Artigo da seção pessoas Almeida Júnior

Almeida Júnior

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deAlmeida Júnior: 08-05-1850 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Itu) | Data de morte 13-11-1899 Local de morte: (Brasil / São Paulo / Piracicaba)
Imagem representativa do artigo

Nhá Chica , 1895 , Almeida Júnior
Reprodução fotográfica Isabella Matheus

Biografia

José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, São Paulo, 1850 - Piracicaba, São Paulo, 1899). Pintor. Ingressa na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), em 1869, onde tem aulas de desenho com Jules Le Chevrel (ca.1810 - 1872) e de pintura com Victor Meirelles (1832 - 1903). Conclui estudos em 1874, mas não concorre ao prêmio de viagem e retorna a Itu. Abre ateliê em 1875 e atua como retratista e professor de desenho.

Em visita ao interior de São Paulo, o imperador Dom Pedro II (1825 - 1891) impressiona-se com seu trabalho e concede-lhe uma bolsa de estudos para a Europa. Vive em Paris entre 1876 e 1882 e estuda na École National Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], sendo aluno de Alexandre Cabanel (1823 - 1889). Durante sua estada na capital francesa, participa de quatro edições do Salon Officiel des Artistes Français. Regressa ao Brasil em 1882 e expõe na Aiba as obras produzidas em Paris. Em 1883, instala ateliê em São Paulo.

Em 1886, Victor Meirelles o convida para ocupar sua vaga na Aiba como professor de pintura histórica, mas o artista prefere permanecer em São Paulo. Uma parcela da crítica de arte brasileira o vê como o "pintor do nacional", pois, em suas telas figuram os costumes, as cores e a luminosidade regional, contrários à tradição eurocêntrica vigente na pintura acadêmica. Ao montar seu ateliê em São Paulo, em 1883, traz para a cidade paulista amadurecimento artístico e contribui para a formação de novos artistas, entre eles Pedro Alexandrino (1856 - 1942).

Análise

Almeida Júnior revela desde cedo inclinação para o desenho e pintura e aos 19 anos (1869) parte de Itu, sua cidade natal, para o Rio de Janeiro, com a ajuda financeira de parentes e amigos, a fim de ingressar na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba. Durante a permanência nessa instituição, segue o caminho tradicional de formação de todo pintor acadêmico: freqüenta os dois anos de aulas obrigatórias da disciplina desenho, considerada preliminar para o aprendizado da pintura. Posteriormente, cursa matérias específicas como desenho geométrico e figurado, modelo vivo, pintura histórica, anatomia e fisiologia das paixões, estética e matemática aplicada. Entre seus professores contam-se Jules Le Chevrel (ca.1810 - 1872) e Victor Meirelles. Termina os estudos em 1874, destacando-se pela qualidade dos trabalhos realizados, como comprovam as condecorações recebidas em sua formação nas disciplinas desenho figurado, pintura histórica e modelo vivo e a medalha de ouro com a tela Belizário Esmolando, na última participação como aluno na Exposição Geral de Belas Artes da Aiba.

Sem concorrer ao prêmio de viagem, Almeida Júnior volta a Itu, São Paulo, no início de 1875. Oferece seus serviços em ateliê próprio como professor de desenho e pintor. Realiza uma série de encomendas, principalmente retratos. Entre eles, o de Antônio Queiroz Telles, presidente da Estrada de Ferro Mogiana e de Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra, vice-presidente de São Paulo. São essas obras as principais responsáveis pela bolsa de estudos de aperfeiçoamento no exterior oferecida ao artista pelo imperador Dom Pedro II.

Às expensas do imperador, passa o ano de 1877 freqüentando aulas de desenho em Paris, ingressando na tradicional École National Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] em 1878. Faz um curso de três anos, tendo como principal professor Alexandre Cabanel, um dos maiores inimigos dos impressionistas. Essa estada serve mais para ratificar os valores aprendidos na Aiba e para o aprimoramento técnico (domínio do desenho e da geometria da composição, por exemplo) do que para efetuar uma mudança na orientação artística de Almeida Júnior. Participa do Salon Officiel des Artistes Français de 1879 a 1882, apresentando obras avaliadas como importantes em sua produção. Por exemplo, no Salão de 1880 expõe Derrubador Brasileiro (1879), considerada precursora do conjunto de quadros de temática regionalista (entretanto, ainda bem distante do caráter realista e da luminosidade das pinturas "caipiras").

Volta ao Brasil em 1882 e realiza exposição de suas obras européias na Aiba. Ao instalar nesse ano ateliê em São Paulo, torna-se um dos responsáveis pelo amadurecimento do meio artístico paulista, pois além de estabelecer uma relação mais moderna com o mercado local, promovendo vernissages exclusivos para imprensa e potenciais compradores ou redigindo textos informativos sobre os quadros, contribui para a formação de novas gerações de artistas, tendo sido Pedro Alexandrino o mais bem-sucedido entre eles.

Em concomitância com outros gêneros de pintura, Almeida Júnior realiza na última década de sua vida o conjunto de telas de temática regionalista pelo qual viria conquistar definitivamente seu lugar na história da arte brasileira. Em pinturas como Caipiras Negaceando (1888), Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894), Apertando o Lombilho (1895), O Violeiro (1899) revela-se a admiração por pintores não-acadêmicos, mas de grande importância na França do século XIX, com o realista Gustave Courbet (1819 - 1877) ou Jean-Baptiste-Camille Corot (1796 - 1875). Há o desejo de aproximação realista ao cotidiano do homem do interior sem o filtro das fórmulas universalistas da pintura acadêmica. Por isso, não hesita em retratar o caipira em seu ambiente pobre e simples, em sua vida calma e triste, sem nunca ridicularizá-lo ou transformá-lo em personagem pitoresco.

