Artigo da seção pessoas Vidal

Vidal

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Artes visuais  
Data de nascimento deVidal: 1791 Local de nascimento: (Reino Unido / Inglaterra / Bedford) | Data de morte 1861 Local de morte: (Reino Unido / Inglaterra / Brighton)
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Panorama de la Baie de Rio-Janeiro , 1816 , Vidal
Reprodução fotográfica Caio Kauffmann/Itaú Cultural

Biografia
Emeric Essex Vidal (Bedford, Inglaterra, 29 de março de 1791 - Brighton, Inglaterra, 7 de maio de 1861). Pintor, Secretário no Brasil para assuntos ingleses. Ingressa na Marinha Real Britânica em 1806. Torna-se secretário do Comandante do navio H. M. S. Clyde, função que denotava a produção de documentos, cartas marítimas, desenhos e panoramas dos locais visitados.

Em 1808, vem ao Brasil pela primeira vez em um dos navios ingleses que acompanham a família real portuguesa em fuga de Portugal. Fica possivelmente até 1811, haja vista a estada média de três anos para oficiais ingleses em cada posto. Retorna ao país entre 1816 e 1819, como comissário para as costas do Brasil e da Argentina. Percorre o Rio Grande do Sul, além de Buenos Aires, Argentina e Montevidéu, Uruguai. Em 1820, em Londres, publica o livro Picturesque illustrations of Buenos Ayres and Monte Video¹.

Retorna ao Brasil entre 1826 e 1829. Sua última viagem ao país se da entre 1834 e 1837. Nesta ocasião é secretário do Almirante Graham Eden Hamond. No período, comparece a diversas festas e comemorações da família real e de personalidades brasileiras e estrangeiras. Fala correntemente o português, sendo, segundo indicação do Almirante, seu intérprete e tradutor.

Realiza excursões para diversas localidades do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco e de Santa Catarina, local em que executa, além de suas tarefas profissionais, diversos desenhos e panoramas em aquarela, alguns deles medindo cinco metros de comprimento. Visita também o Museu Nacional de Belas Artes - MNBA e a Academia Imperial de Belas Artes - Aiba. Em 1836, oferta um desenho de Pernambuco ao príncipe holandês Henrique de Orange, então em visita ao Brasil. Aproxima-se do pintor e professor da Academia Imperial, August Muller (1815 - ca.1883), e de sua esposa. Em 1837, seu superior, Hamond, o demite do cargo de secretário, o que antecipa sua volta à Inglaterra.

Comentário Crítico:
Emeric Essex Vidal não é um artista profissional. Nos relatos e diários que escreve, ou naqueles em que é citado, torna-se evidente o seu compromisso como oficial da marinha britânica e com os outros serviços diários que esta lhe solicita. Os trabalhos visuais que realiza sobre o Brasil, ao longo de mais de duas décadas de viagens, quase que exclusivamente em aquarela, são assim consequência de um entre vários outros deveres: o de construir "documentos visuais" (topografias e cartografias marítimas), cujo fim é mais prático que artístico.

Entretanto, há desenhos que excedem o compromisso apenas prático (como os que oferece a seus amigos e personalidades no Brasil). Ainda que em muitos deles Vidal reitere seu interesse pelas marinhas, também sugere, em outros, apontamentos sobre o seu entorno. Um deles é a crítica que faz do regime escravista brasileiro do século XIX. Suas imagens nunca representam homens e mulheres brancos. Evidenciam, ao contrário, o tráfico e o trabalho do negro escravo como força motriz da economia brasileira, algo que ele (assim como um de seus chefes, o Almirante Graham Hamond), acha inaceitável.

Do ponto de vista artístico, Vidal é melhor colorista que desenhista. Os efeitos de cores e as gradações tonais quentes que confere às suas imagens favorecem a representação de ambientes brasileiros tal como foram, por muito tempo, relatados por viajantes e somente descobertos com a abertura dos portos para as nações amigas: são imagens de uma natureza luxuriante, envolta em um clima tropical, sempre ensolarado.

Notas
¹ Há um exemplar desse livro na coleção Brasiliana Itaú.

Outras informações de Vidal:

  • Outros nomes
    • Emeric Essex Vidal
  • Habilidades
    • Pintor

Obras de Vidal: (2) obras disponíveis:

Exposições (12)

Fontes de pesquisa (18)

  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 2v.
  • AYALA, Walmir (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1980. v.4: Q a Z. (Dicionários especializados, 5).
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. O Brasil dos viajantes: a construção da paisagem. São Paulo: Metalivros, 1994. v. 3.
  • BÉNÉZIT, Emmanuel-Charles. Dictionnaire critique et documentaire des peintres, sculpteurs dessinateurs et qraveurs: de tous les temps et de tous les pays par un groupe d´écrivains spécialistes français et étrangers. Nova edição revista e corrigida. Paris: Grund, 1976. 10 v.
  • BERGER, Paulo (org.). Pinturas e pintores do Rio antigo. Apresentação de Sérgio Sahione Fadel. Textos de Paulo Berger, Herculano Gomes Mathias e Donato Mello Júnior. Rio de Janeiro: Kosmos, 1990.
  • FERREZ, Gilberto. Iconografia do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Casa Jorge, 2000.
  • FERREZ, Gilberto. A muito leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro : quatro séculos de expansão e evolução : iniciativa de Raymundo de Castro Maya em comemoração do IV centenário da fundação da cidade/textos e organização de Gilberto Ferrez. Rio de Janeiro: Raymundo de Castro Maya: Candido Guinle de Paula Machado: Fernando Machado Portella: Banco Boavista, 1965.
  • GULLAR, Ferreira et al. 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • HAMOND, Graham Eden. Os diários do Almirante Graham Eden Hamond. Rio de Janeiro: Ed. J.B, 1984.
  • LAGO, Pedro Aranha Corrêa do. Iconografia paulistana do século XIX. Prefácio José Mindlin; fotografia Fernando Chaves. São Paulo: Metalivros, 1998.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MUSEUS CASTRO MAYA. Museu da Chácara do Céu (Rio de Janeiro, RJ) (org.), MUSEUS CASTRO MAYA. Museu do Açude (Rio de Janeiro, RJ) (org.). Museus Castro Maya: Museu do Açude, Chácara do céu. Tradução Sylvia Lemos; apresentação Carlos Martins; comentário Dora Alcântara. Rio de Janeiro: Agir, 1994. 349p. il. color. p.63.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • RIO de Janeiro, capital d'além-mar: na coleção dos Museus Castro Maya. Tradução Ricardo Schaeppi. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994.
  • RIOS, Adolfo Morales de los. Grandjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: s.n., 1941.
  • VIDAL, E. E. Picturesque ilustrations of Buenos Aires and Monte Video. Editorial Mitchell's English Book-Store. Buenos Aires, 1944.
  • VIDAL, Emeric Essex. São Salvador da Baía de Todos os Santos: vista panorâmica, aquarelas, 1835 - 1837. Apresentação Pedro Henrique Mariani. Textos de Maximiliano de Habsburgo e Pedro Agostinho. s.l.: Banco da Bahia Investimentos S.A., 1996. Edição fac-similar.
  • VISÕES do Rio na coleção Geyer. Curadoria Maria de Lourdes Parreiras Horta. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • VIDAL . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa24554/vidal>. Acesso em: 21 de Fev. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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