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Araquém Alcântara

Outros Nomes: Araquém Alcântara Pereira | Araquém Alcantara
  • Análise
  • Biografia
    Araquém Alcântara Pereira (Florianópolis SC 1951). Fotógrafo, jornalista e professor. Em 1970, ingressa na Faculdade de Jornalismo da Universidade de Santos. Durante a graduação, trabalha como repórter dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, e inicia-se na fotografia. Em 1979, realiza sua primeira matéria de cunho ambientalista, a documentação do Parque da Juréia, em Iguape, São Paulo. A partir daí, faz expedições fotográficas à Mata Atlântica. Entre 1972 e 1982, trabalha também nos jornais Cidade de Santos, O Globo, Tribuna de Santos e na revista IstoÉ, além de desenvolver projetos pessoais engajados em questões ecológicas e sociais. Na década de 1980, participa de protestos contra a instalação de usinas nucleares na praia de Grajaúna, São Paulo. A partir de 1985, torna-se free-lancer e colabora em periódicos nacionais e internacionais. De 1988 a 1998, dedica-se à documentação da fauna e da flora dos 36 parques ecológicos brasileiros, o que dá origem ao livro Terra Brasil, de 1998. Entre prêmios recebidos, destacam-se a Presença das Crianças nas Américas, concedido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef, em 1979; o Grande Prêmio da 1ª Bienal de Fotografia Ecológica, realizada em Porto Alegre, em 1982; e de melhor exposição em 1993, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. É autor de 17 livros de fotografia, sendo a maioria sobre os ecossistemas nacionais. Além das atividades fotográficas, atua como professor em worshops em vários Estados do Brasil.

    Comentário crítico
    Considerado um dos mais importantes fotógrafos de natureza do Brasil, Araquém Alcântara é o primeiro a desenvolver, em cerca de 30 anos, um trabalho sistemático de documentação dos parques nacionais brasileiros.

    Suas imagens são um manifesto em defesa da causa ecológica. Embora tenha registrado a degradação ambiental da cidade de Cubatão, São Paulo, no início da carreira, o conjunto de sua obra não se caracteriza pela denúncia, mas pelo discurso de exaltação das belezas naturais. Revelando a riqueza e a diversidade de ecossistemas desconhecidos para a maior parte dos brasileiros, ele chama a atenção para a necessidade de preservação.

    O trabalho se aproxima da estética de revistas internacionais como a National Geographic Universal, nas quais a presença do fotógrafo é discreta, pois as imagens são construídas seguindo o ideal da imparcialidade. A luz é quase sempre natural. O flash é utilizado apenas em situações extremas, de maneira suave, procurando não criar sombras que denunciem sua artificialidade. Os enquadramentos são feitos à altura dos olhos, procurando reproduzir uma visão direta, sem distorções, como se a fotografia estivesse a serviço da natureza e fosse apenas um meio de divulgá-la. As composições são equilibradas e apresentam as formas dos animais e das plantas com clareza. O fotógrafo isola o que deseja mostrar e não sobrepõe elementos. Como conseqüência, muitas vezes, ele individualiza a natureza e, quando o observador depara com um animal que olha para a câmera, cria-se uma espécie de empatia.

    O fotógrafo e a fotografia se tornam invisíveis para que o princípio da mimese funcione com eficácia. No entanto, percebe-se que as escolhas não são feitas ao acaso. Nas paisagens, Alcântara aguarda o amanhecer e o entardecer, momento do dia em que uma luminosidade amarelada banha a atmosfera e confere unidade visual às tomadas mais amplas. A contraluz surge como uma licença poética, pois é um dos únicos recursos que aproximam o resultado de uma expressão gráfica.

    Nas expedições aos parques nacionais, Alcântara também focaliza a população local, registrando em cores cenas de trabalho e manifestações folclóricas de comunidades que vivem próximas da natureza. O fotógrafo estabelece um paralelo entre a exuberância da fauna e da flora e a riqueza da cultura popular. Nas festas como o maracatu rural, em Pernambuco, a festa do boi, em São Luís, o círio de Nazaré, na Amazônia, e o carnaval, em diversas regiões do Brasil, as vestimentas, bordadas e muito coloridas, parecem mimetizar a plumagem dos pássaros.

    Quando o tema é a paisagem humana, o artista se mostra ligado à visualidade característica do modernismo brasileiro, que pretendia chamar a atenção para questões sociais e para a população do interior do país. Nos registros de trabalho, Alcântara enfoca os personagens típicos de cada região: vaqueiros, pescadores e artesãos são alguns exemplos. Enfatiza o embate diário do homem com a natureza, embora os indivíduos pareçam estar em harmonia com o meio ambiente. Os retratos denotam integridade (as pessoas têm um olhar franco) e, assim como nas fotos de animais, procuram estabelecer uma relação direta entre o espectador e o referente.

    Outra vertente do trabalho de Alcântara é a série de cenas urbanas e os retratos em preto-e-branco. Para ele, é como se a supressão das cores ajudasse a concentrar a atenção na figura humana. O fotógrafo tem uma predileção especial por pessoas idosas e crianças, quase sempre mostradas em situações lúdicas. Ainda que testemunhe as más condições de vida de populações carentes, sua fotografia, antes de tudo, persegue a idéia de instante decisivo: busca situações inusitadas e momentos de suspense que se descolem da trivialidade do dia-a-dia.

    Para a ensaísta norte-americana Susan Sontag, a câmara promove o embelezamento do mundo.1 Mesmo ao registrar problemas sociais, as escolhas de Alcântara em relação ao enquadramento e à luz acentuam o caráter idealizador da imagem fotográfica. Grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde as contradições são mais evidentes, são vistos predominantemente a distância.

    Sua obra tem o mérito de dar visibilidade a uma biodiversidade ainda pouco conhecida. No entanto, ao destacar o aspecto espetacular da paisagem, cria a imagem de um país encantado repleto de cachoeiras, grutas e lagos. A "Terra Brasil" é, sobretudo, um paraíso habitado por um povo aberto, franco e honesto.

    Nota

    1 SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 101.

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Fontes de Pesquisa

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ALCÂNTARA, Araquém. Pantanal . Texto Antônio Pavone; fotografia Araquém ALCÂNTARA; projeto gráfico Marcelo Pacheco; tradução John Norman. Barueri: Manole, 2005. 130 p., il. color. (Imagens do Brasil). ISBN 85-204-2420-1.

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ALCÂNTARA, Araquém. Santos. Texto Wilma Therezinha F. de Andrade. São Paulo: Empresa das Artes, 1992. 87 p., fotos p&b color.

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