Artigo da seção pessoas Aldemir Martins

Aldemir Martins

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Artes visuais  
Data de nascimento deAldemir Martins: 08-11-1922 Local de nascimento: (Brasil / Ceará / Ingazeiras) | Data de morte 05-02-2006 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Pintor Aldemir Martins , 1983 , Sérgio Jorge

Biografia

Aldemir Martins (Ingazeiras CE 1922 - São Paulo SP 2006). Pintor, gravador, desenhista, ilustrador. Em 1941, participa da criação do Centro Cultural de Belas Artes, em Fortaleza, com Antonio Bandeira (1922-1967)Raimundo Cela (1890-1954), Inimá de Paula (1918-1999) e Mario Baratta (1915-1983), um espaço para exposições permanentes e cursos de arte. Três anos depois, a instituição passa a chamar-se Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP. Aldemir Martins produz desenhos, xilogravuras, aquarelas e pinturas. Atua também como ilustrador na imprensa cearense. Em 1945, viaja para o Rio de Janeiro, e, menos de um ano depois, muda-se para São Paulo, onde realiza sua primeira individual e retoma a carreira de ilustrador. Entre 1949 e 1951, freqüenta os cursos do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP e torna-se monitor da instituição. Estuda história da arte com Pietro Maria Bardi (1900-1999) e gravura com Poty Lazzarotto (1924-1998). Em 1959, recebe o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna e permanece por dois anos na Itália. Desde o início da carreira sua produção é figurativa, e o artista emprega um repertório formal constantemente retomado: aves, sobretudo os galos; cangaceiros, inspirados nas figuras de cerâmica popular; gatos, realizados com linhas sinuosas; e ainda flores e frutas. Nas pinturas emprega cores intensas e contrastantes.

Análise

Aldemir Martins começa a desenhar ainda no Colégio Militar, que freqüenta desde 1934. Na década de 1940, trabalha como artista em Fortaleza, ao mesmo tempo que busca atualizar o então incipiente meio artístico da cidade. No princípio da carreira, em 1941, ajuda a criar o Centro Cultural de Belas Artes, com Antonio Bandeira, Raimundo Cela, Inimá de Paula e Mario Baratta. O grupo monta um espaço para exposições permanentes, organiza salões e cursos de arte. Três anos depois, a instituição passa a chamar-se Sociedade Cearense de Artes Plásticas - SCAP. Aldemir Martins produz desenhos, xilogravuras, aquarelas, pinturas e colabora, a partir de 1943, como ilustrador na imprensa cearense.

Em 1945, segue para o Rio de Janeiro, com Antonio Bandeira e Inimá de Paula. Na cidade, participa de uma coletiva de artistas cearenses na Galeria Askanasy, organizada pelo pintor suíço Jean-Pierre Chabloz (1910-1984). Menos de um ano depois, muda-se para São Paulo, onde realiza sua primeira individual, em 1946, no Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB/SP; e retoma a carreira de ilustrador. Entre 1949 e 1951 freqüenta os cursos do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP e se torna monitor da instituição. Lá estuda história da arte com Pietro Maria Bardi e gravura com Poty Lazzarotto. Durante o curso, produz o álbum de gravuras Cenas da Seca do Nordeste, com prefácio de Rachel de Queiroz (1910-2003). Os trabalhos mostram grande influência de Candido Portinari (1903-1962), tanto no tratamento do tema como no traço. Em 1951, faz desenhos de paus-de-arara, rendeiras e cangaceiros. Esse trabalho recebe o prêmio aquisição para desenho na 1ª Bienal Internacional de São Paulo.

