Artigo da seção pessoas Yamandu Costa

Yamandu Costa

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deYamandu Costa: 1980 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Passo Fundo)

Biografia

Yamandu Costa (Passo Fundo RS 1980). Violonista, compositor, arranjador. Além dos discos que escuta na infância, seu pai, Algacir Costa, violonista, trompetista e professor de música, e sua mãe, a cantora Clari Marson, são os responsáveis pelo seu interesse pela música e pelas primeiras aulas de violão. Ainda criança, no Rio Grande do Sul, participa de programas de rádio. Tem aulas de violão dos 7 aos 15 anos, mesmo período em que acompanha o grupo Os Fronteiriços, de seu pai. Depois, tem aulas com o argentino Lúcio Yanel. Aprende a tocar violão de seis, sete e oito cordas, mas se especializa no de sete. Em 1999, grava o disco independente Diamandu, que inclui no repertório Samba do Avião, de Tom Jobim, e Lamento do Morro, de Garoto. Em 2001, lança o disco Dois Tempos, com Lúcio Yanel. No mesmo ano, ganha projeção nacional com seu primeiro álbum solo, Yamandu. Além de composições próprias, como Mariana, Chamamé, Chorando por Amizade, Cristal, Galderismo e Habanera, faz releituras de temas como Brejeir, de Ernesto Nazareth, e Flamengo, de Bonfiglio de Oliveira. Com produção de Mauricio Carrilho e participação de Luciana Rabello, Toninho Carrasqueira, Celsinho Silva, Silvério Pontes, Zé da Velha, Armandinho, Oscar Bolão, Nailor Proveta e Beto Cazes. Em 2003, lança Yamandu ao Vivo, com apenas dois temas seus: Samba Meu e Tareco nº 1, em parceria com Rogério Souza.

Lança El Negro del Blanco, em duo com o clarinetista Paulo Moura em 2004. No repertório, uma composição de Yamandu, a faixa que batiza o álbum, além das canções Duerme Negrito (Atahualpa Yupanqui), Simplicidade (Jacob do Bandolim), Sons de Carrilhões (João Pernambuco) e Gracias a la Vida (Violeta Parra). Em 2005, divulga o DVD Yamandu ao Vivo e grava o disco Yamandu Costa - Tokio Sessions. Lançado em 2006 no Japão e no Brasil em 2008, esse CD traz temas próprios, como Meiga, Maneco e El Negro del Blanco. Grava, na Bélgica, Ida e Volta, em 2006, com o baixista Guto Wirtti e o violinista Nicolas Krassik. Destaque para Ida e Volta, Cebolão, Missionerita e Bonitinha. No ano seguinte, tem mais dois discos lançados: Lida, com os mesmos parceiros do trabalho anterior, e Yamandu + Dominguinhos, em duo com o sanfoneiro para temas como João e Maria (Chico Buarque e Sivuca), Feira de Mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha) e Estrada do Sol (Tom Jobim e Dolores Duran). A parceria com Dominguinhos ainda rende um DVD, em 2009, e um segundo disco, Yamandu + Dominguinhos - Lado B, de 2010. Na Alemanha, grava Mafuá, em 2008, divulgado no Brasil em 2011. No repertório, composições de Yamandu como Elodie, Zamba Tuerta, Bachbaridade, Bostemporânea, Choro Loco, Caminho de Luz, Ressaca. Em 2009, lança Luz da Aurora, em duo com o bandolinista Hamilton de Holanda, com as composições em parceria, como Samba do Véio, Luz da Aurora e Cochichado. No ano seguinte, Yamandu Valter, ao lado de Valter Costa, que toca violão de sete cordas de aço e, em 2012, grava em parceria com o violonista goiano Rogério Caetano, Yamandu Costa e Rogério Caetano.

 

Comentário Crítico

Yamandu Costa é um dos violonistas de maior destaque na cena musical contemporânea. Com amplo domínio técnico sobre o violão de sete cordas, desde seu surgimento ele é comparado com o violonista carioca Raphael Rabello. Assim como Rabello, é discípulo da mesma linhagem de Dino Sete Cordas, Meira e Baden Powell, condensando estilos e linguagens de cada um deles, e também conhece as obras de João Pernambuco, Dilermando Reis, Garoto e Luiz Bonfá. Além da influência desses músicos, Costa imprime identidade própria na forma de tocar, como é mostrado nos arranjos feitos em diferentes discos para as músicas Sons de Carrilhões, de João Pernambuco, Lamentos do Morro, de Garoto, Meu Avô, de Raphael Rabello, Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, Valsa nº 1, de Baden Powell, e Uma Valsa e Dois Amores, de Dilermando Reis.

