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Antonio Nóbrega

Outros Nomes: Antonio Carlos Nóbrega de Almeida | Antônio Nóbrega
  • Análise
  • Biografia
    Antonio Carlos Nóbrega de Almeida (Recife PE 1952). Ator, dançarino e músico. Artista múltiplo, escreve, atua, dirige, dança, compõe, canta e toca instrumentos. Através de seus espetáculos divulgada a cultura e o imaginário nordestino.

    Até os 18 anos, o artista, filho de um médico que incentiva os pendores artísticos da família, cultiva apenas as manifestações da música erudita. É convidado, então, para integrar o Quinteto Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, um dos mais importantes grupos a criar uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares.

    Toma contato, a partir dessa época, com diversos artistas populares e começa a estudar intensamente a música, as danças, a maneira de representar e cantar desses brincantes brasileiros.

    A partir de 1976 começa a desenvolver um estilo próprio de concepção em artes cênicas, dança e música, apresentando a partir de então os espetáculos A Bandeira do Divino, 1976; A Arte da Cantoria, 1981; Maracatu Misterioso, 1982; Mateus Presepeiro, 1985, todas concebidas e dirigidas por ele; O Reino do Meio Dia, com direção de Francisco Medeiros, 1989; Figural, 1990 e Brincante, de Bráulio Tavares e Nóbrega, 1992, ambos com direção de Nóbrega e Romero de Andrade Lima; e Segundas Histórias, também texto de Bráulio Tavares e Nóbrega, com direção dele em parceria com Rosane Almeida, em 1994.

    Na Unicamp, ajuda a implantar o Departamento de Artes Corporais e ensina danças brasileiras. Em 1992, funda em São Paulo, em parceria com a atriz e dançarina Rosane Almeida, o Teatro Escola Brincante, um espaço de conhecimento e valorização da cultura brasileira, onde são oferecidos cursos, oficinas com artistas populares brasileiros e apresentações de teatro, dança e música da dupla e diversos outros artistas.

    Vencedor de vários prêmios no Brasil e no exterior, acumula larga experiência e empreende, pelo seu selo Brincante, a gravação de seus discos, que acompanham cada um de seus espetáculos desde Na Pancada do Ganzá, texto e direção dele próprio, em 1995.

    No ano seguinte, por seu trabalho como artista ganha o prestigiado Prêmio Multicultural Estadão. Em 1997, lança seu espetáculo Madeira Que Cupim Não Rói, viajando pelas capitais brasileiras. Desenvolve em São Paulo uma extensa programação denominada Encontro com a Dança e a Música Brasileiras, trazendo artistas de diversas regiões que apresentam o mais expressivo painel das manifestações populares já apresentado na cidade, em 1998. No mesmo ano, volta aos palcos com Pernambuco Falando para o Mundo. Suas criações mais recentes são O Marco do Meio Dia, textos de Wilson Freire, 2000 e Lunário Perpétuo, 2002, assistidas em um grande número de cidades brasileiras e no exterior.

    Em 2004 e 2005, Antonio Nóbrega desenvolve, ao lado de Rosane Almeida, o projeto Danças Brasileiras, realizado para o Canal Futura. Trata-se de uma série de 12 programas em que a dupla interage com comunidades pelo Brasil afora, onde se encontram manifestações populares de dança. Esse projeto é fruto de um trabalho de pesquisa dos dois artistas visando a elaboração de uma linguagem brasileira de dança, que seja fundada nas diversas danças brasileiras ainda pouco conhecidas do circuito da criação artística.

    A grande personagem de Nóbrega é Tonheta, anti-herói popular por ele definido como um misto de pícaro, bufão, palhaço, arlequim, vagabundo, uma espécie de colcha de retalhos desses tipos populares que povoam as ruas e praças do país.

    O dramaturgo e professor de estética Ariano Suassuna, fundador do Movimento Armorial, nele vê a encarnação de seu projeto artístico: "De fato, com a aparição, na vida do palco brasileiro e no palco da vida brasileira, dessa extraordinária, ágil, lírica, e, ao mesmo tempo, cortante, aguda e satírica figura de Brincante, criado e recriado por Antonio Carlos Nóbrega - agora posso dizer, com orgulho e inveja ao mesmo tempo, que surgiu aquela maneira de encenar e representar com a qual eu sonhava e que, com minhas limitações e frustrações, não fui capaz de criar por mim mesmo. Antonio Carlos leva muito além e muito adiante aquele modelo que eu simplesmente imaginava para um verdadeiro ator brasileiro: porque ele, no campo do teatro encarado como espetáculo, é completo, sendo não somente autor, mas ainda ator. Mímico, dançarino, cantor e músico - tocador admirável de uma endemoniada rabeca, ágil, possessa e meio insana, como seu dono e como todo artista que se preza".1

    Notas
    1. SUASSUNA, Ariano. "A Arte da Cantoria", in Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, 5 de abril de 1981.

Espetáculos

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Exposições

Eventos

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Fontes de Pesquisa

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