Artigo da seção pessoas Johana Albuquerque

Johana Albuquerque

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deJohana Albuquerque: 14-07-1965

Biografia
Johana de Albuquerque Cavalcanti (Boulogne-sur-Seine, França, 1965). Diretora, pesquisadora e atriz. Fundadora e diretora da Cia. Bendita Trupe, projeta-se em Os Collegas, 2003, espetáculo baseado em pesquisa histórica sobre a família Collor, com dramaturgia construída no processo de ensaios. É responsável pela implementação da Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro

Conclui curso de formação de ator, em 1986, na CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, estreando profissionalmente no espetáculo musical Ataca, Felipe, adaptação de seis revistas de ano de Artur Azevedo, com direção de Luis Antônio Martinez Corrêa. Em seguida, atua em Os Náufragos, de Rosyane Trotta, 1987. Colabora, entre 1986 e 1989, com o crítico Yan Michalski na pesquisa sobre Ziembinski para o CNPq, publicada, em versão reduzida, pela Editora Hucitec, em 1996, com o título Ziembinski e o Teatro Brasileiro. Em 1989, faz assistência de direção de Márcio Vianna no espetáculo Marat, Marat, atua em Mattogrosso, ópera assinada por Gerald Thomas em parceria com o músico Phillip Glass, e muda-se para São Paulo.

Em 1992, participa da fundação do Teatro da Vertigem e atua em Paraíso Perdido, adaptação de Sérgio de Carvalho, com direção de Antônio Araújo. Trabalha no Teatro Popular do Sesi - TPS, fazendo assistência de direção dos espetáculos encenados por Antônio Abujamra, Vladimir Capella e Bia Lessa, em 1994. No mesmo ano, dirige Banheiro, uma criação coletiva, com texto assinado por Pedro Vicente. Em 1996, conclui bacharelado em direção teatral, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, e dirige É o Fim do Mundo!, de Renato Modesto, premiado na Jornada Sesc de Teatro. Em 1997, na ausência do diretor, adapta o espetáculo O Livro de Jó, do Teatro da Vertigem, para a temporada carioca. No ano seguinte, é assistente de Enrique Diaz no espetáculo As Três Irmãs, de Anton Tchekhov. Em 1999, dirige Cabrália da Peste, livre adaptação de Estado de Sítio, de Albert Camus, montagem de atores formandos da Unicamp.

No ano 2000, encena Corda Bamba, de Lygia Bojunga, fundando a Cia. Bendita Trupe com a atriz Jacqueline Obrigon, e participa do Encontros Acarte-Brasil, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, onde ministra oficina para atores e diretores portugueses, e adapta o espetáculo Apocalipse 11,1, do Teatro da Vertigem, para o presídio da Trafaria.

Nove anos após a morte de Yan Michalski, retoma o projeto do crítico de elaborar uma publicação sobre as personalidades do meio teatral brasileiro. Em 1999 e 2000, com subsídios da Bolsa Vitae de Artes, realiza análise do material por ele deixado (330 fichas curriculares e 115 verbetes) e dá início ao trabalho de atualização desse conteúdo. Apresenta ao Itaú Cultural a proposta de, com base nesse material e em sua ampliação, constituir uma obra de referência sobre o teatro no Brasil. Em 2001, o instituto abarca o projeto, e Johana se responsabiliza por criar a estrutura dos verbetes que integrarão a Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro e por desenvolver a metodologia da pesquisa e o processo de elaboração do conteúdo, atividade que coordena de 2001 a 2006. A partir de 2007, passa a integrar o Conselho Editorial da Enciclopédia.

Em 2002, conclui mestrado em teatro na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - Unirio, com dissertação sobre encenadores brasileiros, aprofundando parte da pesquisa iniciada com a Enciclopédia de Teatro. No mesmo ano, participa da Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Sesi, dirigindo Sem Memória, de Pedro Vicente, com Renato Borghi e Débora Duboc, e na segunda edição da mostra, no ano seguinte, dirige Coiteiros de Paixões, de Luiz Felipe Botelho. Em 2003, apresenta Os Collegas, inspirada na história política da família Collor, criação coletiva baseada em fatos documentais. A montagem vale à Bendita Trupe o Projeto Residência de 2002, que ocupa a Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. O crítico Alberto Guzik identifica a linguagem do espetáculo como semelhante a um teatro de revista e comenta:

