Artigo da seção pessoas Antonio Nóbrega

Antonio Nóbrega

Artigo da seção pessoas
Música / dança / teatro  
Data de nascimento deAntonio Nóbrega: 02-05-1952 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Recife)

Biografia
Antonio Carlos Nóbrega de Almeida (Recife, Pernambuco, 1952). Dançarino, músico, cantor e instrumentista. Filho de pais médicos, aos 12 anos dá início aos estudos de música erudita na Escola de Belas Artes do Recife. Com o professor catalão Luís Soler (1920-2011) aprende a tocar violino, seu primeiro instrumento, e com a brasileira Arlinda Rocha estuda canto lírico. Ele e as três irmãs mantêm um conjunto amador de música popular que toca nas rádios e na televisão, além de se apresentar em casamentos e festas. Nos anos 1960, inicia a carreira profissional na Orquestra de Câmera da Paraíba, em João Pessoa, e participa como convidado da Orquestra Sinfônica do Recife, realizando concertos como solista.

Em 1970, em Recife, integra o Quinteto Armorial como instrumentista e compositor, a convite do escritor Ariano Suassuna (1927). É nesse grupo, cuja base está enraizada na música erudita em comunhão com as tradições populares, que Nóbrega afirma seu interesse e intensifica os estudos sobre a cultura popular brasileira. O convívio de dez anos com o grupo o permite ter contato com danças, instrumentos, músicas e maneiras de interpretar dos brincantes¹ brasileiros. Inicia carreira-solo em 1976, criando o espetáculo A Bandeira do Divino. Na sequência, estreia Arte e Cantoria (1981), apresentado, em 1982, no 1º Festival Internacional de Teatro, em São Paulo. Com Maracatu Maravilhoso (1982), sua terceira obra, Nóbrega fixa residência em São Paulo com o propósito de divulgar seu trabalho e fortalecer o aprendizado de outras técnicas, como a interpretação. No repertório de Nóbrega a dança, o canto, a mímica e a representação teatral revelam um universo identificado com os espetáculos populares, em que vários tipos, mitos e figuras do fabulário brasileiro estão presentes. Em 1992, Nóbrega e sua companheira, a curitibana Rosane Almeida (1964), criam o Teatro e Escola Brincante, atual Instituto Brincante, um espaço para promover a cultura brasileira.

A música ganha relevância nas obras do artista em 1996. Fazem parte de sua discografia Na Pancada do Ganzá (1995), Madeira que Cupim Não Rói (1997), Pernambuco Falando para o Mundo (1998), O Marco do Meio Dia (2000), Lunário Perpétuo (2002) e Nove de Frevereiro (2006). O espetáculo Lunário Perpétuo ganha, em 2003, versão em registro cinematográfico sob a direção do fotógrafo e cineasta Walter Carvalho (1947), que também dirige o filme do espetáculo Nove de Frevereiro, em 2008. Em 2009, é filmado Naturalmente, um misto de aula e espetáculo. Nesse mesmo ano, Nóbrega recebe a Comenda do Mérito Cultural. Em 1985, contribui com a implementação do Departamento de Artes Corporais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ministra aula de danças populares até 1991. Apresenta-se em diversos países e, em parceria com sua esposa Rosane, desenvolve a série de programas Danças Brasileiras, para o Canal Futura, apresentados entre 2004 e 2005. Ao longo da carreira recebe importantes prêmios na área da música e da dança, entre eles o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1989, 1996 e 2009; Shell (1994); e Sharp (1996).

Análise da trajetória
Antonio Nóbrega é um artista multidisciplinar cuja pesquisa, alicerçada em matrizes populares brasileiras, articula a fusão entre o erudito e o popular resultando na codificação de um gestual próprio que, além de sistematizar sua técnica, projeta a dança brasileira em âmbito internacional.

As danças clássica e moderna, assim como as danças orientais e populares são objeto de estudo de Nóbrega que, ao criar uma aliança entre seus movimentos, propõe uma escrita peculiar. As transposições dos passos, à medida que vão sendo reelaborados e recriados, produzem uma discussão sobre danças populares afastando a ideia de dança como um patrimônio estável. É priorizada a mobilidade da cultura popular, distanciando-se da “dança típica brasileira”, em busca de uma “dança com língua brasileira”.

Essa pesquisa sobre reinterpretação de passos, gestuais, posturas, procedimentos coreográficos, materiais míticos e simbólicos – presente em inúmeras dessas danças populares – amadurece com o encontro entre Nóbrega e Klauss Vianna (1928-1992). Para Nóbrega, Vianna é um pensador do corpo brasileiro. Com ele, estuda consciência corporal e elementos contemporâneos por dois anos, aprimorando a valorização da singularidade de cada corpo.

Seu repertório inclui espetáculos que mesclam música, teatro, mímica e dança. Também produz CDs e DVDs. Alguns deles apresentam uma linguagem voltada à criação coreográfica utilizando-se de um vocabulário de dança brasileira. São eles: O Reino do Meio Dia  (estreado no Carlton Dance Festival), Figural (Fundação Vitae), Nove de Frevereiro, Passo (prêmio Funarte Klauss Vianna) e Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira (prêmio APCA de melhor pesquisa em dança). Mas é com Naturalmente que Nóbrega parece chegar mais próximo do seu desejo de expor publicamente o que entende por dança “no pensamento e na prática”. Nóbrega considera esse espetáculo como sendo sua tese de doutorado, pois nele consegue unir arte e conceito, explicitando um modo de compreender corpo, arte e cultura. Sobre o título, diz que surgiu de uma conversa com o músico Dominguinhos (1941) e a sequência do nome dado ao espetáculo vem do discurso Teoria e Jogo do Duende (1933), escrito por Garcia Lorca (1898-1936).

