Artigo da seção pessoas Militão Augusto de Azevedo

Militão Augusto de Azevedo

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Artes visuais  
Data de nascimento deMilitão Augusto de Azevedo: 18-06-1837 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 24-05-1905 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Cavalos na Rua São Bento (São Paulo, SP) , ca. 1860 , Militão Augusto de Azevedo

Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1837 – São Paulo, São Paulo, 1905). Fotógrafo e ator. Militão de Azevedo tem um extenso e variado trabalho de documentação fotográfica da cidade de São Paulo de sua época.

Até a década de 1860, segue carreira como ator de teatro. Atua em grupos como a Companhia Joaquim Heliodoro e a Companhia Dramática Nacional, com a qual viaja a São Paulo em 1862, cidade onde reside e trabalha durante a maior parte de sua vida. 

Inicia-se na fotografia trabalhando no estúdio Photographia Academica de Carneiro & Gaspar e realiza, até 1865, a primeira grande documentação visual de São Paulo, anterior ao surto modernizador, na etapa final do Império. Cobre praticamente toda a extensão urbana da cidade – do centro aos limites do município –, que na época ainda guarda traços do passado colonial, com cerca de 45 ruas e 25 mil habitantes. 

Com engenho, as limitações técnicas se tornam parte da composição das imagens no trabalho do fotógrafo, cujo início de atuação coincide com a introdução no Brasil da produção com negativo em vidro de colódio úmido e impressão do positivo em papel albuminado. Pelo aspecto manual do revestimento da lâmina de vidro com o fluído, ocorrem falhas de encobrimento nas extremidades das fotografias. Esse entrave é transformado em solução estética por Militão, que corta os cantos das imagens mesmo quando o procedimento deixa de ser necessário. 

Diante do sucesso limitado de vendas, o fotógrafo dedica-se ao ofício de retratista, produzindo em torno de 12.500 retratos ao longo da carreira, o que corresponde a cerca de um terço da população paulistana na época. A intensa produção se beneficia do contexto dos anos 1870, com a “febre fotográfica”, atribuição do caricaturista Angelo Agostini (1843-1910) à atração popular pela possibilidade de registro visual da própria imagem. Militão compõe vasto painel dos tipos sociais – desde escravizados, estudantes e funcionários públicos, até políticos, intelectuais e figuras públicas, como o abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910) e o imperador Pedro II (1825-1891) – com anotações rigorosas de informações sobre os retratados nos livros de controle do estúdio. 

Nesse período, realiza as séries Álbum de Santos (1864-1865) e Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868). Segundo o pesquisador Rubens Fernandes Junior (1949), a fotografia de Militão isenta-se de “arroubos estéticos”, mantendo a simplicidade da composição. Na produção paisagística, preponderam os planos horizontais de ruas, ladeiras e largos, junto a tomadas de entroncamentos de vias emolduradas por edifícios e, com menos frequência, de chácaras. Nesses dois álbuns e nos registros de São Paulo, são frequentes vistas gerais e conjuntos de tomadas subsequentes que compõem panoramas com algumas movimentações de 360 graus.  

Em 1875, torna-se proprietário exclusivo do estúdio Carneiro & Gaspar, rebatizando-o como Photographia Americana. Depois de temporada na Europa para estudos de técnica fotográfica, vende o estúdio em 1886. No ano seguinte, lança sua obra principal, o Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo: 1862-1887, conjunto de 60 fotografias, formando 18 pares comparativos. As cidades de São Paulo “antiga” e “moderna”, então, justapõem-se, materializando a ideia de progresso, colocada de modo autoral, como ressalta a antropóloga Íris Morais de Araújo (1980). 

Nos pares, o arco histórico percorrido toma forma visual, com o contraste entre a pacata e provinciana cidade e a “metrópole do café”, que já apresenta traços de progresso em sua fisionomia e costumes, de acordo com o fotógrafo Boris Kossoy (1941). Para Fernandes Junior, a repetição de tomadas manifesta o esforço de documentação detalhada, expresso na captação em plano e contraplano. Também há cuidado na apreensão da circulação humana, aspecto particular de Militão. 

Anuncia o fim da atividade como fotógrafo em 1888. Além das fotografias documentais, Militão registra questões técnicas e atividades da Photographia Americana no manuscrito intitulado Livro Copiador de Cartas, composto também de missivas enviadas pelo fotógrafo entre 1883 e 1902. 

Em 1946, sua obra começa a ser reconhecida quando o fotógrafo Gilberto Ferrez (1908-2000) destaca Militão Augusto de Azevedo em ensaio pioneiro de balanço dos fotógrafos mais atuantes do país no século XIX. 

Na década de 1970, passa a ocupar posição privilegiada na história da fotografia brasileira, e recebe atenção crítica decisiva da professora e escritora Ilka Brunhilde Laurito (1925-2012), que publica o artigo O Século XIX na Fotografia de Militão (1972). Em 1973, imagens do Álbum Comparativo integram uma das primeiras exposições dedicadas à história da fotografia brasileira, realizada no Museu de Arte de São Paulo (Masp)

Militão Augusto de Azevedo registra as mudanças exercidas pela modernização na cidade de São Paulo e documenta criteriosamente os habitantes e as paisagens do Brasil do século XIX.

Outras informações de Militão Augusto de Azevedo:

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    • Militão
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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

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  • MILITÃO Augusto de Azevedo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2001/milit%C3%A3o-augusto-de-azevedo>. Acesso em: 21 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7