Pessoas

César Vieira

Outros Nomes: Idibal Almeida Pivetta | Idibal Almeida Piveta
  • Análise
  • Biografia
    Idibal Almeida Piveta (Jundiaí SP 1931). Autor e diretor. Um dos fundadores do grupo Teatro Popular União e Olho Vivo, pioneiro na utilização dos processos de criação coletiva, dedicando-se à uma dramaturgia popular e comprometida com o teatro de resistência.

    Formado em direito, jornalismo e não completando uma formação em dramaturgia na Escola de Arte Dramática (EAD), em 1964, César participa de atividades teatrais desde meados dos anos 1960. Em 1969, está entre os fundadores do grupo União e Olho Vivo, junto ao Centro Acadêmico 11 de Agosto do Largo São Francisco, que elege um texto seu - O Evangelho Segundo Zebedeu - para iniciar suas atividades, sob a direção de Silnei Siqueira.

    Montado num circo no Parque Ibirapuera, o empreendimento realiza uma itinerância pelos bairros populares, caracterizando o grupo que, ao desligar-se do ambiente acadêmico, envereda por um decidido caminho de arte popular.

    A dramaturgia de César Vieira está umbilicalmente vinculada às propostas de coletivização, co-participação e aberta às contribuições de sua equipe artística, razão pela qual ele é um dos mais antigos militantes desse tipo de dramaturgia. A idéia dos espetáculos nasce de trabalhos internos de improviso e estudos, cabendo-lhe dar a forma final e aprimorar os diálogos.

    Antes de dedicar-se ao teatro, César escreve algumas obras em prosa, no início dos anos 1960 (biografias de Alexandre de Gusmão e Santos Dummont), sem repercussão maior. Com Corínthians, Meu Amor, em 1967, inicia-se no teatro. Suas peças escritas para o grupo União e Olho Vivo são: O Evangelho Segundo Zebedeu, 1969 - Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, de melhor autor nacional; Rei Momo, 1972; Bumba Meu Queixada, 1978; Morte aos Brancos, A Lenda de Sepé Tiaraju, em 1984; Barbosinha Futebó Crubi - Uma História de Adonirans, em 1991; Os Juãos e os Magalís - Uma Chegança de Marujos, em 1996 - pelo qual recebe o Prêmio Dramaturgia Funarte-MinC; Brasil Quinhentão!??, em 1998, premiado com o Mambembe e o Flávio Rangel MinC; e A Revolta da Chibata - A História de João Cândido, um Almirante do Povo, em 2000.

    Em todas elas o tema da organização da revolta ou a luta contra a opressão é dominante, uma vez que essa mensagem é de fundamental importância para os propósitos do grupo. Em sua maior parte, são criações que enfatizam elementos folclóricos ou tomam um folguedo popular como forma expositiva, nela depositando sua força de comunicação com um público majoritariamente popular.

    O professor e crítico Antonio Candido registra sobre A Revolta da Chibata: "César Vieira recria a façanha de 1910 na chave da arte, jogando com a imaginação e a fantasia que permitem realçar os traços da verdade. É o que faz esta peça por meio da música, da cor, do gesto organizado, da sátira, da indignação - dispostos em quadros sucessivos segundo um ritmo de vai-e-vem no tempo, de modo a modular uma espécie de grande parada histórica não convencional. Ao fazer isso o autor de João Cândido do Brasil ilumina um dos dramas mais heróicos e sombrios de nossa história contemporânea, contribuindo para reescrevê-la sem as deformações impostas pelos grupos dominantes. Assim foi que, lentamente, com dificuldade, Palmares deixou de ser nos livros escolares um feito de Domingos Jorge Velho para tornar-se o que foi: a epopéia de Zumbi e sua gente. Do mesmo modo, a revolta baiana dos alfaiates, explosão do povo oprimido, custou a sair do esquecimento a que fora relegada e passou a existir como capítulo importante de nossas lutas sociais. Quer dizer que a verdade dos oprimidos pode acabar se sobrepondo à ideologia mutiladora dos opressores. Para isso contribui esta peça de necessária radicalidade, que mostra mais uma vez a força humanizadora do Teatro Popular União e Olho Vivo".1

    Não destinados ao grupo são os textos: Um Uísque para o Rei Saul, cuja montagem vivida por Glauce Rocha contribui grandemente para divulgá-lo no ambiente artístico; O Elevador; O Transplante; e Luz de Emergência.

    Notas

    1. CÂNDIDO, Antônio. In Programa da peça A Revolta da Chibata, 10 de novembro de 2001.

Espetáculos

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Fontes de Pesquisa

VIEIRA, César. Em busca de um teatro popular. Apresentação Celso Frateschi, Antonio Grassi, Augusto Boal, Antonio Candido; texto Luiza Barreto Leite, Luiz Alberto Sanz. 4. ed. atual. São Paulo: Funarte, 2007. 487 p., il.

GARCIA, Silvana. O Teatro da Militância. São Paulo: Perspectiva, 1990. 208 p.

NÉSPOLI, Beth. Prêmio Teatro Cidadão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. D6, 23 jan. 2002.

TEATRO UNIÃO E OLHO VIVIO. São Paulo, 1999. Programa da Mostra de 33o Aniversário do grupo. São Paulo, SESC, 1999.

VIEIRA, César. Em busca de um teatro popular: a história do TUOV. S.l.: Unesco.