Artigo da seção pessoas Mauro Francini

Mauro Francini

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / teatro  
Data de nascimento deMauro Francini: 1924 Local de nascimento: (Itália / Vêneto / Treviso)

Biografia

Mauro Francini (Itália 1924). Cenógrafo. Formado em Roma, trabalha no Teatro Brasileiro de Comédia, tornando-se importante colaborador da companhia no período entre 1952 e 1959.

Vem reforçar, em 1952, a equipe dos cenógrafos italianos do Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, onde desenvolve profícua carreira, estreando em Inimigos Íntimos, de Pierre Barillet e J. P. Gredy, com direção de Luciano Salce. A partir de 1953, com o afastamento de Aldo Calvo e Bassano Vaccarini, torna-se praticamente o único cenógrafo fixo da companhia, assim permanecendo durante sete anos. Assina, sucessivamente, os cenários de Vá com Deus, de John Murray e Allen Boretz, dirigido por Flaminio Bollini, 1952; Na Terra como no Céu, de Franz Hochwalder, que lhe rende os prêmios Saci e Governador do Estado como melhor cenógrafo do ano; Uma Mulher em Três Atos, de Millôr Fernandes (Vão Gogo), direção de Adolfo CeliTreze à Mesa, de Marc-Gilbert Sauvajon; A Desconhecida de Arras, de Armand Salacrou; Assim É...(Se Lhe Parece), de Luigi Pirandello, direção de Ruggero Jacobbi; Uma Certa Cabana, de André Roussin, todos em 1953.

No ano seguinte, outra sucessão de trabalhos: O Leito Nupcial, de Jan de Hartog, Mortos sem Sepultura, de Jean-Paul Sartre; Uma Mulher do Outro Mundo, de Noel Coward; E o Noroeste Soprou, de Edgard da Rocha Miranda, direção de ZiembinskiLeonor de Mendonça, de Gonçalves Dias; Negócios de Estado, de Louis Verneuil; Cândida, de Bernard Shaw; e Assassinato a Domicílio, de Frederick Knott.

Em 1955, dedica-se a algumas criações de grande envergadura, como Santa Marta Fabril S. A., de Abílio Pereira de Almeida; Volpone, de Ben Jonson; Maria Stuart, de Schiller; Os Filhos de Eduardo, de Marc-Gilbert Sauvajon. Em 1956 cria cenários para O Sedutor, de Diego Fabbri; A Casa de Chá do Luar de Agosto, de John Patrick, numa encenação de Maurice VaneauDivórcio para Três, de Victorien Sardou; Manouche, de André Birabeau, e Gata em Teto de Zinco Quente, de Tennessee Williams.

São de 1957 as criações de A Rainha e os Rebeldes, de Ugo Betti, arrebatando novo Prêmio Saci de melhor cenografia; Rua São Luís, 27 - 8º Andar, de Abílio Pereira de Almeida; Adorável Júlia, de Marc-Gilbert Sauvajon; Os Interesses Criados, de Jacinto Benavente, dirigido por Alberto D'Aversa. Em 1958 faz A Dama de Copas, de Abílio Pereira de Almeida; A Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso, de Guilherme Figueiredo; Vestir os Nus, de Luigi Pirandello; Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller, considerado o melhor trabalho que realiza no Brasil, e Pedreira das Almas, de Jorge Andrade.

Em 1959, seu penúltimo ano de trabalho junto ao TBC, executa os cenários para a encenação de Alfredo MesquitaA Senhoria, de Jacques Audiberti; Senhorita Júlia, de August Strindberg; e sua criação de despedida, Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov, em 1959. Voltando à Itália, passa a lecionar na Escola de Arte Dramática do Piccolo Teatro de Milão.

O crítico Yan Michalski assim destaca os méritos de seu trabalho: "Proporcionalmente ao tempo que passou em São Paulo, a sua produção foi impressionante, em quantidade e diversidade: talvez nenhum outro cenógrafo do moderno teatro brasileiro tenha criado, num período equivalente, tantos cenários, correspondentes a textos de gêneros e estilos tão variados. Sem ser um artista arrojado ou inovador, demonstrou ser um profissional de extrema eficiência, dotado de amplos conhecimentos técnicos, estilísticos e históricos, através dos quais contribuiu para a rápida elevação do nível da cenografia brasileira. A sua saída, que coincidiu com a tomada de poder no TBC pelos jovens diretores nacionais, completou de certa forma os processo de transferência do saber dos mestres italianos para os aprendizes brasileiros".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Mauro Francini. In: __________. PEQUENA Enciclopédia do teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Outras informações de Mauro Francini:

  • Habilidades
    • cenógrafo
    • artista plástico

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Exposições (26)

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Fontes de pesquisa (7)

  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. 233 p.
  • GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 149 p. (Debates, 211).
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964. 314 p.
  • FERRARA, J.A. e SERRONI, J.C. (org.): Cenografia e Indumentária no TBC, São Paulo: Secretaria do Estado da Cultura, 1980.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • SIQUEIRA, José Rubens. Viver de teatro: uma biografia de Flávio Rangel. São Paulo: Nova Alexandria, 1995. 383 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MAURO Francini. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa216907/mauro-francini>. Acesso em: 14 de Ago. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7