Artigo da seção pessoas Arrigo Barnabé

Arrigo Barnabé

Artigo da seção pessoas
Música / cinema / teatro  
Data de nascimento deArrigo Barnabé: 14-09-1951 Local de nascimento: (Brasil / Paraná / Londrina)

Biografia

Arrigo Barnabé (Londrina, Paraná, 1951). Compositor, instrumentista e cantor. Muda-se para São Paulo em 1970 para estudar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). De 1974 a 1979 cursa música na Escola de Comunicações e Artes da mesma universidade (ECA/USP), formando-se em composição. Tem aulas de piano com Eduardo Hazan e Caio Pagano (1940) e de composição com Willy Correa de Oliveira.

Em 1972, inicia a composição do disco Clara Crocodilo. Em 1979, participa do Festival Universitário da TV Cultura com a canção Diversões Eletrônicas, em parceria com Regina Porto, ganhando o primeiro prêmio. No ano seguinte, lança o disco Clara Crocodilo, produção independente de Robinson Borba, relançado em 1983 pela major Barclay/Ariola. O trabalho conta com a participação da banda Sabor de Veneno.

Em 1983, compõe a Saga de Clara Crocodilo para a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo e grupo de rock. Escreve a trilha sonora do filme Janete, de Chico Botelho, recebendo o prêmio da categoria no festival de Gramado. Lança Tubarões Voadores em 1984, eleito pela revista francesa Jazz Hot como um dos mais importantes discos do mundo. Grava o LP Suspeito (1987) e lança a trilha do filme Cidade Oculta, de Chico Botelho, que ganha prêmio no Riocine Festival.

Com Paulo Braga e Péricles Cavalcanti lança Façanhas (1992). Sua peça Nunca Conheci Quem Tivesse Levado Porrada, para a Orquestra Jazz Sinfônica, banda de rock e quarteto de cordas é apresentada em São Paulo, em 1994. Dois anos depois é convidado para Sonidos de las Américas: Brasil, em Nova York. Monta e grava a opereta Gigante Negão (1998), com participação de Itamar Assumpção (1949-2003). Em 2004, lança a coletânea 25 Anos de Clara Crocodilo, que inclui as obras Clara Crocodilo, Tubarões Voadores, Gigante Negão, A Saga de Clara Crocodilo e Uma Suíte a Quatro Mãos. No mesmo ano, grava o réquiem Missa in Memorian - Arthur Bispo do Rosário e idealiza e apresenta o programa Supertônica, na Rádio Cultura de São Paulo. Em 2005, escreve a ópera Enquanto Estiverem Acesos os Avisos Luminosos, com libreto e direção de Bruno Bayen. Lança outro réquiem, Missa in Memorian - Itamar Assumpção, em 2007.

Sob encomenda do grupo de percussão Drumming, compõe Caixa da Música e Out of Cage, peças cênicas para percussão, estreadas no Teatro Nacional São João, em Porto, sob direção de Ricardo Pais, em 2008. Também lança Arrigo Barnabé & Paulo Braga - Ao Vivo em Porto. No ano seguinte, grava o DVD Metamorfose, com a Orquestra a Base de Corda, em Curitiba. Entre 2010 e 2011, dedica-se ao show Arrigo Barnabé em Caixa de Ódio, interpretando canções de Lupicínio Rodrigues, com lançamento de DVD.

É responsável por diversas trilhas sonoras para cinema e participa como ator dos filmes Nem Tudo É Verdade (1984), de Rogério Sganzerla (1946-2004), interpretando Orson Welles, e Anjos da Noite (1987), de Wilson Barros (1948-1992), além da novela da Globo Direito de Amar (1987).

Análise

A obra do escritor Ezra Pound (1885-1972), que acredita que para escrever é necessário estar atento aos sons das palavras, influencia o músico. Pound também ressalta os aspectos da sonoridade de escritores provençais, levando Arrigo a criar o personagem Clara Crocodilo, que remete a sonoridades e simbologias antagônicas, como em Aura Amara, de Arnault Daniel (1150-1210). Os compositores Béla Bartók (1881-1945) e Igor Stravinsky (1882-1971) e as ideias sobre composição de Arnold Schöenberg (1874-1951) também são influências importantes. Sua formação erudita é estimulada por seus pais e o irmão Paulo, também músico, criador da Patife Band, que participa com ele de projetos conjuntos.

Arrigo é referência para a vanguarda paulista, movimento de que faz parte, ao inserir atonalismo e serialismo na MPB. O rock e sua dicção também estão presentes nas suas canções. Participantes desse movimento, como Premê, Itamar Assumpção, Língua de Trapo e Rumo se utilizam de uma instrumentação oriunda do universo do rock para compor seus trabalhos.