Dois anos mais tarde, faz o cenário da peça Lampião, de Rachel de Queiroz. Em 1956, sua carreira atinge o ápice ao ser premiado como melhor desenhista internacional na 28ª Bienal de Veneza e expor em diversas partes do mundo. Na década de 1960, trabalha muito com arte aplicada a objetos comerciais. Em 1962, cria cenário para o 1º Festival da MPB, da TV Record, e elabora estampas para tecidos da Rhodia Têxtil. Faz ilustrações dos aparelhos de jantar da série Goyana de Cora. A partir da segunda metade dos anos de 1960, Martins faz esculturas de cerâmica e acrílico, além de jóias em ouro e prata. Em 1969, ilustra bilhetes de loteria. Seis anos mais tarde cria a imagem de abertura da telenovela Gabriela, da rede Globo. Em 1981, repete a experiência na abertura da telenovela Terras do Sem Fim. Nos anos 1980, ilustra jogos de mesa, camisetas e latas de sorvete da Kibon.

Outras informações de Aldemir Martins:

Obras de Aldemir Martins: (32) obras disponíveis:

Todas as obras de Aldemir Martins:

Representação (1)

Midias (1)

Intuitivo e autodidata, Aldemir Martins se inspira na paisagem e na cultura sertanejas para compor sua obra. “Repórter da vida”, segundo sua própria definição, o artista retrata cangaceiros, galos, gatos e a vegetação do interior em suas telas, desenhos e gravuras. “Eu gosto demais do sertão. Sou filho de sertanejo, vivia no sertão, fui criado no sertão”, conta. Outra paixão tipicamente brasileira que aparece em seu trabalho é o futebol. Antes de se dedicar à arte, Martins trabalhou como pintor no Exército brasileiro. “Fui cabo pintor concursado”, relembra. Pintava as viaturas com pistolas de tinta. “No meu tempo, não tinha escola nem a profissão. A profissão foi criada por nós: eu, Marcelo [Grassmann], [Luiz] Sacilotto criamos esse negócio de ser pintor.”

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Espetáculos (1)

Exposições (436)

Todas as exposições

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (35)

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  • MARTINS, Aldemir. Aldemir Martins. Paris: Espace Latino Americain, 1989. , il. color.
  • MARTINS, Aldemir. Aldemir Martins. São Paulo: Galeria de Arte André, 1987. 32 p., il. color.
  • MARTINS, Aldemir. Aldemir Martins. São Paulo: Galeria de Arte André, 1991. 32 p., il. color.
  • MARTINS, Aldemir. Aldemir Martins. São Paulo: Eletropaulo, 1992. 709.8104 Ma386am
  • MOSTRA Rio Gravura: catálogo geral dos eventos. Apresentação Luiz Paulo Fernandez Conde, Helena Severo, Rizza Paes Fernandes, Maria Julia Vieira Pinheiro Conde; apresentação Maria Tornaghi, Leila Grimming; tradução Stephen Berg. Rio de Janeiro: Prefeitura Municipal, 1999. 231 p., il. p&b color.
  • MUSEU Municipal de Arte: acervo. Curitiba: Museu Municipal de Arte, 1991. folha dobrada, il. p&b color.
  • NOVIS, Vera. Antonio Bandeira, um raro. Rio de Janeiro: Salamandra, 1996. 280 p., il. color.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo: 1970. Curadoria Carlos von Schmidt, Donato Ferrari, Paulo Mendes de Almeida, Delmiro Gonçalves. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1970. 12 p. Exposição realizada no período de dez. 1970 a fev. 1971.
  • POÉTICA da resistência: aspectos da gravura brasileira. Apresentação Carlos Eduardo Moreira Ferreira, M. F. do Nascimento Brito; introdução Armando Mattos, Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: MAM, 1994. 63 p., il. p&b., color. 
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. R703.0981 P818d
  • TRINCHEIRAS: arte e política no Brasil. Apresentação Helena Severo, M. F. do Nascimento Brito. Rio de Janeiro: MAM, 1994. 16 p., il. p&b.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 2v.

Como citar?

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  • ALDEMIR Martins. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2273/aldemir-martins>. Acesso em: 24 de Set. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7