Contudo, é preciso lembrar que apesar das inovações introduzidas nessas telas, começando pela temática, mas contando a luminosidade solar presente no clareamento da paleta e a gestualidade mais livre, Almeida Júnior não abandona as lições de desenho e composição geométrica de sua formação acadêmica.

Seus quadros caipiras e sua pintura de gênero, em geral com cenas do cotidiano burguês (por exemplo Leitura, de 1892) são bem aceitos pela burguesia empenhada na construção de uma imagem e história para si mesma, a história do povo paulista. Mas vale dizer que quase todos os críticos de arte contemporâneos e posteriores ao artista celebram nele o que vêem ser um primeiro arroubo do caráter nacional na pintura brasileira, até mesmo intelectuais em lados tão opostos como é o caso de Monteiro Lobato (1882 - 1948) e Mário de Andrade (1893 - 1945). A exceção comparece no crítico carioca Gonzaga Duque (1863 - 1911) em texto sobre o salão de 1904, no qual lamenta o fato de Almeida Júnior ter-se transformado num pintor pastoso, amaneirado e duro, criticando a "intermitente pretensão de fundamentar uma arte nacional com a pintura de costumes".

Outras informações de Almeida Júnior:

  • Outros nomes
    • José Ferraz de Almeida Júnior
    • Almeida Jr.
    • José Ferraz de Almeida Jr.
    • Almeida Junior
  • Habilidades
    • pintor
  • Relações de Almeida Júnior com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Almeida Júnior: (64) obras disponíveis:

Todas as obras de Almeida Júnior:

Exposições (85)

Todas as exposições

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (31)

  • ANDRADE, Mário de. Aspectos das artes plásticas no Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. 96 p., il. p&b. color. (Obras completas de Mário de Andrade, 12).
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Prefácio Carlos Roberto Maciel Levy. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 292 p., il. p&b. color.
  • DUQUE, Gonzaga. A Arte brasileira. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995. 270 p. (Arte: ensaios e documentos).
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929. 255 p.
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral, LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1997: seu mercado, seus leilões. São Paulo: Júlio Louzada, 1997.
  • LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984. 1142 p.
  • ALMEIDA JÚNIOR. Almeida Jr. Texto Gonzaga Duque, Sérgio Milliet. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. 24 p., 45 il. color. (Grandes artistas brasileiros).
  • ALMEIDA Júnior: um artista revisitado. Curadoria Emanoel Araújo; texto Aracy Amaral, Maria Cecília França Lourenço. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2000. 52 p., il. p&b, color.
  • ALMEIDA Júnior: vida e obra. Edição Marcos Antonio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1979. 58 p., il. p&b. color.
  • AMARAL, Aracy. A luz de Almeida Júnior. Revista USP. São Paulo, n.5, p. 57-60, mar. /abr. /maio, 1990.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 1008 p., il. color. 2v.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. 428 p.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v., 950p.
  • CHIARELLI, Tadeu. De Almeida Jr. a Almeida Jr: a crítica de arte de Mário de Andrade. 1996. 512 f. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1996.
  • CHIARELLI, Tadeu. Um jeca nos vernissages. São Paulo: Edusp, 1995. (Texto e arte, 11).
  • De Almeida Jr. a Almeida Jr.: a crítica de arte de Mário de Andrade. 1996. 154 p., il. p&b. Doutorado - , São Paulo, 1996.
  • FABRIS, Annateresa (org.). Modernidade e modernismo no Brasil. Campinas: Mercado de Letras, 1994. 160 p. (Arte: ensaios e documentos).
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 677 p.
  • LOBATO, Monteiro. Obras completas de Monteiro LOBATO - 04: idéias de Jéca Tatú. São Paulo: Brasiliense, 1946. 275 p., il. p.b. (Literatura Geral - Série, 1).
  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Revendo Almeida Júnior. 1980. 632 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1980.
  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Revendo Almeida Júnior . 1980.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte do século XIX. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Luciano Migliaccio, Pedro Martins Caldas Xexéo; tradução Roberta Barni, Christopher Ainsbury, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. 223 p.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Negro de corpo e alma. Curadoria geral Nelson Aguilar;  curadoria Emanoel Araújo, Maria Lúcia Montes, Carlos Eugênio Marcondes de Moura; organização Emanoel Araújo; tradução Christopher Ainsbury, Denise Kato, Doris Hefti, Douglas V. Smith, Eduardo Hardman, Eugênia Deheinzelin, Grant Ellis, H. Sabrina Gledhill, John Norman, Katica Szabó, Lilian Escorel, Regina Alfarano, Ricardo Gomes Quintana, Robert Slenes, Carlos Galvão, Suzanne Oboler, Elitza Bachvarova, Thomas William Nerney. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. 559 p., il. color.
  • NAVES, Rodrigo. Almeida Júnior: o sol no meio do caminho. Palestra apresentada no Pinacoteca do Estado de São Paulo. São Paulo, 2003.
  • O DESEJO na Academia: 1847-1916. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1991. 136 p., il. p.b. color.
  • O RETRATO na coleção da Pinacoteca. Texto Aracy Amaral. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1976. 20 p., il. p&b.
  • Pinacoteca do Estado (São Paulo). Dezenovevinte: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986. 126 p. 
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo - São Paulo. Rio de Janeiro: Funarte, 1982. 202 p., il. (Museus brasileiros, 6).
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Texto Mário Barata, Lourival Gomes Machado, Carlos Cavalcanti et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p.
  • SOUZA, Gilda Mello e. Pintura brasileira contemporânea: os precursores. In ______. Exercícios de Leitura. São Paulo: Duas Cidades, 1980. 286 p.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALMEIDA Júnior. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa18736/almeida-junior>. Acesso em: 30 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7