Os dois discos mais importantes de Arrigo Barnabé, as óperas-rock Clara Crocodilo e Tubarões Voadores, têm características comuns, já que são obras que compensam seus aspectos serialistas e atonais com ostinatos rítmicos (motivos ou frases musicais sempre repetidos), diálogos falados e uma estrutura narrativa linear. Essa narrativa está associada tanto às HQs como ao cinema e aos programas policiais de rádio e TV. Também é uma marca dos sambas dos anos 1930, que influenciam a vanguarda paulistana. O músico coloca células de samba em seus motivos musicais, porém com temática urbana, marginal e dramática, ressaltada pela influência dos cartunistas Will Eisner (1917-2005), Robert Crumb (1943) e Luiz Gê (1951). Sua intenção de ressaltar os "horrores do entretenimento de massa" reflete as frustações com o período de redemocratização do país. Por esse motivo e pela obstinação em buscar uma linha evolutiva da MPB, sua obra é considerada um dos ápices do movimento da vanguarda paulistana.

O músico propõe uma linguagem poética e musical anticonvencional, mesclando música erudita de vanguarda, rock e MPB. Assim, retoma experiências radicais do tropicalismo, exploradas por Rogério Duprat (1932-2006) e Caetano Veloso (1942), agregando "locuções radiofônicas" e outros aspectos como o dodecafonismo de Schöenberg e a música concreta. A preocupação em fazer com que a palavra saia fluente e natural dentro da frase musical se evidencia na fase seguinte, na década de 1980, quando compõe mais canções. Os discos Suspeito e Façanhas expõem um aspecto mais pop, porém mantêm, mesmo nas canções românticas, uma comicidade sombria, que também permeia grande parte de sua assinatura como compositor de trilhas sonoras.

No trabalho de releitura de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Arrigo ressalta os aspectos comuns de angústia, raiva e a revolta presentes nas obras do cantor. A voz é um diferencial em toda a produção de Arrigo: ele tem um estilo de cantar rouco, grave e rasgado, que remete ao cantor norte-americano Tom Waits (1949). Em seus arranjos, também utiliza padrões de fala e exploração das vozes agudas. Arrigo influencia diversos artistas, desde Itamar Assumpção a Carlos Careqa (1961).

Outras informações de Arrigo Barnabé:

Espetáculos (7)

Exposições (3)

Artigo sobre Imagine Brazil

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioImagine Brazil : 11-10-2013  |  Data de término | 23-02-2014
Resumo do artigo Imagine Brazil :

Astrup Fearnley Museet (Oslo, Noruega)

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Resumo do artigo Imagine Brazil :

Musée d’art contemporain de Lyon (França)

Eventos relacionados (7)

Fontes de pesquisa (10)

  • CAVAZOTTI, André. O serialismo e o atonalismo livre aportam na MPB: as canções do LP Clara Crocodilo de Arrigo Barnabé. Belo Horizonte, v. 1, 2000. p. 5-15. Disponível em: http://musica.ufmg.br/permusi/port/numeros/01/num01_cap_01.pdf.
  • BARNABÉ, Arrigo. Caixa de ódio. Disponível em  <http://www.cronopios.com.br/tv-cronopios-shows/arrigo_barnabe/ . Acesso em 11 jan. 2012.
  • CAMPOS, Diego de Morais . Labirintos pós-tropicalistas: Arrigo Barnabé na história musical brasileira. [PDF] de revistachronidas.com.br, 2009.
  • NESTROVSKI, Arthur (Org.). Música popular brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • OLIVEIRA, Laerte Fernandes de. Em um porão em São Paulo: o Lira Paulistana e a produção alternativa. São Paulo: Annablume, 2002.
  • Programa do espetáculo - Desconhecidos Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Esperando Godot - 1998. Não Catalogado
  • SOUZA, Tárik de. Microfones abertos: com a última palavra, Arrigo Barnabé. In: O som nosso da cada dia. Porto Alegre: L&PM, 1983, p. 195-199.
  • STROUD, Sean. Música popular brasileira experimental: Itamar Assumpção, a vanguarda paulista e a tropicália. Revista USP, São Paulo, n. 87, nov. 2010 Disponível em : http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13832/15650 Acesso em: 27 nov. 2013.
  • THUNDERBIRD. Showlivre.com 5 ago. 2008. Disponível em  http://youtu.be/OyGN8LP0G8w Acesso em 11 jan. 2012.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ARRIGO Barnabé. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21604/arrigo-barnabe>. Acesso em: 18 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7