Artigo da seção pessoas Chico César

Chico César

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deChico César: 26-01-1964 Local de nascimento: (Brasil / Paraíba / Catolé do Rocha)
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Registro fotográfico Marcus Leoni

Francisco César Gonçalves (Catolé do Rocha, Paraíba, 1964). Cantor, compositor, violonista e poeta. Influenciado pela tropicália e pela vanguarda paulistana, mistura ritmos ao transitar entre elementos da cultura popular e canções românticas.

Na adolescência, participa dos grupos musicais The Snakes, Trio Mirim, Super Som Mirim e Ferradura. Aos 13 anos, apresenta sua primeira composição, o samba “Quando Chega o Carnaval”. Em 1980, transfere-se para a capital João Pessoa, onde se forma em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba. Integra o grupo Jaguaribe Carne, que mistura música, poesia e arte performática.

Aos 21 anos, muda-se para São Paulo. Trabalha como jornalista e revisor de textos e, como compositor, apresenta-se em pequenas casas noturnas da cidade e festivais de música do interior.

Em 1991, dedica-se à carreira artística e forma a banda Cuscuz Clã. Quatro anos depois, lança o primeiro disco Aos Vivos (1995), acústico de voz e violão gravado ao vivo, com as participações do cantor e compositor Lenine (1959) e do guitarrista Lanny Gordin (1951). No repertório do álbum estão “Mama África” e “À Primeira Vista”, canções que o projetam nacionalmente.

A herança tropicalista de Chico César vai além do timbre vocal, que no início da carreira é confundido com o de Caetano Veloso (1942). As bases do movimento também servem de sustentação para o artista.

Na obra de Chico César, reisados, afoxés, cocos e outros elementos da cultura popular brasileira misturam-se ao rock, soul e reggae. Da mesma maneira, as canções românticas, de melodia simples e apelo popular, convivem com músicas experimentais que trazem influência da Vanguarda Paulistana e da poesia concreta. Sua discografia reúne álbuns festivos, como Francisco Forró y Frevo (2008), e outros de tom mais contemplativo, como De uns Tempos para Cá (2005). 

César celebra a alforria linguística dos manifestos modernistas da Semana de 1922 – “Klaxon/ vá vá vá/ vá filosofia vã” (“Clandestino”) – e defendida pelo tropicalistas:

Um Torquato Neto 
[...] Faz dos estilhaços arte 
[...] Pois é
É de certa forma 
O que faço 

(“Nato”, em parceria com Tata Fernandes). Suas letras abusam dos jogos de palavras e das figuras de linguagem. 

O aboio “Béradêro” brinca com a semântica ao citar “Uma moça cozendo roupa/ Com a Linha do Equador” e “a cigana analfabeta/ Lendo a mão de Paulo Freire". Em “Mama África”, a bagunça das crianças surge na forma de um neologismo: "Quando mama sai de casa/ Seus filhos se olodunzam". “À primeira vista”, outro sucesso, apela para um refrão dadaísta, feito de expressões sem sentido que valem apenas pelos sons.

Mesmo de olho naquilo que é regional, Chico César está atento a tudo o que acontece no exterior. "Qualquer girassol que nascer/ Em qualquer lugar afinal/ Também é o meu girassol", ele canta em “Girassol”. As canções têm como personagens ora um cantador nordestino, como Cego Aderaldo (1878-1967), citado em “A prosa Impúrpura do Caicó”, ora uma primeira-ministra paquistanesa: “Não aponte o dedo para Benazir Butho, seu puto” (“Benazir”). O compositor não tem fronteiras:

Mama mundi, me ensina
pra onde seguir
Mãe de gagarin
Mãe de mestre vitalino 
Me nina, mãe mundi (“Mama Mundi”).

Em seu mapa racial, a África ganha destaque. "Eu disse que vim do Senegal/ montado num cavalo-de-pau" (“Mandela”). O penteado do artista, que lhe confere identidade, serve de mote para a defesa de sua negritude na canção-manifesto “Respeitem Meus Cabelos, Brancos”, cujo título parodia versos do samba “Cabelos Brancos” [Herivelto Martins (1912-1992) / Marino Pinto (1916-1965)]. Canta Chico César: "Pois quando um preto fala/ O branco cala ou deixa a sala". Entre as poucas canções assinadas por outros autores, há a regravação de “Alma Não Tem Cor” [André Abujamra (1965)]: "Percebam que a alma não tem cor/ Ela é colorida/ Ela é multicolor".

