Artigo da seção pessoas Rosário Fusco

Rosário Fusco

Artigo da seção pessoas
Teatro / artes visuais / literatura  
Data de nascimento deRosário Fusco: 1910 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / São Geraldo) | Data de morte 1977 Local de morte: (Brasil / Minas Gerais / Cataguases)

Biografia
Rosário Fusco de Souza Guerra (São Geraldo MG 1910 - Cataguases MG 1977). Romancista, poeta, dramaturgo, jornalista, crítico literário e advogado. Filho do comerciante italiano Rosário Fusco e da lavadeira Auta de Souza Guerra, fica órfão de pai em seus primeiros meses de vida e muda-se para Cataguases, Minas Gerais. Faz o curso infantil nessa cidade na Escola Maternal Nossa Senhora do Carmo e os cursos fundamental e médio no Ginásio Municipal de Cataguases. Estuda enquanto trabalha em diversos ofícios: servente de pedreiro, pintor de tabuletas de cinema, aprendiz de latoeiro, lavador de vidros, prático de farmácia, auxiliar de correntista numa casa bancária, professor de desenho e bedel do ginásio em que estuda. Em 1925, inicia intensa correspondência com o grupo modernista de São Paulo e começa, bastante cedo, a publicar seus poemas no jornal Mercúrio da Associação Comercial de Cataguases. Ainda aluno do ginásio de Cataguases, frequenta as sessões do Grêmio Literário Machado de Assis e participa da fundação do grupo Verde, responsável pelo lançamento da Verde, importante publicação modernista editada entre 1927 e 1929. Essa revista conta com a colaboração de poetas, escritores e ilustradores modernistas do Brasil e de outros países. Em 1932, muda-se para o Rio de Janeiro, onde conclui, em 1937, o curso de direito na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e realiza intensa atividade na imprensa como crítico e jornalista. Nessa época trabalha também como publicitário, cronista de rádio, redator-chefe da revista A Cigarra, crítico literário do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, secretário da Universidade do Distrito Federal e procurador do ex-estado de Guanabara, cargo em que se aposenta. De 1941 a 1943, dirige, ao lado de Almir de Andrade, a publicação Cultura Política: Revista de Estudos Brasileiros, financiada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura e propaganda instituído pelo presidente Getúlio Vargas (1883 - 1954) no Estado Novo. Depois de trabalhar na década de 1940 como adido da Embaixada do Brasil em Santiago, Chile, candidata-se, sem sucesso, ao cargo de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. Por volta de 1960, muda-se para Nova Friburgo, onde permanece até 1968. Retorna a Cataguases, onde morre, em 1977.

Comentário crítico
Rosário Fusco é um autor que fica por muito tempo associado quase exclusivamente à Revista Verde e à relação desta com o modernismo brasileiro. A partir de 2000, no entanto, dois de seus romances, O Agressor e a.s.a. Associação dos Solitários Anônimos, são relançados - pouca coisa dentro de uma produção ampla e diversa.

O autor começa sua obra produzindo versos. Enquanto trabalha na elaboração da Revista Verde, produz alguns poemas ao estilo do escritor modernista Oswald de Andrade. Lança seu primeiro e único livro de poesias, Fruta do Conde, em 1929. São poemas compostos em versos livres com atenção aos temas locais com forte influência do modernismo. Em 1940, publica ensaios e críticas literárias em três diferentes livros: Amiel, Vida Literária e Política e Letras. Produz, anos depois, o romance O Agressor, sua obra de maior repercussão. Esse livro é considerado pelo crítico literário Antonio Candido um raro exemplo de romance surrealista no Brasil. O hermetismo e a estranheza de O Agressor se dão, em grande medida, pelo descompasso que existe entre a percepção do personagem principal, David, e a realidade que não a confirma. David é contador em uma chapelaria, vive modestamente em uma pensão com a vida voltada ao trabalho. O narrador, como em certa medida o de Kafka, forte influência no livro, apresenta uma realidade em que o leitor enxerga determinada parte, geralmente hipertrofiada, da cena. O título do livro deixa em certa suspensão a questão de quem é o agressor já que David aparece como vítima, como alguém que parece estar sendo perseguido. Essa posição do personagem no romance é dada ao leitor por sua própria percepção, que, aos poucos, vai apresentando traços paranoicos até David se revelar, no desfecho do livro, como o agressor quando espanca violentamente a proprietária da pensão em que mora.

O autor possui, ainda, alguns romances e peças que praticamente desapareceram das principais bibliotecas do país, como aponta Cassiana Cardoso em seu estudo. Em 2003 é publicado o romance póstumo do autor, a.s.a. Associação dos Solitários Anônimos, livro em que, segundo o crítico literário Luiz Ruffato, "Fusco leva à exaustão a sua opção estética. Esvaziando a realidade de seu conteúdo, faz desfilar, por cenários vertiginosamente marginais, seus personagens, sob a égide da lógica do absurdo".

Outras informações de Rosário Fusco:

  • Habilidades
    • romancista
    • poeta
    • autor
    • jornalista
    • crítico literário
    • dramaturgo
    • advogado

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Exposições (1)

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ROSÁRIO Fusco. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa211044/rosario-fusco>. Acesso em: 22 de Jul. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7