Artigo da seção pessoas João Artacho Jurado

João Artacho Jurado

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deJoão Artacho Jurado: 1907 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 1983 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

João Artacho Jurado (São Paulo, São Paulo, 1907 - idem 1987). Arquiteto. Começa a vida profissional nos anos de 1930, quando se transfere para o Rio de Janeiro, onde realiza letreiros para feiras expositivas. Em 1934, de volta a São Paulo, abre uma empresa de luminosos a gás néon, e continua produzindo letreiros e pequenos estandes. A Feira do Centenário de Santos, inaugurada em 1939, o coloca em contato com o então governador de São Paulo, Ademar Pereira de Barros (1901-1969) e com o industrial Roberto Simonsen (1889-1948), que o convidam a organizar a 1ª e a 2ª Feira Nacional de Indústrias de São Paulo, realizadas no Parque Antártica em 1940 e em 1941. Em 1944, com seu irmão Aurélio funda a Construtora Anhanguera Ltda. A partir de 1946, os investimentos se concentram no mercado imobiliário, com a fundação da Imobiliária Monções Ltda, durante a construção do empreendimento Cidade Monções (conjunto de casas construídas no bairro do Brooklin Paulista). Em 1951, associam-se a Sílvio Brand Corrêa e José de Castro Tibiriçá, criando a Construtora e Imobiliária Monções S.A, que substitui as duas primeiras. A nova empresa é responsável pelas obras mais famosas de Jurado, os edifícios Viadutos (1951-1958), Bretagne (1958) e Verde Mar (1953-1956), este último erguido em Santos. Um ano depois, a firma começa a enfrentar processos movidos por clientes que se julgam lesados por sua empresa, além de problemas financeiros advindos da alta da inflação. O processo de decadência se extende até que encerra as suas atividades em 1967.

Análise 

Festejado por uns como um arquiteto inventivo do porte do arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926), criticado por outros como ícone do mau gosto,1 João Artacho Jurado é uma das figuras mais controversas do cenário arquitetônico paulistano dos anos de 1940 e 1950.

O início de sua carreira profissional em feiras expositivas realizadas em sociedade com o irmão Aurélio Artacho Jurado a partir de 1934 é marcante ao menos sob três aspectos. Em primeiro lugar, porque o coloca em contato com a arquitetura. Em segundo, porque lhe garante ampla experiência no ramo da construção civil, uma vez que os estandes por eles executados não eram obras transitórias e sim verdadeiros edifícios. Finalmente, porque o trabalho o transforma em um exímio publicitário, com o aprendizado se refletindo nas estratégias de marketing adotadas na promoção de seus negócios no mercado imobiliário, onde concentra seus investimentos a partir de meados dos anos de 1940. Em síntese, "as feiras  seriam a sua principal e única escola de arquitetura, engenharia e, sobretudo, de marketing promocional", tranformando o profissional autoditada em um expert do setor imobiliário.

Os primeiros trabalhos realizados pela Construtora Anhangüera, casas térreas e sobrados nos bairros paulistanos da Pompéia, Vila Romana, Água Branca, Perdizes e Brooklin e edifícios verticais no centro expandido , não têm ainda a marca do estilo que Jurado construiria a partir do Edifício Piauí (1947) e mais especialmente dos edifícios Viadutos (1951-1958), Bretagne (1958) e Verde Mar (1953-1956). Nessas últimas obras, certas características particulares de seus primeiros projetos como o destaque das varandas, o desenho rebuscado das balaustradas e sancas, a volumetria e o desenvolvimento inusitado de formas eruditas da arquitetura clássica, como arcos e ogivas, ganham expressão e força ao serem assimiladas a elementos da arquitetura moderna carioca de Oscar Niemeyer (1907), como pilotis em "V", abóbadas e marquises sinuosas, ganhando também um colorido vibrante em que predominam os tons rosa, azul e amarelo.

O aspecto cênico e pouco ortodoxo de sua arquitetura contribui para colocá-lo numa posição de destaque no cenário arquitetônico paulistano, mas não explica totalmente o sucesso de seus empreendimentos. Fiel ao aprendizado da época das feiras e exposições, Jurado investe na promoção de seus edifícios, produzindo catálogos luxuosos, promovendo eventos com a participação de artistas e sorteio de prêmios a cada novo lançamento. Publicando anúncios de página dupla no jornal O Estado de S. Paulo e patrocinando a coluna "Arquitetura e Urbanismo" do Diário da Noite, bem como o Teatro Monções da extinta TV Tupi. Havia, inclusive, uma empresa de propaganda especialmente dedicada à divulgação dos trabalhos da Construtora e Imobiliária Monções, a Hegui, do publicitário Hélio Guimarães.

Concomitantemente à campanha publicitária, Jurado investe na construção de um ideal de conforto, de bem morar, capaz de atrair uma clientela ainda desconfiada em relação às vantagens de se morar em edifícios verticais e não em casas isoladas. Esse ideal é reforçado com a inclusão nos edifícios de salões de festas, salas de leitura, de música, de jogos e de chá, playgrounds e salas de brinquedo, restaurantes, bares, jardins de inverno, terraços-jardins com vistas panorâmicas da cidade, lojas e sub-solos com garagem. Alguns desses espaços eram também destinados ao aluguel como forma de abater os custos com o condomínio.

O mesmo objetivo faz com que a construtora submeta o projeto aos anseios dos futuros moradores, desenvolvendo plantas flexíveis e estruturas sobredimensionadas capazes de adequar os apartamentos às necessidades de cada cliente, mesmo que isso signifique ir contra a lógica e a economia da construção, a ponto de retirar pilares ou mudar a implantação do edifício para uma pior orientação solar, como ocorre com Edifício Bretagne. Tranformam Jurado no alvo principal das críticas dos arquitetos modernos no período. Entretanto, diante do enfraquecimento do ideário moderno acompanhado de um elogio à pluralidade de discursos e formas arquitetônicas, suas obras adquirem grau de visibilidade e valorização.

Notas

1 José Marcelo do Espírito Santo, Intrigante desafio dos meio-tons. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 26, pp. 80-87, out./nov. 1989.

Outras informações de João Artacho Jurado:

  • Habilidades
    • arquiteto

Fontes de pesquisa (4)


  • AZEVEDO, Ricardo Marques de. Sobre historiografia. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 26, pp. 88-89, out./nov. 1989.
  • FRANCO, Ruy Eduardo Debs. Artacho Jurado: arquitetura proibida. São Paulo: Editora Senac, 2008.336p. Il. color.
  • SANTO, José Marcelo do Espírito. Intrigante desafios dos meios-tons. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 26, pp. 80-87, out./nov. 1989.
  • TEPERMAN, Sergio. Brega e Kitsch. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 26, pp. 90-91, out./nov. 1989.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOÃO Artacho Jurado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa204857/joao-artacho-jurado>. Acesso em: 23 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7