Artigo da seção pessoas Cyro dos Anjos

Cyro dos Anjos

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deCyro dos Anjos: 05-10-1906 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Montes Claros) | Data de morte 04-08-1994 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Cyro Versiani dos Anjos (Montes Claros, Minas Gerais, 1906 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994). Cronista, romancista, ensaísta, memorialista, jornalista e professor. Realiza seus estudos primários e secundários na cidade natal. Muda-se com a família para a capital Belo Horizonte, em 1923, onde, nove anos depois, em 1932, obtém o diploma em direito pela Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais (integrada em 1949 à UFMG).

Paralelamente ao curso de graduação, atua na imprensa mineira publicando textos em jornais como Diário do Comércio, Diário da Manhã, Diário da Tarde, Estado de Minas e A Tribuna. Ainda no mesmo período, ingressa na carreira de servidor público do mesmo estado, ocupando posteriormente cargos de oficial de gabinete do governador e também da Secretaria de Finanças, além de diretor da imprensa oficial.

Em 1933, no jornal A Tribuna, publica na forma de crônicas trechos do que mais tarde seria seu primeiro romance, O Amanuense Belmiro, de 1937. Em 1945, publica seu segundo romance, Abdias, e inicia atuação como professor, lecionando literatura portuguesa na Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, instituição da qual é um dos fundadores. Nas décadas seguintes, ministra aulas também em universidades no México, em Portugal, em Brasília e no Rio de Janeiro, cidade na qual passa a residir de forma definitiva a partir 1976.

Análise

O crítico Alcir Pécora, ao escrever sobre O Amanuense Belmiro, o define como “um dos livros mais incomuns da moderna literatura brasileira”. A singularidade do romance, segundo o crítico, reside na confluência dos gêneros literários que compõem e estruturam a obra, que tem como “seu efeito mais notável” justamente “um insolúvel de gêneros dentro de gêneros bem conhecidos como o romance, o diário e o memorial”.1

Essa mesma oscilação pode ser observada em Abdias, também amparado numa estrutura de diário, que registra os acontecimentos do presente; e de memorial, que serve para a evocação e a preservação do passado. Ao optar pela narrativa em primeira pessoa, Cyro dos Anjos incorre muitas vezes num registro lírico de impressões e sentimentos, bem como em reflexões de caráter filosófico que surgem a partir de temas cotidianos e às vezes banais. Segundo o crítico Reinaldo Marques, essa opção pela narrativa em primeira pessoa “relativiza a verdade do universo romanesco, apreendido de um ponto de vista marcadamente subjetivo, em contraponto à perspectiva mais distanciada e objetiva do narrador em terceira pessoa, com seu poder de onisciência”.2 Tais aspectos da narrativa o relacionam a Machado de Assis (1939-1908), especialmente em seus narradores de Dom Casmurro e Memorial de Ayres.

Estilisticamente, a obra se destaca por sua sobriedade e concisão, destoando das experimentações mais radicais da narrativa modernista que a precede. Não por acaso, o moderno autor mineiro é muitas vezes relacionado, no que diz respeito ao trato com a língua, não aos modernistas imediatamente anteriores, mas ao próprio Machado, que teria sido uma das suas grandes influências e um dos seus grandes modelos.

Notas

1 PÉCORA, Alcir. Um romance reticente. In: ANJOS, Cyro dos. O amanuense Belmiro. São Paulo: Globo, 2006.

2 MARQUES, Reinaldo. Um mundo suspenso. In: ANJOS, Cyro dos. Abdias. São Paulo: Globo, 2008.

Outras informações de Cyro dos Anjos:

  • Outros nomes
    • Cyro Versiani dos Anjos
  • Habilidades
    • cronista
    • romancista
    • ensaísta
    • jornalista
    • professor

Fontes de pesquisa (6)

  • ANJOS, Cyro dos. Abdias. São Paulo: Globo, 2008.
  • ANJOS, Cyro dos. O amanuense Belmiro. São Paulo: Editora Globo, 2006.
  • ANJOS, Cyro dos. Poemas coronários. São Paulo: Globo, 2009.
  • MARQUES, Reinaldo. Um mundo suspenso. In: ANJOS, Cyro dos. Abdias. São Paulo: Globo, 2008.
  • MILANESI, Vera Márcia Paráboli. Cyro dos anjos: memória e história. São Paulo: Arte & Ciência, 1997.
  • PÉCORA, Alcir. Um romance reticente. In: ANJOS, Cyro dos. O amanuense Belmiro. São Paulo: Globo, 2006.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CYRO dos Anjos. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21224/cyro-dos-anjos>. Acesso em: 27 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7