Artigo da seção pessoas Furio Franceschini

Furio Franceschini

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deFurio Franceschini: 03-04-1880 Local de nascimento: (Itália / Lazio / Roma) | Data de morte 15-04-1976 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Furio Franceschini (Roma, Itália, 1880 - São Paulo, São Paulo, 1976). Regente, organista, professor, compositor. Inicia os estudos com o pai, Filippo Franceschini, flautista e catedrático da Accademia Nazionale di Santa Cecilia, Roma. Em 1900, estuda fuga, instrumentação e composição em Paris, com Jules Mouquet (1867-1946). Na Academia de Santa Cecília, é discípulo de Filippo Capocci (1840-1911), em contraponto e órgão, Giovanni Zuccani (1867-1928), em piano, e Giacomo Setaccioli (1868-1925), em harmonia.

Chega ao Rio de Janeiro em 1904, como mestre de coros de ópera, mudando-se, em 1906, para Espírito Santo do Pinhal, São Paulo. Um ano mais tarde, fixa-se na capital de São Paulo. No ano seguinte, assume o posto de organista titular e mestre de capela da Sé.

Entre 1924 e 1925, regressa à Europa para cursos de órgão com Charles-Marie Widor (1844-1937) e Philippe Bellenot (1860-1928), estudando ainda com Vincent D'Indy (1851-1931). Atua como professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, e funda a cadeira número 28 da Academia Brasileira de Música. Compõe mais de 600 obras, 2/3 das quais de música sacra, incluindo transcrições de peças de outros autores.

Publica escritos teóricos, como Breve Curso de Análise Musical (1931) e Compêndio de Canto Gregoriano (1938). Seu acervo particular possui manuscritos, diários, cartas, fotos, programas de concertos e documentos diversos. O acervo está dividido entre as bibliotecas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e a da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita (Unesp).

Análise
Em sua atuação na Sé de São Paulo, Furio Franceschini dedica-se à música sacra. O musicólogo  Fernando Lacerda Simões Duarte analisa as seis missas compostas entre 1907 e 1971: “Messa Alleluja” (1907), “Missa Festiva” (1953), “Missa em Honra de Nossa Senhora de Lourdes” (1955), “Missa Azul” (1956), “Missa em Honra de Nossa Senhora Aparecida” (1960) e “Missa Cristo Rei” (1971). Compostas para execução litúrgica, seus temas são extraídos de cantos gregorianos ou religiosos populares; o idioma é o latim,com exceção da missa Cristo Rei, em português. Para Duarte, a polifonia de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594) é um referencial importante para o compositor; porém, “o uso da harmonia própria do período romântico, a ambiguidade que reiteradamente se estabelece entre modo e tonalidade e o uso  da intertextualidade na escolha dos temas do cantochão são elementos que permitem afirmar que tais missas não são simples exercícios de cópia estilística'¹.

Como teórico, Franceschini é tido pelo escritor Mário de Andrade (1893-1945) como “incontestavelmente um dos homens que mais conhecem música no Brasil”. Na opinião do autor de Macunaíma (1928), seu Breve Curso de Análise Musical “vem destruir uma lacuna de nossa musicologia” e, “pela sua necessidade, pela clareza de exposição, pela perfeição metódica de disposição”, é um livro indispensável para musicistas amadores e profissionais².

Em CD, o volume 22 da Coleção Acervo Funarte é Furio Franceschini e seus Intérpretes, com peças do compositor executadas pelos pianistas Eudóxia de Barros (1937), Amaral Vieira (1952), Yara Ferraz e Belkiss Carneiro de Mendonça (1928-2005). Em 2010, o selo Paulinas lança José Luis de Aquino Interpreta obras de Furio Franceschini, dedicado à produção do compositor para órgão.

Notas:
1 DUARTE, Fernando Lacerda Simões. Música e ultramontanismo: possíveis significados para as opções composicionais nas missas de Furio Franceschini. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012.

2 ANDRADE, Mário de. Música e jornalismo: Diário de São Paulo. São Paulo: Hucitec: Edusp, 1993.

Outras informações de Furio Franceschini:

  • Habilidades
    • Regente/maestro
    • professor de música
    • Compositor

Fontes de pesquisa (3)

  • ABM: Academia Brasileira de Música. Rio de Janeiro. Disponível em: < http://www.abmusica.org.br/academico.php?n=rfurio-franceschini&id=155 >. Acesso em: 18 nov. 2015.
  • ANDRADE, Mário de. Música e jornalismo: Diário de São Paulo. São Paulo: Hucitec: Edusp, 1993.
  • DUARTE, Fernando Lacerda Simões. Música e ultramontanismo: possíveis significados para as opções composicionais nas missas de Furio Franceschini. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FURIO Franceschini. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa20062/furio-franceschini>. Acesso em: 15 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7