Artigo da seção pessoas Augusto Riedel

Augusto Riedel

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deAugusto Riedel: 1836 Local de nascimento: (Alemanha) | Data de morte 1877
Imagem representativa do artigo

Hospedagem do Duque de Saxe e de Seu Irmão, Luis Philippe na Casa do Major Brandt (Dimantina, MG) , 1868 , Augusto Riedel
Reprodução Fotográfica César Barreto/Itaú Cultural

Biografia

Augusto Riedel (Alemanha, 1836 – s.l., ca.1877). Fotógrafo. Ao contrário do que se afirma, não é filho de Ludwig Riedel (1790-1861), botânico alemão que acompanha o barão russo Georg Heinrich von Lansgdorff (1774-1825) em expedição científica ao interior do Brasil entre 1825 e 1829. É provavel que o fotógrafo seja C. Frederico Augusto Riedel, mestre de embarcação, que transita entre Brasil, Europa e Estados Unidos no início de 1863 e fim de 1865, segundo registros do Porto do Rio de Janeiro. Em 1865, ano em que não há mais dados portuários referentes a Riedel, passa a se anunciar como retratista em São Paulo. Em 1867, cessam os anúncios nessa cidade. Em 1868, participa da expedição que Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, o Duque de Saxe (1845-1907), genro de d. Pedro II (1825-1891), realiza pelo interior do sudeste e do nordeste brasileiro. Resulta dessa viagem o álbum Viagem de suas Altezas Reais o Duque de Saxe e seu Augusto Irmão Louis-Philippe ao Interior do Brasil no Ano de 1868. Em 1870, anuncia em jornais a venda desse álbum. Na década de 1870, continua no Rio de Janeiro. Recebe menção honrosa na Exposição Internacional de Viena de 1873. Há registros que, nessa mesma década, trabalha por algum tempo na Bolívia. Entre 1875 e 1877, volta a anunciar no Rio de Janeiro. Em 1875, é naturalizado brasileiro. Na década de 1880, está de novo em São Paulo, mas não se sabe por quanto tempo permanece na cidade. Em 1881, algumas imagens do álbum Viagens de suas Altezas Reais... são apresentadas na 1a Exposição de História do Brasil. Depois desse período, não são mais encontrados dados a seu respeito. Sabe-se, contudo, que é casado.

Análise

Um conjunto de pouco mais de 50 fotografias é o que se conhece da produção de Augusto Riedel. Sua trajetória errante e pouco documentada é confundida com a de outro Augusto Riedel, filho de Ludwig Riedel (participante da Expedição Langsdorff entre 1825-29) e, coincidentemente, empregado do fotógrafo e editor George Leuzinger (1813-1892).

Mesmo que limitado, o conjunto de imagens de Augusto Riedel é significativo para a história da fotografia brasileira. A maior parte de suas fotos integra o álbum Viagem de suas Altezas Reais o Duque de Saxe e seu Augusto Irmão Louis-Philippe ao Interior do Brasil no Ano de 1868. Ainda que se conheçam dados sobre outros trabalhos fotográficos do gênero feitos no Brasil, esse álbum é o mais antigo existente até o momento e importante por se tratar do registro de uma viagem realizada por um membro da família real, o Duque de Saxe, genro de d. Pedro II.

Captadas sobretudo entre Minas Gerais e Bahia, a imagens investem na representação da paisagem brasileira e alinham-se a tomadas análogas feitas desde os anos 1850 por outros fotógrafos no país, como Auguste Stahl (1824-1877). Riedel conhece Stahl ou, ao menos, suas imagens. Uma das fotografias mais famosas de Stahl, uma tomada da Cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, é utilizada por Riedel para integrar seu álbum. Nela, contudo, altera a imagem original com uma montagem: forja a presença de um membro da comitiva no centro da grande cachoeira, vista em período de cheia.

Riedel, com isso, faz um duplo e interessante movimento: sugere respeito e diálogo com o trabalho de outros profissionais de sua época e evidencia que a fotografia, no século XIX, está longe da objetividade que algumas personalidades costumam atribuir-lhe.

Outras informações de Augusto Riedel:

  • Outros nomes
    • A. Riedel
    • C. F. Riedel
    • C. Frederico Augusto Riedel
    • Frederico Augusto Riedel
  • Habilidades
    • fotógrafo

Obras de Augusto Riedel: (17) obras disponíveis:

Exposições (12)

Artigo sobre A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX (1997 : Buenos Aires, Argentina)

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioA Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX (1997 : Buenos Aires, Argentina): 04-07-1997  |  Data de término | 31-07-1997
Resumo do artigo A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX (1997 : Buenos Aires, Argentina):

Museo Nacional de Bellas Artes (Buenos Aires, Argentina)

Artigo sobre A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX (2000 : Porto, Portugal)

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioA Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX (2000 : Porto, Portugal): 08-06-2000  |  Data de término | 30-07-2000
Resumo do artigo A Coleção do Imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX (2000 : Porto, Portugal):

Centro Português de Fotografia (Porto, Portugal)

Fontes de pesquisa (10)

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  • FABRIS, Annateresa (Org.). Fotografia: usos e funções no século XIX. São Paulo: Edusp, 1991. (Coleção texto & arte, 3).
  • FERREZ, Gilberto. A fotografia no Brasil: 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 248 p. (História da fotografia no Brasil, 1).
  • KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil : século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 128 p.
  • MARÇAL, Joaquim (org.). A coleção do imperador: fotografia brasileira e estrangeira no século XIX. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1997. 71 p.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, São Paulo, SP. O olhar distante. Curadoria Jean Galard, Pedro Corrêa do Lago; assistência de curadoria Mariana Cordiviola; tradução Alain François, Contador Borges, Tina Delia, John Norman, Eduardo Hardman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p. (Coleção Luz & Reflexão, 4).
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. 272 p.
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985. 243 p.
  • _______; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O olhar europeu : o negro na iconografia brasileira do século XIX. São Paulo: Edusp, 1994

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • AUGUSTO Riedel. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa204742/augusto-riedel>. Acesso em: 16 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7