"O tom colorido, a intensidade das cenas alternam-se e vão da comédia rasgada à farsa sinistra. [...] A direção explora bem as diferenças entre um quadro e outro, e leva o público a aderir ao jogo, colocando-o em perfeita sintonia com os fatos apresentados. A boa utilização do espaço cênico, as trocas rápidas, a multiplicidade de personagens feitas por cada ator, tudo isso funciona a favor da plena comunicação que Os Collegas estabelece com a platéia. Os Collegas é obrigatório para todos aqueles que têm boa memória, e para quem não lembra bem ou que era jovem demais na época dos acontecimentos. É uma farsa que pode nos ajudar a impedir que a história volte a se repetir como farsa, segundo o célebre dito. A longa preparação do trabalho, que levou quase dois anos de pesquisa e encenação, paga generosos dividendos que estão no palco à disposição do público".1

Em 2004, ministra cursos no Ágora - Centro para o Desenvolvimento Teatral e no Sesi Vila Leopoldina, faz a curadoria do projeto Dramaturgias 2004, ciclo de leituras dramáticas do Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, e do ciclo de debates e leituras Da Cidadania Ultrajada à Marginalidade, na FNAC. Em 2005, encena Assembléia dos Bichos, de Claudia Vasconcellos, que recebe o grande prêmio da crítica da Associação Paulista dos Críticos de Artes - APCA, e cinco Prêmios Coca-Cola/Femsa de Teatro Infantil 2005: melhor espetáculo, melhor texto, melhor atriz, melhor ator e revelação de figurino. Em 2006, estréia Miserê Bandalha, resultado do projeto Na Linha de Fogo, estudo da violência e do poder paralelo nos centros urbanos, para o qual a Bendita Trupe recebe a Lei de Fomento ao Teatro do Município de São Paulo.

O crítico Sérgio Sálvia escreve: "Ninguém escapa: líderes de ongs, apresentadores de TV, associações religiosas, jornalistas intrépidos, todos são desmascarados pelo mesmo apetite de mídia, ao exporem o oprimido para valorizar a si mesmo [...]. Para ordenar esse caos, Johana lança mão de uma grande inventividade".2

No mesmo ano, estréia o espetáculo Estrada, de Cláudia Vasconcellos, livremente inspirado em La Strada de Federico Fellini, com patrocínio do Prêmio Myriam Muniz, parceria da Funarte e da Petrobras. Johana Albuquerque, segundo o crítico Michel Fernandes, do Último Segundo, "se destaca como encenadora sensível e talentosa".3

Em 2007, estréia O Tesouro de Balacobaco, nova parceria com Cláudia Vasconcellos, montagem que ganha novamente o Prêmio APCA e quatro prêmios Femsa de teatro infantil.

Tanto nos espetáculos voltados para o público adulto quanto naqueles destinados ao público infantil, Johana Albuquerque investe em processos criativos baseados na improvisação e propõe uma visão crítica sobre a realidade brasileira. Nas palavras de Sérgio Salvia, a diretora ridiculariza hipocrisias e "cumpre a nobre missão dos bufões: fazer o público voltar para casa nem aliviado nem esclarecido, mas desnorteado com seu humor feroz".4

Notas

1. GUZIK, Alberto. Os Collegas Revisita a Era Collor. São Paulo, Aplauso Brasil, IG, São Paulo, 19 de maio de 2003.

2. COELHO, Sérgio Salvia. Bendita Trupe Usa o Riso para Abrir Feridas. Folha de S.Paulo, 23 de fevereiro de 2006.

3. FERNANDES, Michel. Bendita Trupe faz viagem poética. Último Segundo, São Paulo, 21 de outubro de 2006.

4. COELHO, Sérgio Salvia. Idem.

Outras informações de Johana Albuquerque:

  • Outros nomes
    • Johana de Albuquerque Cavalcanti
  • Habilidades
    • diretor de teatro
    • produtor
    • ator
    • pesquisador
    • Consultor

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Fontes de pesquisa (8)

  • COELHO, Sérgio Salvia. Bendita Trupe Usa o Riso para Abrir Feridas. Folha de S.Paulo, 23 de fevereiro de 2006.
  • COELHO, Sérgio Salvia. Montagem sobre era Collor apela à memória pelo riso. Folha de S.Paulo, 15 de maio de 2003.
  • FERNANDES, Michel. Bendita Trupe faz viagem poética. Último Segundo, São Paulo, 21 de outubro de 2006.
  • GUZIK, Alberto. Os Collegas Revisita a Era Collor. São Paulo, Aplauso Brasil, IG, São Paulo, 19 de maio de 2003.
  • NÉSPOLI, Beth. Magia felliniana traduzida no palco. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 de outubro de 2006.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Assembléia dos Bichos - 2005. Não catalogado
  • Programa do espetáculo Estrada, 2006. Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOHANA Albuquerque. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa235303/johana-albuquerque>. Acesso em: 13 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7