Artigo da seção pessoas Rafael Frederico

Rafael Frederico

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deRafael Frederico: 1865 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 1934 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Interior de Atelier , 1898 , Rafael Frederico
Reprodução fotográfica Rômulo Fialdini

Biografia

Raphael Frederico (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1865 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1934). Pintor e professor. Perde o pai na infância e sua educação é assumida pela avó paterna, que o orienta a matricular-se na Escola Naval. Em 1877, porém, matricula-se na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), e muda-se com a mãe para um casebre no Morro de São Januário. Ambos sobrevivem da confecção de paramentos religiosos. Por conta de dificuldades materiais, os cursos da Academia são realizados de maneira intermitente e concluídos apenas na década de 1890. É aluno de Victor Meirelles (1832-1903) e Agostinho da Motta (1824-1878). Envolve-se na disputa entre positivistas e modernos (ou “os novos”), em torno da renovação do ensino artístico na Academia, no fim dos anos 1880. Frequenta o Atelier Livre, formado pelo grupo dos novos, fora da Aiba. Em 1890, integra exposição na sede do ateliê, ao lado de Eliseu Visconti (1866-1944), Fiuza Guimarães (1868-1949), Bento Barbosa (1866-?) e França Júnior (1838-1890). Em 1893, conquista o prêmio de viagem à Europa no concurso anual da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), concorrendo sob o pseudônimo “Brasil”. Viaja no ano seguinte, fixando-se em Paris, onde estuda com o pintor francês Pascal Dagnan-Bouveret (1852-1929). Em 1896, transfere-se para Roma, onde realiza estudos e cópias. Envia-os à Enba, e convive com Zeferino da Costa (1840-1915) de quem é assistente nos projetos para decoração da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Retorna ao Rio, em 1899, ano em que obtém medalha de ouro de 2ª classe, por um conjunto de aquarelas apresentado na Exposição Geral de Belas Artes. A partir de 1914, abandona a produção artística e deixa de frequentar salões e exposições de arte. Dedica-se ao magistério, lecionando desenho em estabelecimentos de ensino públicos e privados, no Rio de Janeiro.

Análise

Rafael Frederico participa de um período importante da história da arte brasileira: a passagem da Academia Imperial para a Escola Nacional de Belas Artes, após a proclamação da República. O período é marcado por projetos em busca de reformas no ensino e na cultura acadêmica. Artista negro e de origem humilde, alcança a possibilidade de ascensão econômica e social ao ingressar e concluir os cursos da Aiba. Frederico posiciona-se contra a instituição no momento em que ela é questionada. Na disputa entre “velhos” e “novos”, “positivistas” e “modernos”, fica ao lado dos últimos. Frequenta e expõe no Atelier Livre, organizado  por eles no centro do Rio de Janeiro. Restabelecida a ordem, o artista é um dos beneficiados pelos resultados da revolta, que  reivindica a volta da concessão dos prêmios de viagem. Frederico conquista-o em 1893 e segue para Paris no ano seguinte. Depois, estabelece-se em Roma.

Suas principais obras são produzidas no período em que vive e trabalha na capital italiana. Pratica todos os gêneros pictóricos: pintura religiosa e histórica, retrato, natureza-morta, paisagem, cenas de gênero e interiores, além de estudos de nu. Entre os quadros de temática religiosa, destacam-se A Tentação de Santo Antão (1890) e A Descida da Cruz (1897), ambos no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro.

A vontade de renovação verifica-se também em sua obra, atingindo mais a técnica do que a composição. Apresenta uma dinâmica interessante de pinceladas curtas e manchas, principalmente no tratamento dos fundos em estudos de nus e algumas cenas de interiores, como Antes do Ensaio (c. 1896-1899). A tela representa bailarinas preparando-se para uma apresentação. Se é possível notar a pincelada dinâmica, a composição e o uso das cores não mostram a mesma ousadia. O artista dispõe as figuras no espaço da tela evitando enquadramentos oblíquos e cortes. Já as cores, embora aplicadas com refinamento, não exploram como poderiam os contrastes sugeridos, por exemplo, pelo vestido roxo de uma das dançarinas sobre o fundo verde do camarim.

Frederico destaca-se também como aquarelista. Recebe comentários elogiosos do crítico Gonzaga Duque (1863-1911), em resenha sobre a exposição de aquarelistas no Clube Brasil, da qual participa, em 1907, no Rio de Janeiro.

 

Outras informações de Rafael Frederico:

Obras de Rafael Frederico: (4) obras disponíveis:

Exposições (19)

Fontes de pesquisa (16)

  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores negros do oitocentos. Edição Emanoel Araújo. São Paulo: MWM-IFK, 1988. 246 p. (Coleção MWM-IFK).
  • ACQUARONE, Francisco; VIEIRA, Adão de Queiroz. Primores da pintura no Brasil - I. 2.ed. Rio de Janeiro: [s.n.], 1942.
  • ARAÚJO, Emanoel (org.). A Mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. São Paulo: Tenenge, 1988.
  • AYALA, Walmir (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC / INL, 1980. v.4: Q a Z. (Dicionários especializados, 5).
  • BUENO. Alexei. O Brasil do século XIX na Coleção Fadel. Apresentação Jorge de Souza  Hue. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Sergio Fadel, 2004.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Prefácio Carlos Roberto Maciel Levy. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 292 p., il. p&b. color.
  • CAVALCANTI, Ana Maria Tavares. Os embates no meio artístico carioca em 1890 – antecedentes da Reforma da Academia das Belas Artes. 19&20, Rio de Janeiro, v. II, n. 2, abr. 2007. Disponível em: < http://www.dezenovevinte.net/criticas/embate_1890.htm >. Acesso em 15 maio 2013.
  • CAVALCANTI, Carlos; AYALA, Walmir (Org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Apresentação de Maria Alice Barroso. Brasília: MEC/INL, 1973-1980. (Dicionários especializados, 5).
  • DAZZI, Camila. Pensionistas da Escola Nacional de Belas Artes na Itália (1890-1900) – Questionando o “afrancesamento” da cultura brasileira no início da República. 19&20, Rio de Janeiro, v. I, n. 3, nov. 2006. Disponível em: < http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/pensionista_1890.htm >. Acesso em 20 jun. 2013.
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929.
  • ENTRE duas modernidades: do Neoclassicismo ao Pós-impressionismo na coleção do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: Artviva Produção Cultural, 2004.
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 677 p.
  • GUANABARINO, Oscar. Exposição de bellas-artes. O Paiz, Rio de Janeiro, n. 5444, 1 de setembro de 1899. p. 2. Disponível em: < http://www.dezenovevinte.net/artigos_imprensa/guanabarino_1894.htm >. Acesso em 30 abr. 2013.
  • O MUSEU Nacional de Belas Artes. São Paulo: Banco Safra, 1985.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).

Como citar?

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  • RAFAEL Frederico. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa24116/rafael-frederico>. Acesso em: 18 de Mar. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7