Cria o selo Chita Discos em 2003, pelo qual lança trabalhos próprios e de artistas como o instrumentista Swami Jr. (1958) e os grupos Jaguaribe Carne e Quinteto da Paraíba. Em 2005, publica o livro Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade (2005).

Em 2009, assume a presidência da Fundação Cultural de João Pessoa e, dois anos depois, torna-se secretário de cultura da Paraíba. Em 2011, grava em DVD Aos Vivos Agora, reedição de seu primeiro álbum, acrescido de outras canções. No ano seguinte, lança seu segundo livro Rio Sou Francisco.

Em meio às possibilidades criativas, os momentos de calmaria estão reservados às canções de amor – “Minha tribo me perdeu/ Quando entrei no templo da paixão” (“Templo”), em parceria com Tata Fernandes e Milton de Biasi. Os versos são simples e diretos: “Quando vi você me apaixonei” (“À Primeira vista”); “É só pensar em você / Que muda o dia” (“Pensar em Você”); “Como esta noite findará/ E o sol então rebrilhará/ Estou pensando em você” (“Onde estará o meu amor”). Dessa forma, equilibra a experimentação e o lirismo.

Em 2019, o compositor lança o disco O amor é um ato revolucionário, disco que mistura canções de tom político, como a faixa que dá título ao álbum, influências do folk rock, como em “O homem do cobertor poluído”, e canções de apelo romântico, como “Minha Morena”, na qual Chico César evoca o romance através de versos como:

Minha morena
Vem me namora
Pegue essa onda agora de calor
Paixão acena
Bem dentro e fora
Vem vamos embora pro amor

Chico César traz em sua obra elementos de origem nordestina e os mistura com influências do rock, folk e reggae para gerar experimentações musicais, além de transitar entre linguagens, para além da musical, produzindo arte performática e literatura.

Outras informações de Chico César:

  • Outros nomes
    • Francisco Cesar Gonçalves
  • Habilidades
    • Compositor
    • Ator
    • diretor musical
    • Cantor/Intérprete
    • Arranjador
    • Produtor musical
    • Produtor cultural
    • Escritor
    • jornalista
    • Poeta
    • Violonista
    • guitarrista
    • Secretário
    • letrista

Obras de Chico César: (12) obras disponíveis:

Midias (1)

Chico César – Série Cada Voz (2020)
Chico César traz sua percepção sobre o que é ser artista, a importância em se arriscar para fascinar e conquistar a comunidade e o público. Para além do espaço de alegria e entretenimento atribuído aos artistas, ele fala da importância em ter um olhar crítico sobre a sociedade e assumir essa posição.

Sobre o início de sua carreira, Chico César conta que sua mãe desejava que ele fosse padre e, contrariando suas expectativas, aos 12 anos gravou sua primeira música em um gravador de rolo, para que não a esquecesse.

Já formado em comunicação social, ele chega a São Paulo e lida com as dificuldades em ingressar no meio musical na época dos festivais, recusando-se a ser apenas intérprete e desejando seguir carreira como compositor.

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Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (7)

  • BOZZO JÚNIOR, Carlos. Queria vender como SPC', diz Chico César. Folha de S.Paulo, São Paulo, 04 set.1999.
  • FERREIRA, Mauro. Chico César oscila entre o amor e a guerra em disco pautado por fartura musical. 17 set. 2019. G1. Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2019/09/17/chico-cesar-oscila-entre-o-amor-e-a-guerra-em-disco-pautado-por-fartura-instrumental.ghtml.  Acesso em: 20 fev. 2020
  • GIRON, Luis Antonio. Chico César, um 'sapeador' inspirado. Gazeta Mercantil, São Paulo, 24 mar. 2000.
  • NATALE, Edson. Chico César. In: NESTROVSKI, Arthur (Org.). Música popular brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • PALUMBO, Patricia. Vozes do Brasil. Apresentação Patricia Palumbo. São Paulo: DBA, 2002. pp. 111-121
  • Programa da Jornada Sesc de Teatro - o teatro musical - 1994 - espetáculo: E o Tao do Mundo Não se Acabou Não catalogado
  • SOUZA, Tárik de. Um dos melhores discos do compositor. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 nov. 2005.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CHICO César. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa211580/chico-cesar>. Acesso em: 13 de Jul. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7