Com a competência de tratar a cultura popular como um patrimônio da humanidade, Nóbrega, ao longo de sua carreira, aprofunda sua pesquisa e consolida um discurso em que o erudito e o popular brincam no seu corpo. Esse “brincante”, que é o termo que escolhe para caracterizar os seus dançarinos, tem sua assinatura em importantes desdobramentos sobre o entendimento da cultura popular no Brasil e no exterior. Ele não só divulga a arte popular ao criar o Teatro e Escola Brincante, atual Instituto Brincante, como abre um centro de referência da cultura brasileira, um espaço de conhecimento, assimilação, aprofundamento, recriação e difusão das inúmeras manifestações artísticas do país.

Nota
¹ Denominação comum dada aos artistas populares que trabalham nas ruas, pois quando vão apresentar algum tipo de espetáculo, “brincam”.

Outras informações

  • Outros nomes
    • Antonio Carlos Nóbrega de Almeida
    • Antônio Nóbrega
  • Habilidades
    • autor
    • músico
    • ator
    • cantor/Intérprete
    • Instrumentista
    • dançarino

Espetáculos (68)

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Exposições (2)

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Fontes de pesquisa (25)

  • NÓBREGA, Antonio. Entrevista ao programa Roda Viva. In: MARKUN, Paulo (Org.). O melhor do Roda Viva. Vol. 2. São Paulo: Conex,  2005. p. 149-159.
  • NÓBREGA, Antonio. Sítio oficial do artista. Disponível em: <www.antonionobrega.com.br>. Acesso em: 20 fev. 2011.
  • SANTOS, Idelette Muzart-Fonseca dos. Em demanda da poética popular: Ariano Suassuna e o Movimento Armorial. 2ª ed. revisada. Campinas: Ed. da Unicamp, 2009.
  • MUYLAERT, Roberto. O bom do Brasil - Antonio Nóbrega. Ícaro - Revista de bordo da Varig, São Paulo, n. 242, out. 2004.
  • NATALIE, Kathia. O incômodo de Antonio Carlos Nóbrega. Raiz - Cultura do Brasil, São Paulo, jun. 2006.
  • NÓBREGA, Antonio C. Biografia. Disponível em: http://www.antonionobrega.com.br/site/src/index_ful.html. Acesso em 25 jul. 2010.
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  • ALBIN, Ricardo Cravo (criação e supervisão). Dicionário Cravo Albin da música popular Brasil. Verbete Antonio Nóbrega. Disponível em:< www.dicionariompb.com.br/antonio-nobrega >. Acesso em: 26 fev. 2011.
  • AMARAL, Marina; SOUZA, Sérgio de; BARROS, João de; et. al. Brincadeira muito séria. Caros Amigos. São Paulo, ano VII, n. 82, jan. 2004.
  • ANTONIO Nobrega. Disponível em: [http://www.antonionobrega.com.br]. Acesso em julho 2005. 
  • CADENGUE, Antônio. "Educação pela máscara: recortes de uma genealogia de Antonio Nóbrega", in Folhetim, Teatro do Pequeno Gesto, Rio de Janeiro, nº 5, set.-dez., 1999, p. 44-59.
  • COELHO, Marco Antonio; FALCÃO, Aluisio. "Antonio Nóbrega: um artista multidisciplinar." Estudos Avançados, São Paulo, v. 9, n. 23, jan./abr. 1995. Dossiê Cultura Popular.
  • COELHO, Marco Antônio; FALCÃO, Aluísio. Antônio Nóbrega: um artista multidisciplinar. Estudos Avançados, v. 9, n. 23, São Paulo, jan.-abr. 1995. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141995000100005 >. Acesso em 30 jul. 2010.
  • DIAS, Mauro. Instrumentos ajudam a entender a história de um povo. O Estado de S. Paulo3 jul.1998. Caderno 2, p.D9.
  • HONOR, Rosângela. Novas bravatas de Tonheta. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25 jun.1994. Caderno 2, p.2.
  • HONOR, Rosângela. Aventuras picarescas. Jornal da Tarde, São Paulo, 11 ago.1992. p.18. 
  • KATZ, Helena. Nóbrega, naturalmente e com o requinte dos sábios. Disponível em: < http://www.helenakatz.pro.br/midia/helenakatz21250603203.jpg >. Acesso em 5 ago. 2010.
  • LIMA, Jorge Luís Moutinho. Antônio Nóbrega: a expressão linguístico-poético-musical de um brincante pernambucano. (Doutorado em Letras). Rio de Janeiro: UERJ, 2006.
  • MACHADO, Álvaro. "Brincante" retoma alma do teatro brasileiro. Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 ago. 1992. Ilustrada, p. 5-4.
  • NÓBREGA, Antonio C. Espetáculos. Disponível em: < http://www.antonionobrega.com.br/site/src/index_ful.html >. Acesso em 25 jul. 2010.
  • PEREIRA, Maria Lúcia. "Antonio Nóbrega, a cara do Brasil", entrevista em Sete Palcos, Cena Lusófona, nº 3, setembro de 1998, p. 59-65.
  • Prefeitura do Recife. Pastoril entre o sagrado e o profano. Disponível em: < http://www.recife.pe.gov.br/especiais/brincantes/8a.html >. Acesso em 1º ago. 2010.
  • Programa do Espetáculo - A Mais Bela História de Adeodata - 2002. Não catalogado
  • SUASSUNA, Ariano. "A Arte da Cantoria", in Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, 5 de abril de 1981, p. 5.
  • TEATRO Brincante. Disponível em: [http://www.teatrobrincante.com.br]. Acesso em julho 2005.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANTONIO Nóbrega. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa19341/antonio-nobrega>. Acesso em: 25 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7