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Nathália Timberg

Outros Nomes: Nathália Timberg | Nathália Thimberg | Natália Timberg
  • Análise
  • Biografia
    Nathália Timberg (Rio de Janeiro RJ 1929). Atriz. Criada no Teatro Universitário (TU) e amadurecida no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Econômica formalmente, por maio do domínio da voz, do rosto e do geso, obtém grande intensidade dramática. 

    Suas primeiras experiências como atriz são no Teatro Universitário, dirigida por Esther Leão, em A Dama da Madrugada, de Alejandro Casona, em 1948, O Pai, de August Strindberg, em 1949, e Quebranto, de Coelho Neto, em 1950. Nos primeiros anos da década de 50, faz sua formação em Paris, com Jean-Louis Barrault, Etienne Decroux, Jacqueline Levant e Tania Balachova. De volta ao Brasil, ingressa no elenco da Companhia Dramática Nacional (CDN), interpretando em 1954, aos 25 anos, D. Eduarda em Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Bibi Ferreira. Em 1956, muda-se para São Paulo, onde ingressa no TBC, e trabalha no Grande Teatro da Tupi. Permanece no TBC durante seis anos, atuando, entre outros, em A Casa de Chá do Luar de Agosto, de John Patrick, direção de Maurice Vaneau, em 1956; Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller e Pedreira das Almas, de Jorge Andrade, ambas dirigidas por Alberto D'Aversa, em 1958; e sob a regência de Flávio Rangel em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, em 1960, e A Escada, de Jorge Andrade, em 1961.

    Segue, então, para a Companhia Dulcina-Odilon. Em 1964, a interpretação sobre o auge e a decadência da artista Beatrice Stella Campbell, em Meu Querido Mentiroso, com direção de Antonio do Cabo, lhe vale o Prêmio Molière. O crítico Décio de Almeida Prado comenta seu desempenho: "Nathália Timberg confirma a sua grande classe de intérprete: é a atriz mais européia que possuímos, no sentido de dar uma impressão de escola, de técnica, de refinamento. Sabe como andar, como gesticular, como usar um vestido de gala - mas não fica nestas qualidades de mulher da sociedade. É engraçada, mordaz, quando o deseja, e nas últimas cenas, sem recorrer a mudanças demasiadamente marcadas de voz ou de gestos, deixa transparecer com sutileza e emoção todo o desgaste físico da velhice".1 No mesmo ano, protagoniza Antígone, de Jean Anouilh.

    Em 1970, em São Paulo, ao lado do marido Sylvan Paezzo, cria O Circo do Povo, teatro popular construído num circo de 2 mastros, com palco tipo elisabetano, encenando Os Ciúmes de um Pedestre, de Martins Pena e textos baseados em literatura de cordel. Nessa década, atua ainda, com direção de Flávio Rangel, em A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, em 1977, e Investigação na Classe Dominante, de J. B. Priestley, em 1979.

    Na década de 80, trabalha em vários espetáculos do Teatro dos Quatro, entre eles: Assim É...(Se lhe Parece), de Luigi Pirandello, em 1985; Filumena Marturano, de Eduardo De Filippo, e O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, em 1989. Também no Teatro dos Quatro, sua atuação como Simone de Beauvoir em A Cerimônia do Adeus, de Mauro Rasi, em 1987, lhe vale o Prêmio Mambembe de atriz coadjuvante. No ano seguinte, volta a receber o Prêmio Molière pela atuação em Meu Querido Mentiroso, direção de Wolf Maya. O crítico Macksen Luiz observa: "Timberg tira partido de sua figura sofisticada, da dicção perfeita e da forte presença de palco. A atriz domina as mudanças de climas dramáticos com segurança, ainda que nos momentos mais densos, Nathália resolva mais pela técnica e pela experiência do que pela busca de uma solução original".2

    Em 2001, está sob a direção de Bibi Ferreira em Letti e Lotte, comédia inglesa de Peter Shaffer e, ao lado de Milton Gonçalves, em Conduzindo Miss Daisy, de Alfred Uhry. No ano seguinte, brilha em A Importância de Ser Fiel, de Oscar Wilde, com o Grupo TAPA. Assim o crítico Macksen Luiz elogia o seu trabalho: "Nathalia Timberg está afinadíssima como Lady Bracknell. A atriz desenha com refinada técnica a frieza e a futilidade de uma personagem que representa, como ninguém, o espírito de A Importância de Ser Fiel. Uma interpretação precisa, deliciosa e inteligente".3 Novamente, sob a direção de Eduardo Tolentino de Araújo é protagonista em Melanie Klein, de Nicholas Wright, em 2003.

    A crítica Luiza Barreto Leite, define seu estilo: "Nathália Timberg é uma atriz de tão alta classe, tal é a sua versatilidade, aliada a essa magice (sic) de transmitir emoções sem empregar recursos histriônicos estereotipados ou deixar-se levar por transbordamentos excessivos, tal é sua técnica, tão perfeita quanto inaparente (sic), reconhecível apenas através de uma forma, quase inédita no Brasil, de jogar a voz e pronunciar normal e intelegivelmente (sic) as palavras, unindo-as em um ritmo ao mesmo tempo teatral e humano, sem acentuações estranhas ou inflexões espetaculares [...]".4

    Notas
    1. PRADO, Décio de Almeida. 'Meu querido mentiroso'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 jun. 1966.

    2. LUIZ, Macksen. Cartas apaixonadas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 maio 1988. Caderno B.

    3. LUIZ, Macksen. Conduzindo Miss Daisy resolve equação dramática com direção fiel e atuações sem apelo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 nov. 2002.

    4. LEITE, Luiza Barreto. A mulher no teatro brasileiro. Rio de Janeiro: Espetáculo, 1965. p. 105.

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Fontes de Pesquisa

BRANDÃO, Tânia. O amor sujeito a chuvas e trovoadas. O Globo, Rio de Janeiro, 20 maio 1988. Segundo Caderno.

Entrevista com Etty Fraser .Planilha enviada pela pesquisadora Rosy Farias

GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.

LUIZ, Macksen. Cartas apaixonadas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 maio 1988. Caderno B.

OSCAR, Henrique. 'Meu Querido Mentiroso' no novo teatro carioca. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 5 set. 1964.

PRADO, Décio de Almeida. 'Meu Querido Mentiroso'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 jun. 1966.

Programa do Espetáculo - A Graça da Vida - 2007

Programa do Espetáculo - A Morte de Um Caixeiro Viajante - 1977.

Programa do Espetáculo - Belas Figuras,SP - 1983.

Programa do Espetáculo - Conduzindo Miss Daisy - 2001.

Programa do Espetáculo - Entre Quatro Paredes - 1974

Programa do Espetáculo - Meu Querido Mentiroso - 1966

Programa do Espetáculo- Ensina-me A Viver - 1981

TIMBERG, Nathália. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.