Artigo da seção pessoas Marku Ribas

Marku Ribas

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deMarku Ribas: 19-05-1947 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Pirapora) | Data de morte 06-04-2013 Local de morte: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Biografia

Marco Antônio Ribas (Pirapora, Minas Gerais, 1947 - Belo Horizonte, Minas Gerais, 2013). Compositor, cantor, instrumentista e ator. Estréia como baterista e cantor no grupo Flamingo em 1962. Em 1967, vai para São Paulo com o amigo e parceiro Deo e juntos lançam o LP Deo & Marco, pela gravadora Continental. No mesmo ano, participa do 2º Festival Internacional da Canção (FIC), no Rio de Janeiro, com a música Canto Certo.

Anos depois, rebatizada de Alerta Geral e gravada por Alcione, a canção dá nome a um programa televisivo apresentado pela cantora. O teor crítico dessa letra incomoda o governo militar e é censurada. No ano seguinte, a música Nunca Vi também é censurada e, em outubro de 1968, provoca a prisão de Marco Antônio Ribas, ou Marku Ribas, que se exila em Paris. Na capital francesa, monta o grupo Batuki e participa como ator dos filmes Quatre Nuit D'une Revêur, 1969, de Robert Bresson, e Revolution, 1970, de Jean-Marc Tibeau, no qual interpreta o líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes.

Muda-se para Martinica, no Caribe, e, em 1973, visita o Brasil, onde grava o LP Underground, que traz a faixa Zamba Ben, feita em homenagem ao político revolucionário argelino Ben Bella, principal nome da luta da independência da Argélia. Participa do videoclipe de Just Another Night, do cantor de rock inglês Mick Jagger, gravado no Rio de Janeiro, em 1984. Dois anos depois, em Paris, grava como percussionista a faixa Back to Zero, do álbum Dirty Work, dos Rolling Stones, banda de Jagger, embora não esteja creditado no disco. Atua nos filmes Exu-Piá, Coração de Macunaíma, 1987, de Paulo Verissimo; Uma Onda no Ar, 2002, e Batismo de Sangue, 2007, ambos de Helvécio Ratton; Chega de Saudade, 2008, de Laís Bodanzky; e Lula, o Filho Brasil, 2009, de Fábio e Luiz Carlos Barreto.

É lançada a coletânea Zamba Ben, em 2007, com seleção de repertório feita pelo cantor Ed Motta, admirador da obra de Marku Ribas. Grava, pelo Itaú Cultural, seu primeiro DVD, 60 Anos de Vida, 45 de Arte, em 2008.

Análise

A principal característica da música de Marku Ribas é o diálogo entre gêneros e estilos musicais. Filho de pai negro e mãe descendente de índios caiapós, Ribas tem influência da cultura do povo mestiço de índios e africanos presente no norte de Minas Gerais. A cidade em que nasce, Pirapora, às margens do Rio São Francisco, é um sítio arqueológico ancestral chamado Cariri-Makú. A partir de 1969, o artista escolhe o nome artístico "Marku", com "u", para homenagear essa tribo e confirmar a influência indígena em sua formação artística. Ribas diz que sua herança cultural se baseia na história das pessoas antigas de sua terra de origem e se autointitula um "barranqueiro da gota", por representar a cultura barranqueira do Rio São Francisco, como mostra nas músicas Zi Zambi e Barrankeiro.

Em sua obra estão presentes ritmos brasileiros, como o samba, elementos afros do Caribe e diversas outras tendências, que ouve em casa desde pequeno, principalmente do pai, um médico amante das artes. Ribas é um dos principais propagadores do gênero batizado de samba-rock e um dos pioneiros na fusão do samba com outros gêneros, como o reggae, em Meu Samba Regué, de 1976.

Essa diversidade é notada em seu primeiro disco, Underground, de 1972, com referência a terreiros de umbanda (Pacutiguibê Iaô), influências de sua estada na Martinica (Matinic Moins) e uma verve latina com guitarras que remetem ao guitarrista mexicano Carlos Santana (Orange Lady). O álbum traz sua música mais popular, Zamba Ben. Nos anos 2000, com a retomada do samba-rock, essa música volta a ser executada, na versão original, em regravações e remixadas por DJs, como a versão produzida pelo DJ TC. Ribas começa, então, a despertar interesse de uma nova geração. Em 2001, o grupo Clube do Balanço o convida a cantar no disco Swing & Samba-Rock. Participa do disco Bambas & Biritas, do músico e produtor Bid (ex-Funk como Le Gusta), na faixa Fora do Horário Comercial. O rapper Marcelo D2, em seu segundo disco solo, À Procura da Batida Perfeita, utiliza um sample de Zamba Ben na música A Maldição do Samba.

Zamba Ben traz ainda uma marca do canto de Marku Ribas, utilizando a voz como instrumento ao substituir as palavras por sons onomatopaicos, sem letra - técnica de canto conhecida como scat. No entanto, é justamente pelas críticas contidas em algumas de suas letras que Marku Ribas é forçado pela ditadura militar a sair do Brasil. É acusado de emitir mensagens panfletárias com a música Alerta Geral ("Como viver calado, se também sofro as dores da situação? / Cada dia tá mais difícil de cantar (...) / Vamos fazer nossa revolução / Por que chorar, chorar pra quê? / Quem tem consciência pesada é você") e Nunca Vi ("Nunca vi país democrata ter tanto rei / Tanto rei, tanto rei, rei do rock, do samba, da bola / Enquanto isso, outra criança chora / E o palácio anuncia outro rei"), resultando na censura, em prisão e, consequentemente, no exílio.

Essa trajetória errante colabora para Marku Ribas ficar tanto tempo à margem na música brasileira, apesar de sua relevante contribuição para a história da música negra nacional dos anos 1970, ao lado de nomes como Jorge Ben, Tim Maia, Cassiano, Carlos Dafé, Banda Black Rio e Gerson King Combo.

Outras informações de Marku Ribas:

  • Outros nomes
    • Marco Antônio Ribas
  • Habilidades
    • músico

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (5)

  • ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro, Inst. Antonio Houaiss, Inst. Cravo Albin e Ed. Paracatu, 2006.
  • AMARAL Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Edição do Autor 2008.
  • Morre o compositor, cantor e instrumentista Marku Ribas. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1258684-morre-o-compositor-cantor-e-instrumentista-marku-ribas.shtml Acesso em: 08 abr. 2013 não catalogado
  • RIBAS, Marku. Zamba Ben. Encarte com texto biográfico. CD compilado por Ed Motta. Rio de Janeiro, Dubas, 2007.
  • SOUZA, Tarik de. Tem Mais Samba. Rio de Janeiro. Ed. 34. 2003.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MARKU Ribas. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa18469/marku-ribas>. Acesso em: 23 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7