No início da carreira, Yamandu grava estilos musicais da região do Rio da Prata e gêneros variados, como choro, valsa, baião, samba, além de estilos latinos e outros tradicionais do Rio Grande do Sul. No disco Dois Tempos, ele registra composições nessa linha, como Gauchinho (Rubens Leal Brito, o Britinho), Chamamé, Gauderismo - Fantasia sobre Temas Gaúchos e Habanera, todos de sua autoria. As influências latinas aparecem em diversos de seus trabalhos. O disco em que elas sobressaem é El Negro del Blanco, ao lado do clarinetista Paulo Moura. Nesse trabalho, são registrados temas como Duerme Negrito (Atahualpa Yupanqui), La Paloma (Sebastian Yradier), Valsa Venezuelana nº 3 (Antônio Lauro), Decarissimo (Astor Piazzolla), De Caminho a La Vereda (Ibrahim Ferrer), Gracias a la Vida (Violeta Parra) e Taquito Militar (Marianito Mores). Destaque também para Solamente una Vez (Agustín Lara), registrada no disco Yamandu + Dominguinhos - Lado B.

Além do virtuosismo e domínio técnico no instrumento, Costa é criticado pelo excesso, marcado por andamentos muito acelerados e grande quantidade de notas, soando, para alguns, com pouco brilho e nitidez. No decorrer dos anos, passa a equilibrar momentos de virtuose com outros mais contidos e equilibrados, colocando a música também a serviço do sentimento e da emoção. Nesse sentido, nota-se um amadurecimento principalmente em trabalhos em duo, com Paulo Moura, Dominguinhos, Hamilton de Holanda e Valter Costa. Nos discos registrados com esses músicos, aprende a dosar momentos em que ganha destaque como solista com outros em que atua como acompanhante, tocando com equilíbrio e fazendo caminhos harmônicos e linhas de baixo muito originais, criativos e complementares às melodias e aos improvisos de seus parceiros. Outros exemplos são temas como Cochichado (do disco Luz da Aurora, com Hamilton de Holanda), e No Rancho Fundo, de Yamandu + Dominguinhos - Lado B, em que os duos são uma verdadeira aula de dinâmica e interpretação.

Com projeção em outros países, Costa realiza concertos e grava alguns álbuns em estúdios estrangeiros. Entre eles Tokio Session, Ida e Volta, Lida (gravado no Brasil, mas com algumas faixas tiradas de apresentação no Melbourne Jazz Festival), e Mafuá. Em 2007, é solista convidado da Orchestre National de France, com regência de Kurt Masur,  no concerto da Anistia Internacional, em Paris, em 2007.

Como compositor, Costa realiza uma obra pensada para uma linguagem violonística, mas também escreve temas para outros instrumentos, como Samba do Véio, Cochichado e Luz da Aurora, feitos em parceria com Hamilton de Holanda. As composições são reflexo de seu aprendizado como instrumentista. Ele não se limita a interpretar obras de apenas um gênero, compõe em diversos gêneros, como o Choro pro Gago, o Samba pro Rapha, ritmos tradicionais gaúchos como Chamamé e latinos como Habanera. Também compõe a Suíte Interiores para Violão de 7 Cordas, Bandolim de 10 Cordas e Orquestra, escrita pelo violonista em parceria com Hamilton de Holanda, com orquestração do violonista Paulo Aragão, em encomenda feita pelo maestro Roberto Minczuk, com estreia em 2011, em concerto com a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).

Outras informações de Yamandu Costa:

  • Outros nomes
    • Yamandu Costa
  • Habilidades
    • Compositor
    • Arranjador
    • músico
    • Violonista

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Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (8)

  • BARBOSA, Valdinha e DEVOS, Anne Marie. Radamés Gnattali - O Eterno Experimentador. Rio de Janeiro: Editora Funarte, 1984.
  • CAZES, Henrique. Choro: Do Quintal ao Municipal. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.
  • ENTREVISTAS com Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, Guinga, Marcus Tardelli, Joel Nascimento publicadas no Caderno2, do jornal O Estado de S. Paulo (feitas por Lucas Nobile).
  • MARQUES, Mario. Guinga - Os mais belos acordes do subúrbio. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002.
  • NOGUEIRA, Genésio. Dilermando Reis - Sua Majestade, o Violão. Rio de Janeiro: Ed. Independente, 2001.
  • SANTOS, Turíbio. Mentiras... Ou Não? - Uma Quase Biografia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo I: 85 anos de músicas brasileiras (1901-1957). 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1998. v. 1. 366 p. (Ouvido Musical) 
  • WISNIK, José Miguel. O Som e o Sentido - Uma Outra História das Músicas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • YAMANDU Costa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa213377/yamandu-costa>. Acesso em: 24 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7