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Angelo Agostini

Outros Nomes: Ângelo Agostini
  • Análise
  • Biografia
    Angelo Agostini (Vercelli, Itália 1843 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1910). Caricaturista, ilustrador, desenhista, crítico, pintor, gravador. Ainda criança muda-se para Paris, onde conclui seus estudos de desenho em 1858. Reside em São Paulo a partir de 1860, e quatro anos depois funda, com Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) e Sizenando Barreto Nabuco de Araújo (1842-1892), o semanário liberal Diabo Coxo. Em 1866, cria, com Américo de Campos e Antônio Manuel Reis, o jornal O Cabrião, periódico semanal, no qual publica sátiras sobre a Guerra do Paraguai. Além disso, nessa publicação, merecem destaque a série de pequenos artigos Instruções Secretas dos Padres da Companhia de Jezus, onde ironiza as estratégias de enriquecimento da ordem religiosa, e a caricatura O Cemitério da Consolação em Dia de Finados, sátira sobre o feriado cristão. Esta charge gera uma grande polêmica desenvolvida nas páginas de dois outros periódicos, O Diário de São Paulo e o Correio Paulistano. Muda-se para o Rio de Janeiro e passa a colaborar no periódico O Arlequim, em 1867, e na revista Vida Fluminense, em 1868, que publica pela primeira vez a história infantil de sua autoria Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. Entre 1869 e 1875, trabalha como colaborador na revista O Mosquito onde, em 1872, publica caricatura satirizando a tela Passagem de Humaitá (1868), de Victor Meirelles (1832-1903). Em 1876, funda a Revista Ilustrada e, como editor, publica, em 1879, a série de caricaturas Salão Fluminese-Escola Brazileira, em que satiriza as obras enviadas para os salões de belas-artes. Em uma dessas caricaturas, intitulada Oferecido ao Eminente Pintor Victor Meirelles de Lima, o artista ironiza as telas Batalha dos Guararapes (1875/1879), de Victor Meirelles, e A Batalha do Avaí (1872/1877), de Pedro Américo (1843-1905). Durante a campanha abolicionista, Agostini publica na revista a série de caricaturas Cenas da Escravidão, em que, fazendo referência aos passos da paixão, apresenta, em 14 ilustrações, diversas formas de tortura a que eram submetidos os negros cativos. Em 1889 viaja para Paris e lá permanece até 1895. Nesse ano retorna ao Rio de Janeiro e funda a revista Don Quixote. Trabalha na revista O Malho, em 1904, e integra a equipe fundadora da revista infantil O Tico-Tico, em 1905.

    Análise da trajetória
    Angelo Agostini nasce em Piemonte, na Itália, mas logo muda-se para a França. Em Paris, estuda desenho em 1858. Um ano depois, ele acompanha a excursão da mãe, uma cantora lírica, pelo Brasil, e se instala em São Paulo. Nesta cidade, o jovem italiano inicia seu trabalho com o desenho. Como editor funda, em 1866, o periódico O Cabrião, que apesar da curta duração (1866-1867), é bem aceito. Nessa publicação, o desenhista faz as suas conhecidas sátiras à Guerra do Paraguai e protagoniza uma das primeiras polêmicas envolvendo a imprensa brasileira: uma caricatura sobre Finados, que faz de O Cabrião o primeiro órgão de imprensa no país a sofrer processo judicial.

    Nessa época, Agostini desenvolve seu estilo no desenho. Ao contrário dos outros chargistas da época, seu traço não tende ao caricatural. A linha é dura, de características acadêmicas e pretensões realistas, as charges apresentam técnicas de perspectiva e buscam a ilusão de profundidade e o desenho tende a um modelado arredondado, garantido pelos esfuminhos do artista. Em 1868, muda-se para o Rio de Janeiro. É onde se utiliza dessas convenções acadêmicas para criar o que viria a ser a primeira história em quadrinhos do Brasil: Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. As histórias são publicadas nas revistas Vida Fluminense, O Malho e Don Quixote. Os personagens são caipiras recém-chegados à cidade que convivem ao mesmo tempo com um mundo que se estrutura à margem da corte e com toda sorte de entidades da mitologia rural brasileira.

    Em 1876 o artista funda a Revista Ilustrada. Marco na imprensa nacional, essa publicação é uma das primeiras a exercer concretamente a autonomia de imprensa no Segundo Reinado. Não aceita patrocínios e vive da venda de sua tiragem. Nela, Agostini publica sua célebre série de caricaturas do imperador Dom Pedro II (1825-1891). Nesse momento seu traço aprofunda o realismo. Apesar das situações satíricas, o artista busca uma verossimilhança quase fotográfica - em algumas matérias, o uso da imagem pretendia dar uma explicação visual ao seu conteúdo. A Revista Ilustrada se engaja na campanha abolicionista e serve de veículo para posições anticlericais e republicanas. Segundo Joaquim Nabuco, a "Revista Ilustrada era a Bíblia Abolicionista do povo que não sabia ler". Agostini também atua regularmente como crítico de arte na mesma revista. Em seus artigos defende pintores que demonstram discordância com os preconceitos da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Chega a escrever artigos em defesa de Pinto Bandeira (1863-1896), que havia sido recusado pela Aiba. Sai em defesa apaixonada dos artistas do Grupo Grimm. Tem larga simpatia pelo comportamento antiesquemático daqueles paisagistas.

    Em 1888 o artista, logo após conseguir a cidadania brasileira, tem uma filha fora do casamento com sua aluna Abigail de Andrade (1864-1890), fato considerado um escândalo. O estardalhaço obriga Agostini a se mudar para França e se afastar da edição da Revista Ilustrada. No retorno para o Brasil, no início da década de 1890, o desenhista vende sua parte da Revista, que continua publicando esporadicamente seus trabalhos até 1898. Em seguida, funda a revista Don Quixote, onde também publica As Aventuras de Zé Caipora. Com o passar dos anos, se dedica cada vez mais às histórias em quadrinhos. Colabora como cartunista em O Malho desde 1902. Em 1905 o artista faz o letreiro da revista O Tico -Tico, para a qual escreve histórias infantis, como A História do Pai João, publicada em 1906. Da década de 1890 em diante, como artista plástico participa de exposições com mais frequência. De 1901 até a sua morte, ele toma parte de todas as Exposições Gerais de Belas Artes. Agostini falece em 1910, é o maior e mais influente cartunista do Segundo Império (1840-1899), com grande ascendência sobre outros desenhistas como Pereira Neto e Hilarião Teixeira.

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Fontes de Pesquisa

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