigo Andrade, Marcos Brias; versão em inglês Paulo Andrade Lemos. São Paulo: Centro Cultural Banco do Brasil, 2004. 152 p., il. color.
  • __________. Nuno Ramos. Apresentação Helena Severo, Vanda Mangia Klabin, Tadeu Chiarelli; texto Alberto Tassinari, Rodrigo Naves; fotografia Eduardo Giannini Ortega, Vicente de Mello, Pedro Franciosi, Bruce M. White, Romulo Fialdini, Sérgio Zalis, Nuno Ramos, Cesar Medeiros, Fulvio Ozsenigo; projeto gráfico Rodrigo Andrade; tradução Paulo Henriques Britto, Jonathan Morris, Regina de Barros Carvalho; curadoria Alberto Tassinari, Rodrigo Naves. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1999. 96 p., 65 il. color.
  • __________. Nuno Ramos. Fotografia Romulo Fialdini; texto Alberto Tassinari; arte Jaime Prades. São Paulo: MAC/USP, 1988. [12] p., il. color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NUNO Ramos. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2459/nuno-ramos>. Acesso em: 10 de Dez. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7