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José Maria de Medeiros

Outros Nomes: J. Medeiros
  • Análise
  • Biografia
    José Maria de Medeiros (Ilha do Faial, Açores 1849 - Rio de Janeiro RJ 1925). Pintor, desenhista e professor. Chega ao Brasil por volta de 1865 e ingressa no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Em 1868, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), onde é aluno de Victor Meirelles (1832-1903) e Antônio de Souza Lobo (1840-1909), entre outros. Tem como colegas Almeida Júnior (1850-1899) , Firmino Monteiro (1855-1888) , Estevão Silva (ca.1844-1891), Henrique Bernardelli (1858-1936), Pedro Peres(1850-1923) e Augusto Rodrigues Duarte (1848-1888). Recebe a medalha de prata na Exposição Geral de Belas Artes de 1871 e a grande medalha de ouro na mostra de 1876, com o quadro Retrato de Senhora. Em 1878, torna-se professor de desenho figurado na Aiba, por concurso. A partir de 1882, quando se naturaliza brasileiro, passa a professor catedrático. No certame de 1884, expõe os quadros Morte de Sócrates e Iracema, pelo qual é agraciado com o título de Oficial da Ordem da Rosa. Tem como discípulos Eliseu Visconti (1866-1944), Baptista da Costa (1865-1926), Belmiro de Almeida (1858-1935) e Oscar Pereira da Silva (1867-1939), entre outros. Em 1891, deixa a Aiba e passa a exercer o magistério no ensino público de segundo grau e, em 1897, no Instituto Profissional João Alfredo. Faz duas individuais, em 1897 e 1899, na Galeria Rezende, Rio de Janeiro. Em 1948, sua obra é incluída na Retrospectiva da Pintura no Brasil, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro.

    Comentário Crítico
    José Maria de Medeiros é um açoriano formado no Brasil, pela Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Depois de transferir-se para o Rio de Janeiro, nunca mais sai do país: não empreende a famosa viagem à Europa, ao contrário da maior parte dos pintores da época, incluindo seu professor Victor Meirelles (1832-1903).  Por isso, é representativo dos resultados de nosso ensino acadêmico e de como o neoclassicismo aqui adquire contornos românticos.

    Dois quadros apresentados na Exposição de 1884, ambos hoje no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), são emblemáticos dessa trajetória que vai do neoclassicismo ao romantismo. A Morte de Sócrates figura um tema neoclássico por excelência, de louvor às virtudes antigas. Na composição, o pintor segue preceitos acadêmicos na representação das paixões: uma figura à esquerda está de costas e esconde o rosto para não ver a morte do filósofo, à direita, uma outra dobra o corpo e esconde o rosto entre as mãos, outro cruza os braços, demonstrando um misto de preocupação e tristeza.  Ao centro, iluminado, o sábio conversa, com gestos comedidos, mostrando serenidade.

    Iracema, ao contrário, é explicitamente de vertente romântica, a começar pelo tema. A heroína do romance de José de Alencar encontra-se em pé, do lado esquerdo da composição, ao lado da  flecha fincada na areia, transpassando um guaiamum e um ramo de maracujá, que divide a tela em duas. À esquerda, uma praia próxima, com bordas de floresta. À direita, uma praia longínqua, o mar e a linha do horizonte. O desenho e a composição são mais bem acabados aqui. As cores são mais claras e exuberantes, para corresponder à nossa natureza e às paixões românticas que o tema exige. O quadro resultou numa distinção ao pintor, mas foi criticado por alguns comentadores contemporâneos, como Gonzaga-Duque.

    José Maria de Medeiros cultiva o gênero histórico, os retratos e as pinturas de gênero. Entretanto, mesmo aqueles que o admiram, como Laudelino Freire e Quirino Campofiorito (1902-1993), consideram-no não um grande pintor, mas um artista "modesto, tímido, honesto e de merecimento."

     

    Notas
    1CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX: a proteção do Imperador e os pintores no Segundo Reinado 1850 - 1890, vol. 4. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983, p. 25;
    2ZANINI, Walter (Coord.). História Geral da Arte no Brasil. V - I. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983, p. 420 e seg.
    3ZANINI, Op. cit., p. 403, sobre as aulas de anatomia e fisiologia das paixões.
    4GONZAGA-DUQUE, A arte brasileira. Introdução e notas Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995, p. 205.
    5CAMPOFIORITO, Quirino, Op. cit., p. 24-25.
    6FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: 1816 - 1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983, p. 151.

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Fontes de Pesquisa

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CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.

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PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p., il. p&b., color.

RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Nacional, 1941.

ZANINI, Walter, org. História geral da arte no Brasil. Apresentação de Walther Moreira Salles. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, Fundação Djalma Guimarães, 1983.